PS2Recomp: Conheça o projeto brasileiro que quer rodar jogos de PS2 no PC

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PS2Recomp apareceu como uma promessa quase proibida de tão boa! Já pensou se fosse possivel jogar PlayStation 2 no PC sem precisar de emuladores complicados?

Pois é, o PS2Recomp é um projeto open source de um desenvolvedor brasileiro conhecido como “ran-j” que usa recompilação estática. Ele basicamente tenta transformar a linguagem de programação do PS2 em código C++ compilável em PCs comuns.

Ou seja, em vez de desenvolver emuladores mais eficientes e precisos, a comunidade passa a criar ports nativos, para cada jogo.

No entanto, o próprio autor já avisa que o projeto ainda é experimental e não funciona como deveria em todos os cenários. Mesmo assim, já chama a atenção pela proposta ambiciosa.

O que é PS2Recomp?

O PlayStation 2 roda programas no formato ELF, já que usa um processador RISC superescalar bidirecional MIPS R5900.

PS2Recomp - Playstation 2

Emuladores como o PCSX2 interpretam e traduzem esse conjunto de instruções imitando uma máquina virtual.

Já o PS2Recomp trabalha antes do jogo rodar. Ele lê o ELF, extrai funções e símbolos, resolve realocações e overlays, e converte as instruções do R5900 para C++. A tradução costuma ser literal, com cada instrução virando uma operação equivalente no código gerado.

Depois, entra a segunda peça: o runtime. Esse runtime precisa oferecer o “chão” que o jogo espera. Ele gerencia memória, lida com chamadas de sistema e cria pontes para recursos do PS2. O repositório inclui uma base de runtime, mas ela não resolve tudo sozinha.

Ainda assim, a ferramenta já entrega recursos promissores. Ela usa arquivos TOML, gera saída em um ou vários arquivos, e aceita stubs e skips. Em outras palavras, você consegue dizer: “essa função eu vou simular” ou “essa rotina eu vou ignorar por enquanto”.

Ok, mas não seria o mesmo que emulação?

Não, nada a ver! Emulação tradicional tenta reproduzir o console inteiro virtualmente, inclusive peculiaridades de hardware que os jogos exploram.

Imitar uma máquina ou console virtualmente oferece compatibilidade ampla, porém cobra um preço. Você precisa de CPU forte, ajustes finos e, às vezes, paciência com glitches e inconsistências na performance. Em termos leigos é como tentar apertar um parafuso com uma ferramenta improvisada ou até mesmo com a própria mão.

Um port por recompilação estática ja é outro universo. A técnica consiste em gerar um executável que conversa com o hardware do PC como um software programado para aquela arquitetura.

Por isso, PS2Recomp desperta tanta curiosidade. Um port nativo poderia abrir espaço para explorar resoluções altas, efeitos, taxas de quadros mais altas, mods mais profundos, correções específicas e remasterizações.

Além disso, um código gerado permite depuração mais direta, o que ajuda a entender falhas. No entanto, essa vantagem vem com um custo óbvio: não existe botão mágico. Cada jogo precisa de retrabalho – e alguns jogos vão dar mais trabalho que outros. Tudo depende de quanta “mágica” foi feita no desenvolvimento do jogo original. O quanto das particularidades do hardware os desenvolvedores exploraram.

Os limites do projeto

Emotion Engine - PlayStation 2 (SCPH-70000) - Imagem Yaca2671 - Wikipedia
Emotion Engine – PlayStation 2 (SCPH-70000) – Imagem Yaca2671 – Wikipedia

Aqui entra a parte menos glamourosa, que não podemos deixar de comentar.

Os jogos do PS2 não dependem só de CPU pra executar tudo. O console em si tem unidades vetoriais (VU0 e VU1) e o Graphics Synthesizer, uma GPU com um jeito próprio de renderizar os gráficos.

O PS2Recomp lista VU0 em modo macro, mas admite suporte limitado ao microcódigo do VU1. Ele também aponta que o Graphics Synthesizer e outros componentes exigem implementação externa. Ou seja, alguém precisa reescrever a camada gráfica, além de áudio, entrada e I/O, para cada port ficar decente.

O lado “PC” também impõe requisitos. O projeto pede CMake 3.20+, um compilador compatível com C++20 e suporte a SSE4 ou AVX para operações de 128 bits. Isso deixa claro o público-alvo inicialmente falando: Desenvolvedores, técnicos entusiastas e gente que curte engenharia reversa.

Portanto, se você só quer dar dois cliques e jogar, PS2Recomp não vai ser pra já. Se olharmos para os melhores emuladores do mercado, rapidamente nos damos conta de que eles levaram mais de uma década para atingirem o grau de compatibilidade e precisão. Contudo, os avanços em ferramentas de programação e suporte de Inteligência Artificial pode encurtar décadas em anos.

Vale a pena ficar de olho

PS2Recomp no Github

Mesmo no começo, PS2Recomp toca no ponto da preservação dos jogos antigos. O PlayStation 2 tem uma das maiores biblioteca e continua relevante culturalmente. Emuladores já fazem um trabalho muito competente, mas eles não garantem perfeição.

Além disso, alguns jogos sempre pedem configurações muito específicas, e isso cansa quem é mais casual. Um port nativo bem feito pode virar a melhor forma de manter um clássico vivo, principalmente quando empresas não relançam nada.

Também existe o efeito comunidade. Projetos de recompilação em outras plataformas mostraram que ferramentas certas aceleram ports feitos por fãs. O PS2Recomp deve tentar trazer esse espírito para um console notoriamente complexo.

Então, se o projeto amadurecer, ele pode gerar ports com melhorias modernas de controles e qualidade gráfica em geral. E mesmo que só alguns títulos cheguem lá, cada conquista ensina sobre o PS2 e inspira novas soluções. Ainda assim, a comunidade precisa de calma, porque a curva de dificuldade é aparentemente brutal.

Se você curtiu o conceito do projeto, você pode acompanhar o PS2Recomp pelo GitHub do projeto. Lá, o autor descreve o fluxo de build, o formato de configuração e as limitações atuais.

Até o momento, o repositório não lista releases publicadas, então a ferramenta vive em evolução. Nossa dica é tratar isso como laboratório, não como produto a ser lançado. A chance de sucesso existe, mas ela depende de contribuições, testes e muito ajuste manual. Ainda assim, com organização, a comunidade pode avançar mais rápido.

No final das contas, para quem ama o PlayStation 2, o PS2Recomp já é um daqueles experimentos que merecem uma moral.

Curtiu a ideia do PS2Recomp? Então salva essa matéria, compartilha com aquele amigo retrogamer e acompanha o projeto dos caras – porque esse experimento pode virar uma grande revolução.

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