Bloodborne no PS5 voltou a assombrar a comunidade PlayStation, mas não por causa de um anúncio oficial da Sony. Também não houve vazamento sobre nenhum remaster ou remake secreto nos bastidores. Desta vez, quem reacendeu a fogueira foi um mod rodando em um PlayStation 5 modificado.
A demonstração revela algo que os fãs suspeitam há anos. O clássico da FromSoftware poderia ganhar uma versão muito mais fluida e limpa no hardware atual. Além disso, o teste reforçou uma pergunta que nunca sai da cabeça da comunidade: por que Bloodborne ainda vive preso aos 30 FPS da retrocompatibilidade?
O que o mod de Bloodborne faz
Segundo testes apresentados pela Digital Foundry, o mod permite que Bloodborne use melhor a potência do PS5. Para isso, ele mantém os clocks máximos de CPU e GPU, além de liberar 4GB de memória extra que normalmente não fica disponível na retrocompatibilidade do PS4.
Como resultado, o jogo consegue rodar em 4K nativo a 30 FPS travados. Mais importante ainda, essa versão elimina os incômodos problemas de frame pacing que marcaram o lançamento original. Ou seja, mesmo sem aumentar a taxa de quadros nesse cenário, a experiência já fica mais estável.
A coisa fica ainda mais interessante conforme a resolução diminui. Por exemplo, em 1440p, com VRR e tela de 120 Hz, Bloodborne passa a rodar geralmente acima dos 60 FPS. Em alguns momentos, o jogo chega à faixa dos 70 FPS, o que reduz o input lag e melhora a resposta dos comandos.
Já em 1080p, o jogo pode superar a casa dos 100 FPS. Nesse modo, Bloodborne entrega uma fluidez inédita para uma versão de console. Assim, o caçador finalmente parece correr pelas ruas de Yharnam sem carregar as amarras da geração passada.
Afinal, estamos falando de um jogo lançado em 2015 e preso oficialmente aos 30 FPS até hoje. Por isso, a demonstração funciona quase como uma provocação técnica à própria Sony.
Por que Bloodborne ainda não recebeu uma atualização?
A criação de mod para Bloodborne no PS5 também escancara uma questão incômoda. Por que a Sony nunca lançou sequer um patch de desempenho como muitos estúdios fizeram? O jogo continua entre os exclusivos mais cultuados do PlayStation 4, mas segue tecnicamente abandonado no PS5.
Enquanto isso, títulos como God of War, The Last of Us Part II e Ghost of Tsushima receberam aprimoramentos, mesmo que via retrocompatibilidade. Bloodborne, por outro lado, permanece em um calabolso esquecido. E, no caso dele, a tranca parece mais burocrática do que técnica.
No entanto, a resposta talvez não dependa apenas da Sony. Relatos recentes indicam que a Bluepoint Games chegou a propor um remake de Bloodborne. O projeto teria feito sentido comercialmente, mas a FromSoftware não quis seguir adiante.
A teoria mais forte envolve Hidetaka Miyazaki, diretor do original. Segundo essa leitura, ele teria interesse em retrabalhar Bloodborne no futuro. Contudo, Miyazaki não queira que outro estúdio toque na obra.
Uma chance perdida junto com a Bluepoint
A Bluepoint parecia a candidata natural para tratar Bloodborne com peso técnico e cuidado visual. Isso torna tudo ainda mais frustrante. Afinal, o estúdio já tinha assinado os remakes de Shadow of the Colossus e Demon’s Souls.
Porém, a Sony fechou a Bluepoint Games recentemente. Com isso, uma das melhores chances de ver Yharnam renascer com visual moderno pode ter desaparecido. Para os fãs, fica aquela sensação amarga de porta aberta em uma sala vazia.
No fim, o mod não funciona apenas como curiosidade técnica. Ele também parece uma provocação. Bloodborne no PS5 não é um sonho impossível, nem desafio inalcançável de engenharia.
O hardware dá conta. A comunidade quer. Os modders já mostraram o caminho. Agora, falta alguém se propor a fazer isso de forma oficial.
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