A demo de Pragmata apareceu no meio do TGA 2025, na noite de 11 de dezembro, como daqueles anúncios que mudam a conversa na hora: não foi só trailer, porque a Capcom já liberou o download na Steam logo em seguida, convidando todo mundo a testar e tirar as próprias conclusões.
Nossas impressões
Demo de Pragmata foi aquele tipo de experiência que termina e te deixa com uma sensação esquisita: empolgação misturada com cautela.
A Capcom não está vendendo “mais um” jogo. Pelo contrário, ela parece querer construir um mundo com regras próprias, ritmo próprio e uma identidade que não pede licença para ser compreendida. E sim, isso é um elogio. Só que também é um aviso de cautela. Estamos falando de uma nova IP.
Um clima de sci-fi que não parece genérico

Logo de cara, a demo acerta no tom. O jogo apenas te contextualiza e já te pões em ação depois de uma cutscene que se mescla perfeitamente com o gameplay.
Existe uma frieza tecnológica no cenário, mas ela vem acompanhada de uma solidão que incomoda. Você sente que há algo errado, mesmo quando nada explode.
A direção de arte passa a impressão de que o jogo quer mais do que parecer bonito. Ela quer parecer “hi-tech”, como se o ambiente não tivesse sido feito para você – humano feito de carne e osso.
Além disso, ao menos na demo, a maior parte da narrativa não vem em cutscenes longas ou diálogos mastigados. Ela aparece nos detalhes do cenário, em documentos espalhados e em hologramas que funcionam como rastros de um mundo que já estava quebrado antes de você chegar. Com isso, o jogo te força a observar, ligar pontos e preencher lacunas, o que combina com o clima frio e solitário que ele tenta construir.
Ainda assim, a demo segura muito as informações. Ela entrega atmosfera, mas evita revelar muito sobre o antes e o depois. Por um lado, isso ajuda a criar mistério. Por outro, pode frustrar quem entra esperando uma apresentação da proposta narrativa mais direta.
Jogabilidade com identidade, mas que pede ajuste fino

O que mais chama atenção é a sensação de que a Capcom está tentando combinar coisas que normalmente não andam juntas.
A movimentação e a leitura de espaço lembram um jogo de ação mais “tático”, porém a cadência não é lenta. Ao mesmo tempo, o combate passa uma impressão de quebra-cabeça, como se você precisasse pensar alguns segundos antes de agir, em vez de só reagir.
Seu foco como jogador fica dividido entre resolver o mini puzzle de Hack e lidar com o combate fisicamente.
Quando funciona, é ótimo, porque você sente que está aprendendo um sistema. Entretanto, em alguns trechos, a demo parece indecisa entre te pressionar e te ensinar. Essa oscilação cria momentos em que você apanha não por erro, mas por falta de tempo. Nada irreparável, só aquele tipo de coisa que precisa de polimento. Tudo acontece muito rápido e, quando você vê, a demo já acabou.
Na real, essa demo parece mais um grande tutorial e um showcase dos gráficos. Que, aliás, são um ponto muito forte na experiência.
Parte técnica: a demo roda leve e mostra cuidado raro hoje em dia

A demo de Pragmata está disponível, por enquanto, apenas no PC, e isso já ajuda a entender o foco deste primeiro teste.
Nós rodamos a demo em um Ryzen 7 3800X com uma RTX 3060 Ti e 32 GB de RAM. Ainda assim, o que mais surpreendeu não foi o “rodar”, e sim a consistência. Em um cenário onde muitos lançamentos chegam quebrados, aqui a Capcom parece ter feito o dever de casa.
Além disso, a demo de Pragmata traz um pacote de tecnologias que vira praticamente um kit de sobrevivência para performance. Você encontra Ray-Trace, DLSS, FSR 3, Nvidia Reflex e Frame Generation, inclusive com opção de Frame Generator mesmo usando placa Nvidia, como foi o nosso caso.
O menu de configurações também ajuda muito, porque ele oferece um leque enorme de ajustes e deixa claro que o jogo quer se adaptar ao seu hardware, não o contrário.
No visual, a demo entrega aquele pedigree de nona geração, com boa definição, efeitos bem trabalhados e uma apresentação bem limpa. Em outras palavras, RE Engine em sua melhor forma.
Enquanto isso, o desempenho segurou firme: jogamos em Full HD, tudo no máximo, e a taxa de quadros ficou na maior parte do tempo acima de 80 fps sem Frame Generation ou DLSS/FSR. Com Frame Generation, ela subiu para a casa dos 120+ fps.
Por fim, a experiência ficou redonda em um monitor 144 Hz com FreeSync. Sem stuttering perceptível e sem aquela sensação de input lag que costuma rolar com gerador de frames ativado.
A Capcom parece estar mirando em “cult”, não um GOTY

Pragmata não tenta agradar todo mundo em cinco minutos. Ela tem personalidade, e isso merece respeito. Além disso, ela mostra uma ambição rara: construir um sci-fi que confia na própria estranheza. No entanto, ambição sem originalidade vira ruído, então o jogo vai precisar ser mais ousada nos seus sistemas e história para não perder o jogador no caminho.
No fim, a demo cumpre o papel dela: provocar. A pergunta que fica não é “isso é bom?”, e sim “isso vai se sustentar por um jogo inteiro?”.
Se a relação entre Hugh e Diana tiver o mesmo peso emocional de Joel e Ellie em The Last of Us, e se a Capcom equilibrar narrativa e ritmo de gameplay, a gente pode estar diante de uma das experiências mais diferentes do catálogo recente dela.
Pragmata já está em pré-venda e seu lançamento está programado para 24 e abril de 2026. Até lá muita coisa pode rolar.
Agora é com você: a demo de Pragmata te convenceu ou ainda ficou devendo explicações?


















