Code Violet chegou ao PS5 em 10 de janeiro de 2026 com uma missão clara: soar como o “Dino Crisis que a Capcom não quer fazer”. A promessa funciona no trailer e no imaginário do público. No entanto, quando o jogo cai no controle, o encanto perde força rápido.
Mesmo com apelo nostálgico, Code Violet acumulou críticas duras por bugs, desempenho instável e decisões de design que frustraram parte do público. Ainda assim, a TeamKill Media confirmou a sequência, Code UltraViolet, e classificou o primeiro jogo como um “enorme sucesso” de vendas.
We’re actively progressing on several exciting projects, with more announcements and reveals coming your way very soon.
Today, however, we’re especially thrilled to share some big news with the entire TeamKill community.
Thanks to the overwhelming success of Code Violet and the… pic.twitter.com/CUCJ3RiSL5— TeamKill Media (@TeamKillMedia) February 10, 2026
Diante disso, a pergunta muda de “por que apanhou da crítica?” para “como vendeu bem apesar de tudo?”. Além disso, fica outra provocação no ar: dá para esperar uma volta por cima no estilo No Man’s Sky e Cyberpunk 2077?
O contraste aparece em números e em clima. No Metacritic, Code Violet ficou com recepção “geralmente desfavorável”, e muita gente apontou combate fraco, progressão repetitiva e falhas técnicas.
Ao mesmo tempo, a discussão nas redes virou um ringue. O estúdio costuma responder de forma defensiva. Como resultado, ele alimenta um ciclo que mistura ruído, engajamento e desconfiança.
Nos últimos dias, também surgiram relatos e acusações de que a TeamKill Media teria usado reivindicações de direitos autorais para derrubar vídeos críticos no YouTube.
É importante tratar esse ponto como debate em andamento, porque ninguém ganha com conclusão apressada. Ainda assim, a lógica é simples: quando um estúdio briga com a própria audiência, ele perde margem para pedir paciência depois.
Por que o “desastre” foi um sucesso?

Aqui entra um fator poderoso: o vácuo no mercado. Faz anos que o público pede um retorno de Dino Crisis. Portanto, quando Code Violet aparece com dinossauros, câmera em terceira pessoa e clima de horror sci-fi, ele parece preencher esse buraco. Em outras palavras, o jogo vende uma fantasia que muita gente já queria comprar.
Além disso, a exclusividade no PlayStation cria um efeito vitrine. Para muita gente, se algo sai como exclusivo no PlayStation é porque passou passou por algum “filtro” de qualidade. Só que esse filtro não mede acabamento. Em geral, ele mede acordo, janela e oportunidade. Por isso, muita gente confunde curadoria com conveniência comercial.
Também existe a compra por curiosidade, que hoje move tópicos no Reddit e conteúdo no Youtube. Quando um jogo vira polêmica, o jogador muitas vezes quer tirar as próprias conclusões. Então ele compra para testar, gravar conteúdo e entrar no assunto. Assim, Code Violet recebe marketing involuntário, mesmo quando a piada é de mal gosto.
Ainda há um outro detalhe espinhoso. A politica de reembolso da PSN é bem restrita. Diferente da Steam, não há um “período de teste”. Após o download, o jogo é seu pra sempre e não tem direito a reembolso.
Sendo assim, Code Violet não prova sucesso de vendas por satisfação do jogador, mas sim por que o mesmo não pode pedir reembolso em caso de arrependimento.
Dessa dinâmica nasce um ‘novo medo desbloqueado’: estúdios poderiam se sentir à vontade para lançar jogos pouco polidos no exclusivamente no PlayStation para se beneficiar dessa política. A ideia assusta pois atinge a confiança do consumidor – e, sem confiança, estúdio nenhum se sustenta pequeno.
Lançar de qualquer jeito para corrigir depois

A ideia de redenção – lançar quebrado e ir arrumando – não nasce do nada. No Man’s Sky reconstruiu reputação com anos de updates e comunicação assertiva.
Cyberpunk 2077 foi o caso mais recente que mudou da água para o vinho depois de 17 patches de correção e uma expansão de alta qualidade.
Portanto, existe precedente. Só que isso não garante milagre. Para Code Violet replicar esse feito, a TeamKill Media precisaria agir em três frentes:
- Primeiro, trocar a postura nas redes, porque atacar críticos vira tiro no pé.
- Segundo, o estúdio precisa melhorar desempenho e corrigir bugs com urgência, de forma consistente.
- Terceiro, reformular alguns sistemas centrais, porque patch não salva combate ruim.
No fim das contas, Code Violet pode virar um caso de redenção ou um bom motivo para não confiar no mesmo estúdio duas vezes. A sequência está garantida, então a chance de flop por desconfiança também existe. Redenção não vem de tweet. Ela vem de produto, transparência e respeito por quem confiou no estúdio.
Ainda assim, vale a cautela. Se você comprou Code Violet por nostalgia de Dino Crisis, espere provas, não promessas. Dessa vez, uma Demo precisará chegar antes do lançamento de Code UltraViolet.















