Novo filme de Resident Evil é uma daquelas promessas que parecem assombrar Hollywood há décadas.
Desde que o primeiro jogo chegou ao PlayStation em 1996, muitos fãs esperam ver uma adaptação realmente fiel à trilogia original. Porém, o cinema quase sempre preferiu caminhos paralelos, personagens próprios e reinvenções que dividiram a comunidade.
Nesse meio tempo, o público de Resident Evil mudou muito. A franquia saiu do survival horror clássico, passou pela ação explosiva, voltou ao terror em primeira pessoa e ganhou remakes modernos. Mesmo assim, uma coisa ainda une boa parte da fanbase: a vontade de ver Raccoon City tratada com o peso, o medo e a atmosfera que marcaram principalmente os primeiros jogos.
Pois bem, o novo filme de Resident Evil, dirigido e coescrito por Zach Cregger, de Noites Brutais (Barbarian) e A Hora do Mal (Weapons), parece tentar um caminho curioso. Ele não promete uma adaptação 1:1 de Resident Evil 2 como fizeram na primeira temporada da série de The Last of Us.
Na verdade, promete algo que pode agradar uma parte dos fãs e irritar outra: uma história original que acontece em paralelo aos eventos do clássico de 1998.
O novo terror volta para Raccoon City

A grande revelação é que o filme será ambientado durante o caos de Resident Evil 2, mas sem Leon S. Kennedy, Claire Redfield, Jill Valentine ou Chris Redfield como protagonistas.
Enquanto so S.T.A.R.S. estão lá atirando, explodindo e queimando laboratórios da Umbrela, a trama do novo filme de Resident Evil acompanha Bryan, personagem vivido por Austin Abrams, um transportador médico envolvido em um surto biológico na cidade.
Segundo o diretor Zach Cregger, a ideia é contar uma história que exista nas bordas do cânone dos games. Dessa forma, o filme não tenta recontar a campanha de Leon e Claire, nem substituir momentos clássicos. Ele quer mostrar outro recorte daquela mesma noite, com um personagem comum tentando sobreviver.
Parando para analisar melhor, esse detalhe muda bastante a expectativa. Por um lado, fãs que sonham com uma adaptação direta podem sentir que Hollywood está evitando, mais uma vez, aquilo que parecia óbvio. Por outro, a decisão também impede que personagens adorados sejam mal utilizados ou descaracterizados, algo que já aconteceu em adaptações da franquia e provocou o ranço instantâneo da fanbase.
Sem Mr. X ou Nemesis, mas com nova ameaça

Dentre tudo que foi revelado até agora, outro ponto que chama atenção é a ausência dos perseguidores como Mr. X e Nemsis. Embora a história esteja próxima da linha temporal de Resident Evil 2 e Resident Evil 3, Cregger confirmou que os monstros clássicos não aparecerão.
No lugar deles, o filme terá uma nova ameaça, descrita como uma criatura em evolução que persegue Bryan ao longo da trama.
Essa escolha deve gerar debate. Afinal, Mr. X e Nemesis são os vilões mais populares da trilogia original e combinam perfeitamente com a ideia de perseguição implacável.
Contudo, criar uma criatura inédita pode dar ao filme mais liberdade narrativa. Também evita a comparação direta com o jogo e com versões anteriores do personagem no cinema.
Um survival horror raiz
O que mais anima nessa proposta toda é o tom prometido. Zach Cregger afirmou que quer capturar elementos fundamentais dos games, como tensão de sobrevivência, escassez de recursos, sensação de isolamento e progressão em uma noite cada vez pior.
Pela primeira vez, um diretor parece interessado não apenas na história dos jogos, mas na experiência de gameplay. A ideia de ver um protagonista revirando gavetas e economizando munição é algo que os fãs pedem há décadas.
Em outras palavras, o foco parece estar menos na ação exagerada dos filmes da Milla Jovovich e mais no desespero e na vulnerabilidade em geral. O que é muito positivo, porque o terror de Resident Evil funciona melhor quando o personagem parece vulnerável e encurralado.
Em 1996 a franquia nasceu do medo de abrir uma porta sem saber o que existia do outro lado. Portanto, soltados de elite armados até os dentes por um cara comum pode ser uma decisão mais fiel ao espírito dos primeiros jogos do que parece.
Elenco, produção e estreia
Além do ator Austin Abrams, o elenco inclui Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser e Johnno Wilson.
O roteiro é assinado por Zach Cregger e Shay Hatten, conhecido por trabalhos ligados à franquia John Wick. A produção envolve Constantin Film, PlayStation Productions, Vertigo Entertainment e distribuição da Sony Pictures/Columbia.
A Sony também divulgou o primeiro teaser, que apresenta infectados grotescos, ambientes escuros, uma casa aparentemente abandonada e uma atmosfera mais suja e ameaçadora. A estreia está marcada para 18 de setembro de 2026.
No fim das contas, o novo filme de Resident Evil parece carregar uma contradição interessante. A direção quer ser fiel aos jogos sem adaptar diretamente os jogos. Isso pode soar frustrante para quem ainda sonha em ver Leon, Claire e a delegacia de Raccoon City em versão cinematográfica.
Ainda assim, talvez seja justamente essa distância que permita ao filme pesar a mão no terror.
Se Cregger realmente entendeu que Resident Evil é terror antes de ser espetáculo, esse reboot pode finalmente entregar algo que os fãs procuram há anos: não uma cópia exata dos games, mas uma experiência que faça o público sentir medo como em 1996.
E você, acha que essa nova abordagem pode salvar Resident Evil nos cinemas? Conta aí pra gente nos comentários!



















Uma resposta
Sim! Eu acho que esse filme vai parecer mais Resident Evil do que os que já foram feitos até hoje. As pessoas precisam começar a aceitar que a franquia é todo um universo, e se até hoje fossem feitos filmes apenas que fossem fiéis ao jogo, não teriam tantos e retratando tantas possibilidades e acontecimentos. O que os fãs nunca gostaram foi de ver a suas próprias expectativas não atendidas, mas não dá pra dizer que são filmes tão desprezíveis assim.
Com esse, parece que as expectativas dos somellier de Resident Evil vão continuar não sendo atendidas hahahah mas não vai dar pra negar que vai ter muito mais do clima do jogo.