As Crônicas de Spiderwick acompanha a história de uma antiga ameaça mágica que retorna ao mundo moderno por meio de um livro proibido. Em 1928, Arthur Spiderwick escreve um Guia de Campo detalhando a existência de fadas e criaturas mágicas. Temendo que esse conhecimento seja usado para o mal pelo ogro metamorfo Mulgarath, Arthur esconde o livro e acaba aprisionado no reino das sílfides.
Oito décadas depois, Helen Grace se muda para a antiga propriedade dos Spiderwick com seus três filhos: Mallory e os gêmeos Jared e Simon. Jared, revoltado com a separação dos pais e a mudança, descobre um escritório secreto na casa e encontra o Guia de Campo. Com a ajuda de uma pedra mágica, Jared passa a enxergar o mundo invisível das fadas e descobre que a casa é protegida por um círculo mágico contra criaturas malignas.
Quando Simon é sequestrado por goblins liderados por Redcap, Jared se envolve diretamente no conflito e acaba cruzando o caminho de Mulgarath, disfarçado. Com a ajuda de Hogsqueal, um hobgoblin que busca vingança, Jared recupera o irmão, mas a ameaça se intensifica quando páginas do livro são roubadas,qiebrando a proteção da casa.
Buscando respostas, as crianças visitam Lucinda Spiderwick, filha de Arthur, e descobrem que ele ainda está vivo no reino das sílfides. Com a ajuda de um grifo, eles o encontram e tentam destruir o livro, sem sucesso. Arthur os ajuda a escapar, enquanto Mulgarath prepara seu ataque final.
Na noite de lua cheia, o círculo protetor é quebrado e os goblins invadem a casa. A família finalmente acredita na magia e enfrenta as criaturas, derrotando Mulgarath quando ele é revelado e destruído. Ao final, Jared se reconcilia com a mãe, e Arthur e Lucinda partem com as sílfides, livres, enquanto a família Grace começa uma nova vida.
Direção de As Crônicas de Spiderwick
As Cronicas de Spider Which foi dirigido por Mark Waters, o mesmo diretor da clássica comedia, “Sexta Feira Muito Louca”. conhecido por uma direção funcional, focada em ritmo e personagens, o que combina com o tom mais íntimo da fantasia de Spiderwick. Até a estreia desse filme Which não havia trabalhado em uma obra tão lúdica e fantasiosa quanto As Cronicas de Spiderwick.
A identidade visual de As Crônicas de Spiderwick aposta em uma fantasia sombria e intimista, com paleta terrosa, iluminação baixa e criaturas estranhas. O diretor evita o épico, integrando o fantástico ao cotidiano para reforçar mistério, perigo e amadurecimento. Tudo isso organizado em um cenário clássico vitoriano dentro do velho casarão de Spiderwick.
Os efeitos especiais nesse filme foram muito bem produzidos, como por exemplos os proprios goblins do filme. Com uma textura de pele rugosa e úmida, cheio de deformidades, convencem bem e ajuda a imergir o espectador ainda mais na trama. Isso resultou em uma indicação ao Oscar de melhores efeitos especiais em 2009.
Em síntese, As Crônicas de Spiderwick se destaca pela coerência entre direção, estética e efeitos visuais, construindo uma fantasia sombria e envolvente que privilegia atmosfera, intimidade e imersão narrativa.
Em que foi baseado esse filme
O filme As Crônicas de Spiderwick (2008) foi baseado diretamente na série de livros homônima criada por Holly Black juntamente com Tony DiTerlizzi. A série literária começou em 2003 e é composta por 5 livros curtos, voltados ao público infantojuvenil. O diferencial deles é que não são só histórias. Os livros se apresentam quase como um objeto do universo ficcional, com ilustrações, anotações, mapas e bestiários, como se o leitor estivesse folheando o Guia de Campo de Arthur Spiderwick.
Todo o folclore presente no livro, deriva especialmente das crenças celtas e britânicas. A série As Crônicas de Spiderwick teve grande repercussão no público infantojuvenil, foi best-seller, adotada em escolas e ganhou prêmios importantes como o Mythopoeic Fantasy Award, destacando-se pela fantasia sombria e inspiração no folclore clássico. O filme não adaptou só a primeira, mas sim toda a sequencia de livros escrita pelos autores. Por isso há diversas diferenças entre o filme e o livro.
Concepts de Tony DiTerlizzi
Tony DiTerlizzi (nascido em 6 de setembro de 1969, nos EUA) é um artista, autor e ilustrador de fantasia especialmente conhecido por suas ilustrações nos livros de As Crônicas de Spiderwick, que ele co-criou com Holly Black. Ele também trabalhou em jogos, incluindo Dungeons & Dragons e Magic: The Gathering, e ganhou prêmios como Caldecott Honor Award por The Spider and the Fly.
Os personagens mágicos de Spiderwick têm fisionomia orgânica e irregular, gestos inspirados em animais e comunicação instintiva. Desse modo, corpo, movimento e voz reforçam um mundo fantástico inquietante, vivo e biologicamente crível. A forma dos personagens é um dos um dos elementos mais impactantes do filme, que veio direto dos traços criativos e peculiares de DiTerlizzi.
Orçamento e bilheteria
O desempenho comercial de As cronicas de Spiderwick foi baixo, para os padrões de grandes produções daquele ano. O filme arrecadou US$ 164 milhões nas bilheterias mundiais. Se levarmos o custo estimado em US$ 90 milhões. Apesar do custo de produção, As Cronicas de Spiderwick não passou nem perto de ser um dos filmes mais caros de 2009. Para visualizarmos melhor, filme como Batman – O Cavaleiro das Trevas, 007 – Quantum of Solace e WALL-E, excederam custos de produções de US$ 180 milhões.
Em síntese, As Crônicas de Spiderwick teve um desempenho comercial modesto, suficiente para sustentar o projeto, mas insuficiente para competir com os grandes blockbusters da época, evidenciando seu posicionamento como uma fantasia de médio orçamento e alcance mais contido.
Critica
A recepção crítica de As Crônicas de Spiderwick foi geralmente positiva ou moderada: o filme tem cerca de 81% de aprovação no Rotten Tomatoes, com muitos críticos chamando-o de aventura infantil divertida, charmosa, com uma atmosfera de contos de fantasia convincente. No IMDB o filme alcançou 6.6/10 estrelas em uma escala de 108 mil classificações.
As principais criticas negativas estão voltadas ao fato do filme ter condensado 4 sequências literárias em uma única adaptação. Nesse sentido, muitas coisas interessantes, como personagens mágicos ficaram de fora trama. Essa adaptação mostrou apenas uma parte do universo criado por Holly Black juntamente com Tony DiTerlizzi. Apesar de tudo a aceitação geral do publico foi positiva, mostrando que As Cronicas de Spiderwick (2009) marcou uma geração.
Trilha sonora de As Crônicas de Spiderwick
A trilha sonora de As cronicas de Spiderwick foi composta por James Horner, um dos compositores mais experientes na industria cinematográfica. Horner já produziu diversos album para sucessos cinematográficos. Por exemplo, Karate Kid (2010), O Menino do Pijama Listrado, Jumanji, Coração Valente, entre muitos outros.
Em geral, o album dessa adaptação contem musica com um estilo alegre e enérgico que tenta nos envolver em uma atmosfera lúdica e misteriosa. A faixa “Writing the Chronicles” traduz bem esse espírito lúdico e misterioso. A música começa com cordas leves e ascendentes, quase curiosas, criando sensação de descoberta. Aos poucos, entram madeiras e variações rítmicas sutis, que mantêm a energia em movimento. A trilha sonora não é um dos pontos mais fortes desse filma, mas conseguem nos envolver ainda mais em um mundo de criaturas fantásticas.
Conclusão
Há diversas decisões criativas tomadas por Mark Waters em As Crônicas de Spiderwick que revelam os desafios de adaptar uma obra literária rica e seriada para o cinema. A mudança mais evidente está na estrutura temporal: enquanto os livros desenvolvem a narrativa ao longo de várias semanas, o filme condensa os acontecimentos em praticamente um único dia. Essa escolha imprime mais ritmo e urgência à história, mas reduz o espaço para o amadurecimento gradual dos conflitos e personagens.
Outro ponto relevante é o tratamento do folclore. Nos livros, Holly Black e Tony DiTerlizzi exploram com profundidade as regras, hierarquias e comportamentos das criaturas mágicas, criando um universo detalhado e quase enciclopédico. O filme, por sua vez, adapta essa mitologia para uma linguagem mais visual e acessível, priorizando impacto imediato e clareza narrativa. Como consequência, muitos conceitos são simplificados, perdendo parte da complexidade original.
Apesar dessas diferenças, a adaptação cinematográfica se mostra uma tentativa sólida de preservar a essência do universo de Spiderwick. A atmosfera sombria aliada ao tom lúdico, o design das criaturas e o foco no conflito emocional dos protagonistas demonstram respeito ao material de origem. Por isso, para muitos fãs, o filme lançado em 2009 conseguiu traduzir melhor o espírito dos livros quando comparado à série de TV posterior, que adotou mudanças ainda mais profundas. Assim, o longa se estabelece como uma adaptação funcional, honesta e coerente dentro das limitações do cinema comercial. Até a próxima!















