To the Wilder: Como Woodkid Transformou a trilha sonora de Death Stranding 2

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Ainda ouvindo Woodkid depois de zerar Death Stranding 2? Você não está só… E essa sensação não é por acaso.

Se você acabou de terminar Death Stranding 2: On the Beach, é bem provável que ainda esteja com as músicas do jogo grudadas na cabeça. Mesmo depois de desligar o PlayStation 5, faixas como “To the Wilder” e “Any Love of Any Kind” continuam ecoando na mente – como se a jornada de Sam Porter Bridges ainda estivesse viva dentro de você.

Essa sensação não é por acaso. A trilha sonora do jogo é parte essencial da experiência. Ela guia emoções, fortalece a narrativa e transforma cada momento em algo inesquecível. No centro disso tudo está Woodkid, o artista francês responsável por composições que misturam grandiosidade cinematográfica e delicadeza emocional.

Mas afinal, quem é ele? De onde vem esse som tão único que marcou o jogo de forma tão profunda? Neste artigo, você vai conhecer a trajetória de Woodkid, entender seu estilo musical e descobrir como sua colaboração com Hideo Kojima ajudou a elevar Death Stranding 2 a um novo patamar narrativo.

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Quem é Woodkid?

Yoann Lemoine
Yoann Lemoine

Da ilustração à sinfonia digital – Woodkid é o alter ego musical de Yoann Lemoine, artista francês multifacetado nascido em 1983, em Lyon. Antes de conquistar ouvintes com suas composições épicas, ele já chamava atenção como ilustrador e diretor de videoclipes.

Seu início foi nas artes visuais. Estudou animação na tradicional Émile Cohl School e depois aprimorou suas técnicas na Inglaterra. Ali, mergulhou na linguagem visual e simbólica que ainda hoje define sua música.

Lemoine ganhou notoriedade na música não apenas pelos sons que cria, mas pelas imagens que esses sons evocam. Dirigiu clipes icônicos como “Teenage Dream” (Katy Perry), “Born to Die” (Lana Del Rey) e “Take Care” (Drake e Rihanna). Todos carregam uma estética cinematográfica, intensa e emocional.

Seu projeto musical solo começou com o EP Iron, lançado em 2011. A sonoridade mesclava baroque pop, música clássica e batidas tribais, sempre envoltas por uma narrativa quase mitológica. Com o álbum The Golden Age (2013), ele mostrou ao mundo sua habilidade de compor trilhas que contam histórias mesmo sem letras.

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Entre metais imponentes e cordas arrepiantes, Woodkid se tornou referência em música visual. A cada faixa, ele constrói não só uma melodia, mas um universo inteiro. Essa habilidade, anos depois, se encaixaria perfeitamente no mundo melancólico e ambicioso de Death Stranding.

A linguagem sonora de Woodkid

Entre o épico e o íntimo – Ouvir uma música de Woodkid é como assistir a um filme ainda não filmado. As imagens ainda não existem, mas vibram dentro de cada melodia. Seu estilo combina, de forma poderosa, orquestrações grandiosas, batidas minimalistas e uma produção carregada de emoção. Tudo isso com um tom constante de urgência poética.

Ao longo da carreira, o artista desenvolveu uma assinatura única. Cordas dramáticas, percussão tribal e metais heroicos se entrelaçam com uma narrativa implícita em cada compasso.

Suas músicas não se contentam em soar bem – pelo contrário, elas evocam paisagens, atmosferas e estados de espírito.

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Faixas como “Run Boy Run” e “Iron” funcionam como rituais sonoros. Elas nos puxam, com força, para dentro de mundos que parecem maiores do que a própria vida.

Woodkid – Run Boy Run conta com mais de 139 milhões de views no Youtube

Esse estilo não surgiu por acaso. Woodkid traz consigo a bagagem de um diretor. Ele idealiza todo um enredo visual antes de começar a compor a melodia. E compõe como quem dirige uma cena. Pensando no ritmo, no impacto emocional, no enquadramento e até na “luz sonora”. Por isso, suas músicas dialogam tão bem com narrativas visuais.

Seja no cinema, em séries ou, mais recentemente, nos videogames, sua linguagem sonora se adapta com naturalidade.

Além disso, seus álbuns anteriores já exploravam temas como transformação, solidão, infância e conflitos internos. Esses elementos, por sua vez, conversam diretamente com a mitologia emocional de Death Stranding. A música de Woodkid, portanto, se encaixa como uma extensão natural daquele universo – tenso, poético e profundamente humano.

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Não se trata apenas de uma trilha sonora bonita. Trata-se de uma música que respira junto com o personagem. Em Death Stranding 2, essa sinergia atinge seu ápice. O som não só embala a jornada, como também responde a ela, em tempo real.

Death Stranding 2: On the beach

Quando Hideo Kojima anunciou que Woodkid assinaria a trilha sonora de Death Stranding 2: On the Beach, a notícia imediatamente despertou curiosidade.

Para os fãs mais assíduos, também trouxe entusiasmo. Afinal, Kojima sempre tratou a música com reverência quase sagrada. Portanto, ao convidar um artista com a carga emocional de Woodkid, ele sinalizou algo realmente grandioso.

Essa expectativa se confirmou com o lançamento de “To the Wilder”, em março de 2025, no trailer de pré-venda do jogo. Desde o primeiro acorde, a faixa se destacou pelo contraste entre melancolia serena e força crescente. Era como se a música estivesse sempre prestes a desabar – ou, talvez, a libertar.

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Bastidores da Trilha sonora da Death Stranding 2 - Woodkid To the wilder
Bastidores da Trilha Sonora da Death Stranding 2 – Woodkid

Além disso, ela revelou algo essencial sobre o protagonista: fragilidade e resiliência coexistem em cada etapa da jornada.

Trilha sonora procedural poderosa

No entanto, a experiência vai muito além da trilha isolada. Em colaboração com Kojima, Woodkid desenvolveu não apenas um álbum, mas um sistema musical integrado ao próprio jogo.

Yoann Lemoine (Woodkid) e Hideo Kojima
Yoann Lemoine (Woodkid) e Hideo Kojima

Em junho de 2025, o disco Woodkid for Death Stranding 2: On the Beach chegou às plataformas com 16 faixas. Ele inclui, por exemplo, versões alternativas, composições instrumentais e colaborações com artistas como Elle Fanning (que também atua no jogo e já havia um bom histórico de trabalho com Woodkid) e Bryce Dessner, do The National.

Mais importante ainda, a inovação central está no uso da música procedural. Nesse sistema, a trilha sonora se adapta em tempo real ao comportamento do jogador.

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Assim, conforme você anda, corre ou interage com o ambiente, os elementos musicais mudam organicamente. Piano, sintetizadores, percussão e cordas entram e saem com fluidez – como se a própria paisagem reagisse aos seus passos.

Durante uma entrevista à Rolling Stone, Woodkid revelou que Kojima refez partes do jogo após receber feedbacks excessivamente positivos dos game testers. Embora pareça uma decisão incomum, ela reflete a busca obsessiva por equilíbrio entre beleza e desconforto. Segundo o artista, esse contraste entre o popular e o radical é justamente o que faz a obra pulsar com tanta força.

Elle Fanning e Woodkid
Elle Fanning e Woodkid

Bem, agora você deve entender o porquê de Hideo Kojima ter feito o convite para Woodkid se juntar ao time. Como resultado, a trilha não apenas embala a experiência – ela acompanha o jogador como uma sombra viva. Em alguns momentos, conforta e em outros, inquieta. Em Death Stranding 2, a música não só compõe o ambiente. Ela se transforma em linguagem. E Woodkid se afirma, sem dúvidas, como seu tradutor mais sensível.

Repercussão de Woodkid

Desde o lançamento do trailer, a internet se encheu de comentários exaltando a música como um dos grandes destaques da experiência.

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Em fóruns como o Reddit e nas redes sociais, a trilha de Woodkid virou um dos assuntos mais comentados. Muitos jogadores disseram ter revivido cenas específicas apenas para ouvir aquela faixa novamente – como se o som tivesse o poder de eternizar certos momentos do gameplay.

Discussões no Reddit

O álbum completo, lançado em junho de 2025, rapidamente conquistou espaço nas principais playlists de trilhas de games, música instrumental e até música alternativa.

Algumas músicas de Woodkid ganharam destaque e logo começaram a circular em produções da comunidade. Muitos fãs usaram essas músicas em vídeos de homenagem, análises emocionadas no YouTube e até em montagens cinematográficas criadas para replicar a atmosfera única do jogo.

No entanto, o verdadeiro legado vai muito além dos números de streaming. Para muitos, Woodkid foi uma descoberta – ou, em vários casos, uma redescoberta.

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Quem zerou o jogo e ficou curioso sobre o compositor acabou explorando seus álbuns anteriores. Dessa forma, percebeu que sua linguagem visual e sonora já moldava narrativas intensas bem antes de sua estreia no universo dos games.

Além disso, sua colaboração com Kojima elevou a trilha sonora de Death Stranding 2 a um patamar digno das grandes obras do cinema. E isso não aconteceu por acaso. A música de Woodkid não atua como simples pano de fundo. Ela funciona como uma personagem viva – com voz, intenção e presença emocional constante.

Uma despedida para Low Roar

No universo desconectado e fraturado de Death Stranding 2, cada entrega carrega um peso simbólico. Além disso, cada silêncio pode esconder um abismo. Nesse cenário, a música surge como elo invisível entre jogador e mundo. Foi justamente nesse espaço que Woodkid encontrou seu lugar. Ele não atuou apenas como compositor, mas como tradutor sensorial da solidão, da resistência e da esperança.

No entanto, havia também uma sombra carregada de memória. O primeiro Death Stranding ficou marcado pelo trabalho de Low Roar, banda liderada por Ryan Karazija, cuja voz frágil e etérea se tornou inseparável da identidade emocional do jogo. Com sua morte em 2022, surgiu a dúvida: quem poderia dar continuidade a esse legado sem soar como um impostor?

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Ryan Karazija (Low Roar) e Hideo Kojima
Ryan Karazija (Low Roar) e Hideo Kojima

Woodkid entrou nesse espaço delicado com respeito e coragem. Ele não tentou apagar o que veio antes, mas prestou homenagem ao sensível trabalho de Low Roar. Ao mesmo tempo, assumiu a responsabilidade de expandir a linguagem musical da franquia, adicionando sua própria identidade sem quebrar a essência construída por Karazija.

É por isso que “Are You There” não funciona apenas como trilha de fundo. Ela soa como confissão, como prelúdio e também como despedida. É o tipo de música que entra sem pedir licença, ocupa espaço no peito e transforma pixels em sentimentos palpáveis.

Ao unir sua estética visual, sua carga emocional e seu domínio técnico ao projeto de Kojima, Woodkid elevou o padrão das trilhas em videogames. Além disso, abriu caminho para que a música continue sendo narrativa dentro da narrativa – algo que se vive tanto com os dedos quanto com o coração.

"O Mecânico" - Death Stranding 2
“O Mecânico” – Death Stranding 2

Quando os créditos sobem e a última nota ecoa, uma certeza permanece clara: Woodkid não compôs apenas para Death Stranding 2. Ele fez parte do jogo – e, ao mesmo tempo, manteve viva a memória de Low Roar.

Porque, no fundo, Death Stranding 2: on the beach também fala sobre isso: seguir em frente apesar do luto, carregando as ausências como parte da jornada.

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