Shrek
Shrek/Trailer - Imagem: Sony Pictures Entertainment

Shrek (2001) reinventa o conto de fadas clássico ao colocar no centro da narrativa um herói improvável: um ogro antissocial que só deseja viver em paz no próprio pântano. A tranquilidade de Shrek é interrompida quando criaturas mágicas, exiladas pelo autoritário Lorde Farquaad, invadem seu território. Decidido a recuperar sua solidão, ele parte até Duloc para confrontar o governante, sendo acompanhado à força por um Burro falante tão carismático quanto inconveniente.

Paralelamente, Farquaad descobre que precisa se casar com uma princesa para legitimar seu poder. Ele escolhe Fiona, aprisionada em um castelo guardado por um dragão, mas prefere delegar o resgate. Shrek vence um torneio organizado pelo lorde e aceita a missão em troca da retirada das criaturas do pântano. 

Durante o caminho de volta, Shrek e Fiona criam uma conexão sincera. Ambos carregam feridas causadas pelo julgamento alheio, embora Fiona esconde um segredo: à noite, ela se transforma em ogra devido a uma maldição que só pode ser quebrada pelo beijo do verdadeiro amor. Um mal-entendido afasta Shrek, que acredita ter sido rejeitado por quem ele é, levando Fiona a aceitar o casamento com Farquaad.

No clímax, Shrek confronta seus medos, interrompe a cerimônia e declara seus sentimentos. A revelação da verdadeira forma de Fiona expõe a hipocrisia do vilão, que é derrotado de forma irônica. O beijo do amor verdadeiro quebra a maldição, não para tornar Fiona humana, mas para confirmar que sua verdadeira forma é a de ogra.

Ao final, Shrek celebra o amor fora dos padrões, a empatia e a aceitação, usando humor ácido e referências culturais para questionar a superficialidade dos contos de fadas tradicionais. É uma fábula moderna sobre enxergar além das aparências e reconhecer valor onde ninguém espera encontrar.

Direção de Shrek

Shrek foi dirigido por dois diretores, Andrew Adamson e Vicky Jenson, que até então não tinham um portfólio em direção de longas metragens. Entretanto, Andrew Adamson e Vicky Jenson já tinham experiência em animação antes de Shrek. Ele atuava em efeitos visuais e projetos da DreamWorks; ela vinha da Disney, com forte atuação em storyboard e direção de sequência.

A identidade visual definida em Shrek, pela dupla, viria a se tornar um dos pontos mais marcantes e fortes de toda a saga. Nesse sentido, podemos destacar, o próprio visual do ogro com traços arredondados e suaves, com uma postura gestual grosseira. Desse modo, essa mistura tornou o personagem estilizado sem se distanciar da sua natureza original.

Além disso, a aparência dos personagens de Shrek foi criada por uma equipe de arte da DreamWorks, não por um único artista. Diversos concept artists participaram do processo, com destaque para Mike Ploog nos designs iniciais. O visual final foi ajustado para ser mais cartunesco e acessível, sob supervisão do estúdio.

Dessa forma, Shrek consolida uma identidade visual marcante a partir da união entre direção estreante, experiência técnica e trabalho coletivo. Dessa maneira, o impacto dessa construção foi reconhecido pela crítica, rendendo aos diretores prêmios importantes, como o Annie Award de Melhor Direção em Animação, além do Oscar de Melhor Filme de Animação, reforçando o valor artístico e cultural da obra.

Em que foi baseado Shrek?

A princípio, Shrek foi baseado em um livro infanto juvenil escrito pelo autor William Steig. Essa obra foi publicada em 1990 e apresenta um tom mais estilizado, e tem uma trama muito mais simples se comparado com sua adaptação. O livro “Shrek!”, não foi popular, mas teve reconhecimento crítico. Recebeu o Caldecott Honor em 1991, importante prêmio de literatura infantil. Era valorizado pelo humor subversivo e ilustrações expressivas. O filme foi, majoritariamente, responsável por transformar Shrek em fenômeno cultural.

O livro além de ser simples, não apresenta uma proposta clara, nem profundidade, então por que adaptar uma obra dessas? Katzenberg, o cofundador da DreamWorks, afirmou que Shrek foi um projeto diferente de tudo que já tinham tentado e que ele “virava os contos de fadas tradicionais ao avesso”, oferecendo um novo olhar sobre o gênero, algo arriscado, mas que acabou dando muito certo. 

O potencial para explorar e satirizar as maiores referências dos contos clássicos deu margem para os roteiristas incluírem e adotarem diversas coisas dentro do filme, alguns elementos até divergem um pouco da obra original, falaremos disso mais no tópico seguinte.

Diferenças entre o livro e o filme

Embora compartilhem o mesmo ponto de partida, o livro Shrek! e sua adaptação cinematográfica apresenta diferenças significativas em narrativa, personagens e abordagem temática, refletindo as transformações necessárias para ampliar uma fábula simples ao formato de longa-metragem. Algumas das principais diferenças entre o filme e o livro incluem:

Bafo de Dragão: No livro, um dos maiores trunfos do ogro verde era, entre tantas habilidades, cuspir fogo. No filme, isso é apenas referenciado quando Shrek bebe e logo depois arrota em uma tocha fazendo o fogo se espalhar.

A Princesa Perdida: No livro, Shrek busca por uma princesa, mas essa mulher não é uma ogra. Ainda sim ela se destacava por ser tão feia quanto o próprio ogro. No filme, ela tem uma maldição que muda sua forma alternando entre ogro de noite e humana de dia.

O Lord do perverso: Não. No livro Shrek! (1990) não existe um “lorde do mal” ou vilão equivalente a Lord Farquaad. A história não apresenta um antagonista definido. Os conflitos são episódicos e simples, sem uma figura de poder ou opressão. Lord Farquaad é uma criação exclusiva do filme, pensada para estruturar a narrativa e a crítica social.

Dessa forma, as diferenças entre livro e filme evidenciam como a adaptação expandiu uma narrativa simples em uma obra mais complexa e simbólica. Ao adicionar conflitos, personagens aprofundados e crítica social, o filme ressignifica o material original, tornando Shrek uma fábula contemporânea com maior impacto cultural.

Orçamento e bilheteria

Shrek alcançou uma bilheteria de US$ 484 milhões nas bilheterias mundiais. O desempenho sólido impulsionou a DreamWorks Animation ao topo do mercado e gerou uma franquia com várias sequências, tornando Shrek uma das séries animadas mais lucrativas. Shrek, foi lançado em 2001, sendo o sexto filme da DreamWorks, que bateu recorde de bilheteria, alcançando a maior bilheteria da produtora até aquele ano.

Para ser produzida, a DreamWorks desembolsou um orçamento estimado em US$ 60 milhões. Houve vários filmes animados lançados em 2001, os mais populares são: A Viagem de Chihiro, Atlantis: O Reino Perdido, e Monstros S.A. Shrek um dos filmes com maior sucesso comercial feito nos EUA naquele ano.

Assim, Shrek destacou-se não apenas pelo sucesso comercial, mas pela eficiência econômica, consolidando a DreamWorks como grande força da animação ao unir baixo custo relativo e alto retorno financeiro.

Crítica

A recepção crítica de Shrek foi amplamente positiva, destacando seu humor inteligente, a sátira aos contos de fadas e as múltiplas camadas de leitura. Apesar de pequenas ressalvas visuais, o filme foi visto como inovador, tornando-se um marco da animação e vencendo o primeiro Oscar de Melhor Animação.

A recepção do público sobre essa adaptação está refletida em grandes portais de crítica. Por exemplo, no IMDB Shrek alcançou 7.9/10 estrelas em uma impressionante escala de 801 mil classificações. No Rotten Tomatoes, essa animação alcançou 90% de aprovação por parte do grande público, resultado de mais de 250 mil votos.

Dessa forma, a combinação entre aprovação crítica e forte aceitação do público confirma Shrek como uma obra bem-sucedida tanto artisticamente quanto comercialmente, consolidando seu impacto duradouro no cinema de animação.

Trilha sonora de Shrek

Um dos pontos mais interessantes de Shrek, é a trilha sonora cheia de personalidade e ousadia. As músicas presentes nessa animação se dividem em duas categorias, músicas populares e trilha sonora original. Porém todas as faixas possuem algo em comum, que é expressar um um tom de irreverência, e reforçar a atmosfera medieval e fantasiosa dos contos de fada clássicos.

Podemos começar destacando “Fairytale” destaca-se pela melodia simples e memorável, clima etéreo e tom contemplativo. Sua orquestração suave e versátil remete ao imaginário dos contos de fadas. 

“Fairytale” tornou-se uma das faixas mais icônicas da DreamWorks, não por popularidade isolada, mas porque foi aproveitada como base musical institucional do estúdio. Nos anos seguintes, variações do tema passaram a acompanhar o logotipo da DreamWorks em diversos filmes, mesmo sem relação com Shrek.

Dessa forma, a trilha sonora de Shrek equilibra com eficiência a partitura original e as músicas populares, como “All Star”, que reforçam o humor e a contemporaneidade do filme. Essa combinação ousada amplia o alcance emocional da narrativa e contribui decisivamente para a identidade cultural e sonora da animação.

Conclusão

“Shrek” foi decisivo para a DreamWorks Animation ao consolidar o estúdio no mercado, garantir estabilidade financeira e criar sua primeira grande franquia. O filme também definiu uma identidade satírica própria, diferenciando-se da Disney e da Pixar, além de render reconhecimento crítico com o Oscar de Melhor Animação.

Porém, esse filme vai muito além de um simples sucesso comercial, nos convidando a olhar para o próximo não com uma visão superficial mas sim com profundidade. A principal lição de Shrek é compreender que o outro carrega uma complexidade que vai além da aparência. O filme propõe um olhar mais empático, mostrando que o valor de alguém não está no que é visível, mas naquilo que se revela quando o preconceito é superado. 

Nos dias de hoje, as pessoas costumam julgar umas às outras com ideias preconcebidas de natureza política, social, ou filosófica se limitando apenas ao que já conhecem. Podemos concluir que essa adaptação é atemporal, divertida, e inteligente que proporciona uma experiência única. Até a próxima!

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