Bloodborne quase ganhou um remake de luxo nas mãos da Bluepoint Games, e o motivo é tão frustrante quanto familiar para quem acompanha o rumo do PlayStation ultimamente.
A ideia parecia óbvia para qualquer fã. A Bluepoint pegaria um dos jogos mais celebrados do PlayStation 4 e daria aquele tratamento “padrão Bluepoint”. Afinal, o estúdio ficou conhecido por seus remakes impecáveis em Demon’s Souls e Shadow of the Colossus.
O contexto, porém, ajuda a explicar por que isso nunca saiu do papel. Em janeiro de 2025, a PlayStation cancelou um projeto de jogo como serviço que a Bluepoint tocava dentro da franquia God of War. Com o cancelamento, o estúdio precisou encontrar um novo rumo rapidamente.
De acordo com pessoas familiarizadas com as conversas citadas por Jason Schreier, a equipe voltou ao que sabia fazer. Ou seja, ela retomou propostas de remakes e remasterizações com foco técnico.
Nesse cenário, Bloodborne parecia o candidato perfeito. Lançado em 2015 pela FromSoftware, o jogo virou um dos símbolos do PS4. Ele roda no PS5 via retrocompatibilidade, mas mantém o perfil original limitado do PS4.
Por isso, ele segue travado em 1080p, a 30fps e sem upgrade oficial para aproveitar a potência do hardware atual. Além disso, a comunidade mantém esse assunto vivo há anos. A galera compara desempenho e cria projetos de fãs, embora a Sony às vezes interrompa essas iniciativas.
Por que o remake travou

O detalhe decisivo, segundo o relato reunido por Schreier, veio da FromSoftware. A Bluepoint teria ouvido que “os números faziam sentido”, mas a desenvolvedora japonesa não queria que o projeto avançasse.
Ou seja, mesmo com interesse interno e demanda óbvia do público, a negociação bateu em um “não” de quem criou o jogo. Até agora, nem Sony nem FromSoftware comentaram publicamente esse ponto específico.
Aqui entra uma camada que os fãs conhecem bem. Em 2025, o ex-chefe da PlayStation, Shuhei Yoshida, comentou uma teoria sobre o silêncio em torno de Bloodborne. Ele sugeriu que Hidetaka Miyazaki tem carinho especial por Bloodborne.
Portanto, Yoshida especulou que Miyazaki não gostaria que outro estúdio tocasse em sua obra. Yoshida também disse que não tratava isso como informação interna, vale mencionar.
Quando o remaster de Bloodborne travou e a porta se fechou do lado da FromSoftware, a Bluepoint ainda tentou virar o jogo com mais duas propostas, numa espécie de “última cartada” para não ficar parada após o cancelamento do projeto live service.
A primeira ideia teria sido voltar para terreno conhecido com uma nova versão atualizada de Shadow of the Colossus, mesmo depois do remake de PS4 – só que a Sony não teria comprado a aposta. Em paralelo, o estúdio também teria apresentado um projeto ligado a outra franquia first-party, como um possível spin-off de Ghost of Tsushima, mas o pacote também não avançou internamente.
O fim da linha para o Bluepoint
Enquanto isso, a situação da Bluepoint só piorou. A imprensa internacional relata que a Sony decidiu fechar o estúdio após uma revisão de negócios, com encerramento previsto para março de 2026.
A Bluepoint tinha cerca de 80 funcionários. A Sony também teria oferecido a possibilidade de candidatura a vagas em outros estúdios do grupo. Ainda assim, ela passou anos sem lançar um jogo próprio desde a aquisição pela Sony, em 2021.
Na prática, esse veto mantém Bloodborne preso na geração passada e empurra a discussão para o “e se”. Ainda dá para imaginar um remaster, mas nada indica que esteja em andamento.
No fim das contas, a história deixa um gosto amargo nada os fãs. Bloodborne segue como um ícone abandonado no passado, e a Bluepoint, que seria a candidata perfeita para um remake exemplar, saiu de cena antes mesmo de ter uma chance.
Para a Sony, fica a pergunta da comunidade gamer: quantas vezes dá para ignorar um desejo coletivo antes que ele vire ressentimento público?



















