Sweet Tooth chegou ao catálogo da Netflix e rapidamente se tornou a produção mais vista e elogiada dos últimos tempos, com potencial para ser um dos principais destaques da plataforma daqui para frente.

O primeiro episódio foi filmado na Nova Zelândia, mais de um ano antes do restante dos outros. Isso devido a retirada do programa da lista de concessão de direitos do Hulu, que tinha encomendado o piloto e posteriormente passou para a Netflix.

A série estreou em 4 de junho de 2021, sendo criada por Jim Mickle, com base na HQ homônima da DC/Vertigo, escrita por Jeff Lemire. A produção executiva fica por conta de Robert Downey Jr. e Susan Downey.

Lemire é um dos quadrinistas mais respeitados da atualidade, sendo que em 2012 foi indicado ao Eisner Award de Melhor Escritor, por seu trabalho em “Sweet Tooth” e nas séries “Animal Man” e “Frankenstein”, publicadas pela DC Comics.

Sweet Tooth - Jeff Lemire
Imagem: Sweet Tooth – Jeff Lemire/ Vertigo

Na Marvel Comics, o autor foi responsável por títulos muito aclamados pelo público e pela crítica especializada, como “Cavaleiro da Lua”, “Extraordinários X-Men”, “Velho Logan” e “Gavião Arqueiro”.

Os produtores da série chegaram a declarar antes da esteia na Netflix, que o material tinha sido adaptado para ficar “mais acessível” a todos, e isto acabou causando uma certa desconfiança entre os fãs do trabalho de Lemire.

Contudo, assim que o live-action chegou ao streaming, foi instantaneamente abraçado pelo grande público e também pelos leitores da obra, que de cara, identificaram a essência do que o quadrinista criou.

O enredo de Sweet Tooth

A história de Sweet Tooth se passa em um universo onde uma doença fatal, conhecida popularmente como “O Flagelo”, se espalhou pela humanidade, causando a morte de várias pessoas em pouco tempo.

Em meio a essa pandemia sem precedentes, como um milagre da natureza, começam a nascer bebês híbridos, com partes humanas e partes animais, que misteriosamente também são imunes à enfermidade.

Porém, essas crianças são perseguidas pela humanidade, tanto por causa do ódio cultivado com a suspeita de culpa no surgimento da doença, quanto pela possibilidade de estudo para a criação de uma cura.

Todo esse contexto é apresentado logo no primeiro episódio da série, onde também conhecemos nosso protagonista, um garoto-cervo que vive com seu pai isolado em uma floresta.

Gus (Christian Convery) é um menino que pertence à primeira geração de crianças híbridas. Ele possui chifres e orelhas de cervo, além de uma super audição e um olfato muito apurado.

Gus - Sweet Tooth
Imagem: Gus – Sweet Tooth/ Reprodução

Assim como ele, outros personagens da espécie, nasceram com asas, pelos e até mesmo focinhos e bicos, chegando ao extremo de alguns deles perderem completamente sua fisionomia humana.

Depois da morte de seu pai e de uma década vivendo com segurança em sua casa isolada na floresta, Gus percebe que precisa saber mais sobre o seu passado e acaba sendo salvo dos caçadores por um nômade solitário chamado Tommy Jepperd (Nonso Anozie).

Juntos, eles decidem partir em uma jornada extraordinária pelo que restou da América, em busca de respostas sobre as origens de Gus, a história de Jepperd e o verdadeiro significado de ter uma família.

A história dos dois, será cheia de aliados e inimigos impiedosos, e o garoto rapidamente descobrirá que o mundo fora da floresta é mais complexo do que ele jamais poderia ter imaginado.

Diferenças entre a HQ e a série Live-Action

É muito impactante acompanhar a relação de pai e filho entre os personagens Jepperd e Gus, assim como o oportunismo dos fascistas em usar os momentos de crise para chegar ao poder e subjugar aqueles que consideram como inferiores.

Todas essas características são intensamente utilizadas por Jeff Lemire em praticamente todos os projetos em que ele se envolve, e a série consegue captar vários desses elementos com maestria.

Obviamente, nem tudo é extremamente fiel ao material original, uma vez que a HQ se desenvolve em um arco bastante violento e sombrio, enquanto que o live-action procura ir por um caminho bem mais leve, seguindo um tom mais esperançoso.

Sweet Tooth
Imagem: Sweet Tooth/ Divulgação

Mesmo assim, a série produzida para a Netflix consegue se ancorar na essência dos quadrinhos de Lemire, transformando-se em uma verdadeira declaração de amor à obra e também aos seus personagens.

Embora na história, a humanidade esteja passando por uma verdadeira catástrofe, a série não tenta aproveitar o clima de caos e medo que é utilizado na HQ, buscando ser um tipo de fantasia apocalíptica.

Isso fica implícito na estética e na fotografia, que nos mostra um cenário cheio de cores e panorâmicas, que trazem na verdade um mundo muito bonito. Este é um dos elementos que contrastam diretamente com o tom dos quadrinhos, evidenciando como as duas propostas são diferentes.

A série entrega uma narrativa convincente, com relações sólidas entre os personagens e um final de temporada estacionando em um dos pontos mais altos na trama nos quadrinhos, provando que o live-action leva a história a sério, mesmo sem precisar adaptar fielmente o material original.

A produção da série

Uma das coisas que tem chamado muito a atenção em Sweet Tooth, é a qualidade dos efeitos visuais, tanto de origem gráfica, quanto prática. O capricho nos pequenos detalhes é visivelmente impressionante e a caracterização dos personagens é perfeita.

Poucos sabem, mas o showrunner Jim Mickie e o diretor de fotografia Dave Garbett, se inspiraram nos clássicos de Steven Spielberg, em diversos momentos da série. “E.T.: O Extraterrestre” e “Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros”, são bons exemplos.

É possível ver claramente, como o filme “Indiana Jones e a Última Cruzada” de 1989, teve grande influência no sexto episódio, na icônica cena em que os amigos precisam subir em um trem que está em movimento.

Sweet Tooth
Imagem: Sweet Tooth/ Reprodução

As orelhas de cervo colocadas em Gus, são controladas por Grant Lehmann, por meio de um transmissor portátil. Christian Convery e o profissional de manipulação, ensaiaram em todas as cenas para coordenar o efeito visual.

A movimentação precisava estar tão sincronizada com as expressões faciais do protagonista, que o controlador não podia assistir pelo monitor, devido ao pequeno atraso na transmissão, tendo que seguir o ator por todo o set.

O resultado ficou tão bom, que a audição de Gus parece funcionar quase como a de um animal de verdade. As orelhas do protagonista são as primeiras partes do seu corpo a responder qualquer estímulo externo, antes mesmo dos olhos.

A camisa vermelha xadrez de Gus é inspirada no visual do personagem nas histórias em quadrinhos, e Amanda Neale levou sete semanas para encontrar a peça que mais se aproximasse do desenho original.

A estilista chegou ao ponto de criar 46 conceitos diferentes para o figurino do General Abbot (Neil Sandilands) para a série, até conseguir encontrar uma versão que fosse a mais fiel possível da obra.

A equipe de criação da se inspirou fortemente no trabalho de Jim Henson, o criador e manipulador dos Muppets, na intenção de que cada elemento do universo parecesse o mais realista possível, principalmente no que diz respeito às características dos personagens híbridos.

Dessa forma, impressionantemente todos os bebês que estão presentes no primeiro episódio de Sweet Tooth, são bonecos extremamente parecidos com pequenos seres humanos de verdade.

Gus
Imagem: Sweet Tooth/ Reprodução

O híbrido conhecido como Bobby por exemplo, é um boneco robótico que precisava ser controlado por vários manipuladores, através de um complexo sistema, formado por cabos e correias.

A título de curiosidade, o nome do personagem é uma homenagem a Bob Schreck, o editor da HQ original e o personagem tem essa característica porque ele faz aniversário no mesmo dia em que o filho de Jeff Lemire (02 de fevereiro), data em que se comemora o Dia da Marmota.

Além de Christian Convery e Nonso Anozie, o elenco da série ainda conta com Adeel Akhtar como Dr. Aditya Singh, Will Forte como o pai de Gus, Dania Ramirez como Aimee, Neil Sandilands como General Steven Abbot, Stefania LaVie Owen como Ursa e Aliza Vellani como Rani Singh.

Sweet Tooth ainda não foi oficialmente renovada para uma 2ª temporada, mas as possibilidades são grandes, tendo em vista que o seriado liderou a lista das dez produções mais assistidas da Netflix por várias semanas.

Tudo isso sem contar o fato de que o live-action foi muito bem recebido pela crítica especializada, alcançando com uma aceitação de 98% no Rotten Tomatoes.

O material de origem é repleto de possibilidades para adaptações, sendo que a HQ conta ao todo, com 40 edições. Depois que a série de quadrinhos foi concluída em 2013, Jeff Lemire ainda publicou uma sequência em 2020, chamada “The Return”.

E aí galera, depois de todas essas informações e curiosidades sobre Sweet Tooth, bateu aquela vontade de maratonar a série inteira, não é mesmo?

Então não marque bobeira!!!

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