Frankenstein
Frankenstein/Trailer - Imagem: Netflix

Frankenstein, estruturada em dois grandes pontos de vista: o de Victor e o da Criatura. Em 1857, o navio dinamarquês Horisont fica preso no gelo do Ártico. A tripulação resgata Victor Frankenstein, gravemente ferido, e é atacada por uma criatura que exige sua entrega. Após a criatura ser lançada ao mar, Victor começa a relatar sua história ao capitão Anderson.

Na juventude, Victor cresce marcado pela morte da mãe no parto e pelo favoritismo do pai aristocrata em relação ao irmão mais novo, William. Ressentido e emocionalmente reprimido, ele se torna um cirurgião brilhante e arrogante, obcecado em vencer a morte. Expulso do Royal College of Surgeons por práticas consideradas sacrílegas, Victor recebe apoio financeiro do comerciante de armas Henrich Harlander.

Pressionado por Harlander, Victor cria um corpo a partir de restos humanos. O financiador revela então sua verdadeira intenção: transferir seu cérebro para a criatura. Após a morte acidental de Harlander, o experimento parece fracassar, mas a criatura desperta no dia seguinte. Victor tenta destruir seu erro incendiando o laboratório, mas a criatura sobrevive e Victor perde uma perna na explosão.

A narrativa então passa para o ponto de vista da Criatura, que se refugia em uma fazenda e ajuda secretamente uma família, sendo chamada de “Espírito da Floresta”. Ela aprende a falar e ler com um patriarca cego, mas é violentamente rejeitada pela família. Consciente de sua imortalidade e solidão, a Criatura confronta Victor, exigindo uma companheira. A recusa resulta em uma sucessão de mortes acidentais e culposas, incluindo Elizabeth e William.

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No desfecho, Victor persegue a criatura até o Ártico. Ambos se reconciliam como “pai” e “filho” antes da morte de Victor. A criatura, sozinha, liberta o navio do gelo e caminha em direção à luz do sol, encerrando a história com um tom de redenção melancólica.

Diretor de Frankenstein

O diretor de Frankenstein lançado em 2025 é Guillermo del Toro. A identidade visual do cineasta é marcada por um visual gótico e artesanal, com monstros empáticos, paleta simbólica, cenários densos e atmosfera melancólica, tratando o fantástico como fábula trágica e profundamente humana. Exemplos que ilustram bem essa estética peculiar de Del Toro inclui: “O Labirinto do Fauno”, “A Colina Escarlate”, e “Pinocchio”

Em Frankenstein, os cenários são permeados por valores escuros com bastante contraste, e riqueza de cores. Por exemplo, no início do filme o monstro criado por Victor desloca uma embarcação, destruindo todo o gelo com tom esverdeado iluminado por uma luz difusa da tarde. Além disso, a ambientação dessa adaptação se mostra detalhada e bela, baseado no período vitoriano, mas com uma atmosfera bem sombria.

Outro elemento muito interessante nessa obra é a maquiagem, para ilustrar melhor isso podemos destacar o momento em que Victor apresenta um teor humano dilacerado. Nessa cena podemos ver cada detalhe da peça como coluna, nervos, e costelas. 

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O filme também se divide em capítulos remetendo a romances literários. Essa estrutura cria ritmo contemplativo, valoriza reflexões morais e afasta o filme da narrativa comercial tradicional, aproximando-o de uma tragédia filosófica.

O boneco mecatrônico, a maquiagem do monstro de Frankenstein, a caracterização dos personagens reforça ainda mais o compromisso de Del Toro com os clássicos efeitos práticos. Todos esses elementos, executados caprichosamente pelo cineasta, tornam Frankenstein um forte concorrente nas categorias de melhor maquiagem e melhor efeitos visuais na cerimônia do Oscar de 2026, o que seria uma conquista bem merecida.

Em que foi baseado esse filme?

Frankenstein (2025), de Guillermo del Toro, é baseado no romance gótico “Frankenstein ou o Prometeu Moderno” (1818), de Mary Shelley. A adaptação preserva os temas centrais de criação, ambição científica e tragédia humana, reinterpretados sob a visão estética e emocional característica do diretor. O terror é mais emocional e existencial do que gráfico.

Frankenstein não recebeu prêmios literários em seu lançamento, pois esse tipo de premiação quase não existia no início do século XIX. Seu reconhecimento veio depois, ao se tornar um clássico da literatura gótica e um marco fundamental da ficção científica.

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Diferenças entre o filme e o livro

Algo comum em uma adaptação cinematográfica é modificar, subtrair, ou acrescentar elementos que divergem da obra original, com o intuito de construir uma narrativa mais interessante. Porém, nem sempre isso faz sentido, um exemplo disso é a relação entre Victor com seu pai. No filme, Baron Leopold, o pai de Victor é retratado como opressor, frio e sombrio. No livro ele é afetuoso, ético, e protetor. Algumas das outras diferenças entre o filme e o livro incluem:

A baronesa escarlate: No livro Frankenstein (1818), Carolina Beaufort Frankenstein morreu de escarlatina (febre escarlate). Ela contraiu a doença ao cuidar de Elizabeth, que estava doente, e acaba falecendo pouco depois. No filme, a mãe de Victor morreu por complicações no parto de seu segundo filho.

No livro, Elizabeth simboliza pureza, afeto e equilíbrio moral, funcionando como contraponto à obsessão de Victor. Nessa adaptação, ela é mais ambígua e curiosa pelo proibido, embora não traia o irmão de Victor, reflete tensões emocionais e psicológicas, tanto com Victor quanto com a criatura..

No livro, Victor não incendeia o local de criação do monstro; o conflito é psicológico e moral. No filme, o incêndio simboliza culpa e desespero, transformando o colapso interno do personagem em ação visual dramática, típica da linguagem cinematográfica.

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Embora algumas escolhas ampliem o impacto cinematográfico, elas também reorientam o sentido moral da obra, afastando-se da proposta original de Mary Shelley e evidenciando as tensões inevitáveis entre fidelidade literária e linguagem do cinema.

Comparação com outras versões

Frankenstein, em essência, apresenta uma história marcante e reflexões profundas. Esse romance marcou a literatura e o cinema grandemente, tanto que é difícil não ter um amigo que tenha familiaridade com esse personagem: Sendo uma história tão popular, várias tentativas de adaptá-lo para o cinema foram feitas. As adaptações mais populares desse filme incluem:

Frankenstein (1931) – James Whale: Essa versão definiu o imaginário popular da criatura (visual, postura, tragédia). Transformou o romance filosófico em ícone do cinema de terror clássico. Essa versão eternizou a famosa frase “Está vivo”.

Frankenstein Must Be Destroyed (1969) – Terense Finsher: Nessa adaptação o diretor tentou reforçar o lado amoral e obsessivo do cientista, deslocando o foco do monstro para a monstruosidade humana, se aproximando ainda mais da obra original.

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Mary Shelley’s Frankenstein (1994) – Kenneth Branagh: Frankenstein (1994), se mostrou, até aquele momento, como a tentativa mais ambiciosa de fidelidade ao livro, enfatizando o drama emocional, a culpa e a relação criador–criatura. Essa adaptação ganhou vários prêmios e indicações, entre elas uma indicação na categoria de melhor maquiagem no Oscar.

Frankenstein é uma obra marcante que influenciou profundamente a literatura e o cinema. Suas adaptações mais relevantes redefiniram o imaginário da criatura, exploraram a monstruosidade humana e buscaram fidelidade emocional ao romance original, com destaque para as versões de 1931, 1969 e 1994.

Crítica

Frankenstein teve uma ótima recepção crítica, sendo elogiada principalmente pela ambientação, caracterização dos personagens, e cinematografia. Esses elementos resultaram em uma estética genuína do diretor. Podemos ver o reflexo disso em grandes portais do IMDB onde o filme alcançou 7.5/10 em uma escala de 248 mil. O roteiro escrito por Guillermo Del Toro também é um ponto bem forte, marcado por diálogos. Adota um tom quase operístico, mais próximo de tragédia clássica do que de drama realista.

Em síntese, Frankenstein consolida-se como uma adaptação autoral e ambiciosa, que privilegia atmosfera, simbolismo e intensidade dramática. Mesmo com excessos retóricos, o filme se destaca por sua identidade estética e narrativa, reafirmando a força do cinema de Del Toro ao reinterpretar um clássico.

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Trilha sonora de Frankenstein

A trilha sonora de Frankenstein, composta por Alexandre Desplat, está cheia de faixas interessante. Desplat, é um compositor muito bem conceituado na indústria cinematográfica. Algumas das obras populares para a qual o músico já contribuiu incluem: “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “A Bússola de Ouro”, e “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”. 

Com 37 faixas, a trilha sonora é orquestral e tocante, mesclando temas góticos e melodias intensas, além de variações que seguem o arco dramático de Victor e da criatura. Por exemplo, a faixa “Frankenstein” ilustra bem as melodias inquietantes, que evocam estranheza através de notas profundas. A violinista norueguesa Eldbjørg Hemsing apresenta muitos desses temas, cuja performance destaca a vulnerabilidade, a humanidade e a profundidade do monstro e de momentos cruciais do filme.

Conclusão

Diferenças entre o filme e o livro como a relação entre pai e filho, nesse caso, tirou um pouco da gravidade das ações de Victor em transgredir a ética para criar um ser vivo. Perceba que no livro, não havia motivos para Victor ir contra as leis da natureza além de sua ambição doentia. Por outro lado, no filme o diretor formulou uma série de eventos que justifica as ações de Victor, como a morte trágica da sua mãe, e a revolta contra seu pai.

Apesar de diferenças pontuais com relação à obra original, Frankenstein dirigido por Guillermo Del Toro, é a versão cinematográfica que representa grandiosamente o drama entre o desejo pelo abominável e o arrependimento de alcançá-lo. No final do filme, Victor, entre desastres e amores, aprende a se arrepender, e a sua criação aprende a perdoar. O monstro de Frankenstein se liberta das amarguras no leito de morte do pai, e em um tom de redenção olha o nascer, uma das primeiras coisas que lhe assustou quando nasceu, agora como um símbolo de esperança

Esse desfecho reforça um tom de redenção e esperança raro nas adaptações de Frankenstein. Ao permitir que a Criatura contemple o pôr do sol e sorria, o filme desloca o foco da punição para a libertação emocional, encerrando a narrativa não no horror, mas na possibilidade de reconciliação, humanidade e continuidade da vida. Até a próxima!

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