Bluepoint Games será fechada pela Sony após revisão de negócios

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Bluepoint Games – O estúdio de Austin, no Texas, que hoje é referência em remakes e remasters de alto padrão, será fechado pela Sony – e o anúncio pegou todo mundo de surpresa.

Segundo a PlayStation, a decisão veio após uma “recente revisão de negócios”. O fechamento deve ser concluído no próximo mês, com cerca de 80 funcionários afetados.

Em nota, a Sony elogiou a equipe e afirmou que a Bluepoint Games entregou “experiências excepcionais” para a comunidade PlayStation, apoiada na sua expertise técnica.

O porta-voz também agradeceu a paixão e o artesanato do time, e indicou que o estúdio fecha em março de 2026. Para muitos, é mais um sinal de reestruturação contínua dentro do PlayStation neste ciclo.

O que aconteceu com a Bluepoint?

O estúdio nasceu em 2006, fundado por Andy O’Neil e Marco Thrush. Ele ganhou espaço no mercado como aquela “equipe cirúrgica” que pega um clássico amado e o traz de volta sem destruir a memória coletiva.

Sony aquire Bluepoint em 2021
Sony aquire Bluepoint em 2021

A Sony comprou a Bluepoint Games em 2021, pouco depois do remake de Demon’s Souls virar vitrine técnica do PS5. Na prática, a aquisição parecia óbvia. A Bluepoint já tinha um histórico longo de colaborações com a marca.

Só que o roteiro mudou. Depois de participar do desenvolvimento de God of War Ragnarök, a equipe foi designada para um projeto live-service no universo da franquia.

Esse projeto, assim como tantos outros, acabou cancelado em janeiro de 2025. Desde então, a PlayStation dizia que avaliava os próximos passos do estúdio. Agora, essa avaliação terminou do jeito mais trágico possível. Encerramento do estúdio.

No entanto, existe um motivo para a Bluepoint Games ser tratada como “padrão ouro” do remake moderno. Ela não se limitava a aumentar resolução de textura, aumentar draw distance e chamar isso de remaster. O estúdio reconstruía, ajustava e polia mecânicas. Ainda assim, mantinha a sensação originalidade intacta.

Isso exige técnica e um tato muito apurado. Além disso, exige humildade. Você precisa saber quando mexer. Mais importante: quando não mexer.

Remakes e Remasters da Bluepoint
Remakes e Remaster de maior sucesso da Bluepoint

Demon’s Souls Remake ajudou a definir o começo da geração PS5. O jogo não serviu só como retorno de um cult clássico. Ele mostrou, logo no lançamento do console, o que a nova arquitetura podia entregar em iluminação, texturas e carregamento. Além disso, evitou transformar o projeto numa releitura que briga com a identidade do original.

Em um mercado de “reimaginações” apressadas, essa postura virou assinatura do estúdio. Mesmo assim, para a Sony, não bastou.

O contexto maior dentro da Sony

O fechamento de um estúdio tão importante como a Bluepoint diz respeito ao momento turbulento da divisão de games da Sony.

Para que não tá ligado, em fevereiro de 2024, a Sony anunciou a demissão de cerca de 900 pessoas e o encerramento do London Studio. Depois, em outubro de 2024, vieram mais fechamentos, incluindo Neon Koi e Firewalk Studios, equipe ligada ao shooter Concord.

Em paralelo, a estratégia de live-service perdeu tração totalmente.

Cancelamentos e resultados muito abaixo do esperado forçaram a companhia a recalibrar expectativas. Por isso, várias iniciativas desse modelo passaram a parecer mais risco do que promessa.

Nesse cenário, a Bluepoint Games ficou presa no meio da mudança de rota. Ela entrou na família PlayStation como especialista em restaurar obras clássicas. No entanto, a Sony puxou o estúdio para uma aposta que não se sustentou.

Quando um time perde seu projeto principal, ele vira custo em uma planilha. E planilhas não têm nostalgia, não tem hype e nem amor por franquias. É tudo uma questão de lucro vs prejuízo. Assim, o fechamento da Bluepoint Games soa como mais um capítulo de uma fase em que o PlayStation corta mais um dedo para tentar salvar o braço.

E, no final, o que sobra?

Bluepoint Games

Mesmo com o encerramento, o trabalho da Bluepoint Games não some. Ele continua no catálogo e, mais importante, continua como referência técnica. Para quem ama preservação, o estúdio provou que dá para modernizar sem apagar a essência.

Para quem gosta de engenharia, ele mostrou o valor de um time que entende de otimização, pipeline e acabamento final como poucos.

A sensação, porém, é de fim de era. A Bluepoint transformava jogo datado em produto premium. E fazia isso com um cuidado que é raro demais para o modelo atual da indústria.

No curto prazo, a discussão vai além do luto gamer. Para onde vão esses profissionais? E quantos deles conseguem se recolocar na indústria?

Já para o PlayStation, o recado é claro. A empresa parece querer menos apostas longas em live-service. Ao mesmo tempo, ela busca decisões rápidas, guiadas por revisão de custos e portfólio.

Só que existe uma pergunta incômoda. Se nem a Bluepoint Games, com currículo impecável, entregando Uncharted: The Nathan Drake Collection, Metal Gear Solid HD Collection e God of War Collection não teve espaço garantido, quem tem?

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