Waterworld: O Mistério das Águas foi um dos filmes mais caros já feitos até a época de seu lançamento, mas uma série de fatores fizeram com que a produção não atingisse as expectativas da crítica e tão pouco dos especialistas em cinema.

O longa distribuído pela Universal Pictures, enfrentou vários problemas nos bastidores, além de resenhas negativas, e uma receita bem abaixo do que era esperado pelo tamanho do investimento, se consolidando como um dos maiores fiascos da carreira do ator Kevin Coster.

Com opiniões normalmente polarizadas, Waterword não foi nada bem nas bilheterias, arrecadando cerca de US$ 264 milhões, com um orçamento considerado gigantesco para a época, na casa dos US$ 175 milhões.

Waterworld
Imagem: Waterworld/ Reprodução

O filme foi dirigido por Kevin Reynolds e escrito por David Twohy, com base em um roteiro original criado por Peter Rader em meados de 1986.

Contudo, Reynolds abandonou os sets de gravação, faltando apenas duas semanas para o término das filmagens (mas ainda aparece como diretor nos créditos), com Kevin Costner assumindo o posto de diretor, e finalizando a edição.

Peter Rader declarou ter ficado decepcionado com o tom que o filme tomou depois da saída do projeto, mas mesmo ele, admite que vários elementos usados por Reynolds e Costner na versão final, foram bem encaixados.

Waterworld: O Mistério das Águas foi lançado em 28 de julho de 1995, quatro anos depois de “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” de 1991, que se tornou um grande sucesso, sendo protagonizado por Costner e dirigido por Reynolds, que repetiram sua parceria.

O filme se passa em um futuro distante, provavelmente no século 31, numa época onde em decorrência do derretimento das calotas polares, toda a massa terrestre do planeta Terra foi coberta pelos mares.

Essa nova realidade fez com que os humanos sobreviventes fossem obrigados a se concentrar em grandes estruturas flutuantes, como navios e atóis artificiais, em um planeta sem leis ou fronteiras, assolado pelos violentos ataques dos Smokers.

Neste novo mundo existem mutantes, seres humanos geneticamente modificados, que nasceram adaptados ao convívio com a água, com guelras e membranas envolvendo os dedos dos pés.

A mudança ambiental também causou um imenso retrocesso nas áreas do conhecimento tecnológico, de forma que os seres humanos não sabem de onde vieram e acreditam que o mundo sempre foi assim.

Waterworld- O Segredo das Águas
Imagem: Waterworld- O Segredo das Águas/ Reprodução

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Contudo, existem lendas que falam sobre “Terra Seca”, um lugar onde o solo não foi encoberto pelas águas, e onde supostamente se encontrariam todos os tipos de riquezas.

A produção de Waterworld: O Segredo das Águas passou por diversos contratempos, sendo que um dos principais deles, foi quando um dos sets de filmagem, onde ficava a colônia de escravos, afundou no mar após uma grande tempestade, causando um imenso prejuízo.

A emissora norte-americana ABC, chegou a exibir uma versão estendida do longa, que continha 40 minutos a mais de cenas foram retiradas do corte final, por ordem do próprio Kevin Costner, depois da saída de Kevin Reynolds.

Estes trechos extras dão mais detalhes sobre o relacionamento entre os personagens Marinheiro e Helen, e ainda tem mais informações sobre a origem da misteriosa área conhecida como “Terra Seca“.

Além de Kevin Costner como Marinheiro, o elenco de Waterworld: O Segredo das Águas, ainda conta com os atores Dennis Hopper como Deacon, Jeanne Tripplehorn como Helen, Tina Majorino como Enola, Michael Jeter como Velho Gregor, Jack Black como piloto de avião dos Smokers, Kim Coates como Drifter #2.

Por que o filme foi considerado um fracasso na época do lançamento?

Depois de vários anos no “limbo”, novas notícias começaram a pairar sobre Waterworld: O Segredo das Águas, e mais recentemente o anúncio de uma série desenvolvida pela Universal Television para uma plataforma de streaming misteriosa.

Porém, como se explica o fato de depois de tantos anos, os olhos das produtoras estarem novamente se voltando para este universo, sendo que a obra foi tão rejeitada e atacada na época do lançamento?

Waterworld: O Segredo das Águas
Imagem: Waterworld- O Segredo das Águas/ Reprodução

Problemas com no decorrer do projeto existiram, mas o fato, é que houve uma forte campanha negativista em relação ao filme, que foi em parte, inflado pelas intercorrências enfrentadas durante a produção.

O aumento significativo dos custos, causado pela destruição de um set multimilionário por um furacão, além da batalha criativa entre Costner e Reynolds, que resultou na saída do diretor antes da edição ser finalizada, podem ser adicionados nesta lista.

Sem contar que a série de ótimos filmes protagonizados por Kevin Costner, que começou em 1987 com “Sem Saída” e “Os Intocáveis”, e teve sequência com “Sorte no Amor”,Dança com Lobos”, “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões” e “O Guarda-Costas”, havia dado seu último suspiro em 1993, com “Um Mundo Perfeito”.

Tanto “A Árvore dos Sonhos” de 1994, como“Wyatt Earp“, lançado no mesmo ano, foram considerados fracassos de público, onde nenhum deles conseguiu arrecadar o que era esperado pelos estúdios.

Além disso, a movimentação do cinema independente em Hollywood no início da década de 1990 e a visão de novos diretores, como Tarantino por exemplo, que faziam filmes emocionantes de baixo orçamento, que agradavam o público e a crítica, vinha na contra-mão dos blockbusters.

Embora Waterworld carregue uma essência mais interessante do que costuma ser lembrado, existem aspectos do filme que ficaram bastante datados.

Uma delas se trata da falta de diversidade, uma vez que o elenco é quase que inteiramente formado por atores brancos do sexo masculino.

Sem contar que tratamento que o filme oferece às personagens femininas não é muito melhor trazendo uma compreensão bastante limitada do que as presenças femininas podem oferecer para a trama.

Helen e Enola
Imagem: Helen e Enola/ Reprodução

Um exemplo disso, é a maneira como Helen e sua protegida Enola são tratadas como meras mercadorias, que sé estão no filme apenas para serem negociadas ou mantidas a salvo.

Todas as cenas em que as duas estão interagindo, são apenas para ressaltar o protagonismo do Marinheiro, que ainda por cima, chega a oferecer Helen como isca para os Smokers.

Apesar de ter sido indicado ao Oscar em 1996, na categoria de “Melhor Mixagem de Som” e ao Bafta, na categoria de “Melhores Efeitos Especiais”, o filme foi vencedor apenas no Framboesa de Ouro, na categoria “Pior Ator Coadjuvante” para Dennis Hopper.

Além disso, Waterworld: O Mistério das Águas ainda foi indicado nas categorias “Pior Filme”, “Pior Diretor” e “Pior Ator” para Kevin Costner.

Na época, a crítica não gostou nem um pouco do filme, dentre vários pontos negativos, os especialistas acharam arrastado demais, com roteiro ruim e a edição também não agradou.

Ao invés de Kevin Costner de reconhecer que tinha errado a mão, em partes, acusou os críticos e os jornalistas de boicotarem seu filme. Apesar de estar razoavelmente certo, as declarações do ator acabaram manchando seu relacionamento com a imprensa.

Sem contar o fato de que Waterworld é acusado por autoridades do cinema de plagiar o conceito de Mad Max, onde em vez de desertos de areia, o cenário pós-apocalíptico é composto por mares e oceanos.

Mad Max
Imagem: Mad Max/ Reprodução

Vários críticos e especialistas cinematográficos apontam ainda, que foi por conta deste filme que o declínio na carreira de Kevin Costner foi acentuado.

Waterworld nunca foi um fracasso

O roteirista do filme, Peter Rader, que criou todo o conceito futurista do derretimento das calotas polares, já declarou que na verdade, Waterworld é uma das clássicas produções de maior sucesso do catálogo da Universal Pictures.

Um exemplo disso é que a atração Waterworld: A Live Sea War Spectacular tem sido uma das maiores atrações nos parques temáticos da Universal Studios desde que foi inaugurada em Hollywood, semanas após o lançamento do filme.

Além disso, as apresentações baseadas no filme, são algumas das mais populares nas filiais em Cingapura e também no Japão, onde a performance já gerou uma receita bilionária para o estúdio.

O parque tem áreas dedicadas à Transformers, Harry Potter e Jurassic Park, sendo que todas elas são franquias com vários filmes lançados, enquanto Waterworld é apenas um único filme, e isso indica que o conceito tem muito potencial.

Atualmente, muitos críticos e especialistas em cinema, admitem que o filme não é tão ruim como foi dito na época de seu lançamento, sendo que tem algumas cenas emocionantes, além de fazer considerações importantes sobre ecologia, combustíveis fósseis e sustentabilidade.

Waterworld - O Segredo das Águas
Imagem: Waterworld – O Segredo das Águas/ Reprodução

Waterworld: O Mistério das Águas passou por reavaliações recentes, com a revista americana Forbes afirmando que o filme foi o “maior fracasso de bilheteria sem ter sido”, e o jornal britânico The Guardian o descrevendo como um “clássico cult em produção”.

Para quem não se lembra, o longa também chegou ao universo dos games, com jogos desenvolvidos para Super Nintendo, PC e Virtual Boy, além de um arcade lançado em 1995 pela Gottlieb Amusements.

Uma minissérie em quadrinhos contendo quatro edições intitulada “Waterworld: Children of Leviathan”, também foi lançada pela editora americana Acclaim Comics em 1997.

A HQ expande a possível causa para o derretimento das calotas polares e das inundações no planeta, e ainda introduz um novo vilão conhecido como Leviathan.

Os quadrinhos sugerem a possibilidade de que a mutação do Marinheiro não seja causada pela evolução natural, mas pela engenharia genética, e que suas origens possam estar ligadas às do monstro marinho Sea Eater.

O enredo de Waterworld

Waterworld: O Mistério das Águas se passa no século 31, onde graças ao derretimento das calotas polares, o planeta Terra foi completamente coberto por água.

Além de mudar o modo como as pessoas vivem, o alagamento foi responsável por uma grande perda do conhecimento tecnológico, de forma que os seres humanos não têm ideia de onde vieram e acreditam que o mundo sempre foi dessa forma.

No entanto, existem lendas sobre um lugar misterioso, mais conhecido como “Terra Seca”, onde supostamente se encontrariam todos os tipos de riquezas imagináveis.

Neste cenário, seguimos os passos do Marinheiro sem nome (Kevin Costner), um navegante solitário e errante, que vaga pelos mares abertos abordo da sua embarcação trimaran, cheia de parafernálias.

Um dia ele desembarca no Atol, onde uma espécie de “sociedade” se formou, com o intuito de comercializar sua terra, que nesse futuro distópico é considerada como um item raro e de grande valor.

Quando é questionado sobre a procedência do material, o Marinheiro recusa-se a responder, e os habitantes, em um ato de medo e desespero, decidem afoga-lo em um poço de salmoura de lodo.

Em certo ponto é revelado que o Marinheiro possui nadadeiras e guelras, que ao que tudo indica, sejam consequências de uma evolução para adaptar-se às mudanças ambientais.

Smokers
Imagem: Smokers/ Recepção

Contudo, antes do Marinheiro ser morto, um grupo de piratas conhecidos como “Smokers” invadem o Atol.

Eles procuram uma garota chamada Enola (Tina Majorino), que chegou à comunidade ainda bebê, em uma cesta, tendo desenhado em suas costas, o que eles acreditam ser um mapa com as coordenadas para a mítica Terra Seca.

Quando chegar em Terra Seca, Deacon, o líder dos Smokers, planeja construir uma cidade governada por ele, e para conseguir realizar seus planos, ele pretende capturar a garota.

Enola e sua guardiã Helen (Jeanne Tripplehorn) tentam escapar dos piratas, junto com o inventor Gregor, em seu balão movido à hidrogênio, mas a fuga infelizmente não ocorre como planejado.

As duas acabam sendo salvas pelo Marinheiro, que mesmo contrariado, concorda em ajudá-las. Na verdade, ele será o único capaz de mantê-las à salvo, e talvez um dia, conseguir encontrar o caminho para chegar em Terra Seca.

O contexto ideológico de Waterworld

Mesmo com toda a repercussão negativista sobre a sua qualidade cinematográfica, Waterworld: O Mistériodas Águas, o longa conseguiu causar um impacto positivo nas discussões sobre as mudanças climáticas.

Embora não seja mensionado explicitamente o aquecimento global como causa do alagamento da Terra, ele com certeza levanta essa questão no inconsciente do público, e passa a mensagem do que pode ocorrer no futuro se as medidas necessárias não forem tomadas há tempo.

Waterworld: O Segredo das Águas
Imagem: Waterworld- O Segredo das Águas/ Reprodução

Especialistas afirmam que, como um ótimo exemplo de ficção climática, Waterworld passa a ser ainda mais relevante nos dias de hoje, do que era na época em que foi lançado.

Segundo uma declaração do especialista em questões sobre água e clima, Peter Gleick, ao site BBC News, esse tipo de obra leva o público à refletir sobre o problema:

“Esses filmes nos oferecem pequenos lampejos do futuro. Por mais realistas que possam ser ou não, eles nos dão a oportunidade de refletir que talvez devêssemos fazer algo para impedir que essas coisas ruins aconteçam.”

Em 2019, o criador de Waterworld, Peter Rader, foi convidado para compor a primeira reunião que discutia sobre as Cidades Flutuantes Sustentáveis, ​​na sede da ONU, em Nova York, ao lado de uma equipe de especialistas renomados.

O programa UN-Habitat para assentamentos humanos, apresentou o conceito da primeira cidade flutuante sustentável, chamada OCEANIX City. Essa cidade é capaz de abrigar até 10 mil pessoas, e instalações desse tipo, ajudariam as regiões afetadas pelas mudanças climáticas.

O projeto foi idealizado pela empresa de arquitetura BIG, pela organização sem fins lucrativos OCEANIX, e pelo Centro de Engenharia Oceânica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

OCEANIX City
Imagem: OCEANIX City/ Divulgação

Uma maquete projetada pelo arquiteto dinamarquês, Bjarke Ingels, foi criada para a ocasião e colocada no meio da mesa. Peter Rader, como ele próprio declarou, não conseguia acreditar no que estava vendo:

“Parecia exatamente com o nosso atol de Waterworld… Foi uma satisfação imensa estar em uma sala em que os conceitos que eu criei três décadas atrás poderiam de fato nos ajudar”.

Kevin Costner foi tão impactado por Waterworld: O Mistério das Águas, que em 1995 adquiriu uma empresa do governo dos Estados Unidos, especializada em separar óleo da água, chamada Ocean Therapy Solutions, por US$ 24 milhões.

As máquinas desenvolvidas pela empresa foram de suma importância no acidente que causou o derramamento de óleo da plataforma Deepwater Horizon em 2010, no Golfo do México.

Atualmente, estudos indicam que a calota polar do mar Ártico, que desempenha um papel vital no controle climático do planeta Terra, pode desaparecer por completo, até meados de 2035.

Waterworld: O Mistério das Águas se encontra atualmente disponível no catálogo de filmes da plataforma de streaming Netflix.

E aí cinéfilo, o que achou de todas essas informações e curiosidades sobre Waterworld: O Mistério das Águas? Deixe sua opinião nos comentários e continue acompanhando as notícias e análises da equipe Proddigital POP.

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