Bright
Bright/Teaser - Imagem: Netflix

Em uma versão alternativa de Los Angeles, humanos convivem com orcs, elfos e outras criaturas fantásticas. Embora a magia exista, seu uso é rigidamente controlado, e apenas indivíduos raríssimos conhecidos como “Brilhantes” conseguem empunhar varinhas mágicas sem morrer.

O policial veterano Daryl Ward é obrigado a trabalhar ao lado de Nick Jakoby, o primeiro oficial a ingressar na polícia americana. Rejeitado tanto pelos colegas humanos quanto pelos próprios orcs, Jakoby tenta provar seu valor enquanto enfrenta a desconfiança de Ward, que ainda o culpa por um incidente ocorrido durante uma operação anterior.

Durante uma ocorrência, os dois encontram Tikka, uma jovem elfa em posse de uma poderosa varinha mágica. O artefato desperta a cobiça de policiais corruptos, gangues criminosas, um clã de orcs e da seita radical Inferni, liderada por Leilah, que pretende reunir três varinhas para ressuscitar o temido Senhor das Trevas. Perseguidos por todos os lados, Ward, Jakoby e Tikka iniciam uma fuga desesperada pelas ruas de Los Angeles.

Ao longo da jornada, Ward descobre que Jakoby nunca o traiu, fortalecendo a amizade entre os dois. Após ser morto durante um confronto com os orcs Dentes de Névoa, Jakoby é ressuscitado por Tikka, revelando que a elfa é uma Brilhante. A partir desse momento, uma antiga profecia passa a envolver o trio.

No confronto final, Leilah invade um esconderijo para recuperar a varinha. Sem alternativas, Ward decide empunhá-la, descobrindo também ser um Brilhante. Com seus novos poderes, derrota Leilah e impede o retorno do Senhor das Trevas.

Depois da batalha, Ward e Jakoby ocultam a verdadeira natureza dos acontecimentos para preservar o segredo sobre a magia. Os dois são reconhecidos como heróis pela polícia, enquanto Tikka desaparece discretamente entre a multidão, sugerindo que a ameaça mágica ainda não chegou ao fim.

Direção de Bright

Dirigido por David Ayer (Corações de Ferro e End of Watch), ele mistura fantasia urbana com filme policial, colocando humanos, orcs, elfos e outras criaturas vivendo juntos na Los Angeles dos dias atuais. O longa foi lançado diretamente pela Netflix e, na época, foi uma de suas produções mais caras. 

David Ayer aproveitou bem os ambientes periféricos da cidade. A melhor cena é a perseguição após Ward (Will Smith), Jakoby (Joel Edgerton) e Tikka fugirem da casa onde encontraram a varinha. Eles atravessam ruas degradadas, becos estreitos, terrenos abandonados, lojas decadentes, enquanto são perseguidos por gangues e pelos elfos.

Logo no começo do filme, Ward e Jakoby percorrem um bairro periférico dominado por orcs, com pichações, ferro-velho, churrascos improvisados e prédios deteriorados. Essa ambientação transmite uma identidade visual muito próxima dos filmes policiais anteriores de Ayer, como Marcados para Morrer e Dia de Treinamento, apenas adicionando criaturas fantásticas ao cenário.

Além disso, a maior parte do filme tem alto contraste de luz e sombra predominando, tornando as cenas ainda mais carregadas de suspense. Outra escolha bem acertada do diretor foi optar por usar efeitos práticos em alguns elementos do filme. Por exemplo, o visual dos orcs foram resultado de horas de maquiagem compostas por Próteses de silicone e espuma, tinta corporal e pós produção (VFX).

Outro exemplo é quando Tikka encontra uma mulher morta presa à parede em um ritual realizado pelos elfos Inferni. O corpo aparece dilacerado, decepado pela metade e parcialmente fundido à superfície, criando uma imagem bastante perturbadora. 

No geral, David Ayer conseguiu transformar Bright em uma fantasia urbana com identidade própria, unindo o realismo dos filmes policiais à mitologia fantástica de forma visualmente convincente. Dessa maneira, a direção se destaca pela ambientação, pela fotografia sombria e pelo uso equilibrado de efeitos práticos e digitais.

Em que foi baseado Bright

Bright não tem como origem livro, quadrinhos ou história verídica. O filme é uma criação original de Max Landis, que desenvolveu um universo único em que seres fantásticos coexistem com humanos na sociedade contemporânea. David Ayer escreveu Bright como um “filme de policiais em um mundo de fantasia”, ao invés de um filme de fantasia convencional. Assim, mesmo que o filme inclua elementos conhecidos, sua trama e seu universo são inéditos, desenvolvidos exclusivamente para a produção da Netflix. 

Crítica

Bright é um daqueles filmes em que o conquista os fãs mas não consegue conquistar a crítica especializada. A maior parte das críticas feitas por críticos renomados giram em torno de uma suposta inconsistência entre direção e roteiro. Em outras palavras, o filme simplificou demais temas sociais como racismo, além de diálogos fracos, e trama confusa. 

Alguns elogios apontam o conceito do filme que consiste, e mistura fantasia e vida urbana. Alissa Alissa Wilkinson, crítica de cinema da Vox, argumentou que Bright tenta abordar questões sociais, mas falha ao desenvolver esses temas de forma convincente, classificando o filme como confuso e pouco eficaz em sua proposta. 

No Rotten Tomatoes, esse filme alcançou 26% de aprovação entre a crítica especializada, e 83% entre o grande público. No IMDB, esse filme alcançou 6.3/10 estrelas em uma escala com 210 mil votos, até o momento.

Bright tornou-se um dos exemplos mais marcantes da diferença entre a recepção da crítica e a do público. Enquanto especialistas apontaram problemas no roteiro e na forma como o filme desenvolve suas ideias, muitos espectadores foram conquistados pela proposta original, pelas cenas de ação e pela ambientação criada por David Ayer. Mesmo dividindo opiniões, o longa permanece relevante por apresentar uma combinação pouco comum de fantasia e thriller policial, consolidando-se como uma das produções originais mais comentadas da Netflix. 

Porque não houve continuação?

A princípio, a repercussão positiva entre os fãs fez com que o filme recebesse um anúncio de continuação, futuramente. Em 2018, pouco depois do sucesso de audiência de Bright, a Netflix confirmou que uma sequência estava em desenvolvimento. Will Smith e Joel Edgerton retornam aos papéis principais, e David Ayer também voltaria à direção. 

Em 2020, David Ayer deixou o projeto por conflitos de agenda, e o diretor Louis Leterrier (Truque de Mestre, Alerta Vermelho) foi cotado para substituí-lo. Além disso, o roteiro também passou por reescritas. Em 2021, o chefe da divisão de filmes da Netflix, Scott Stuber, declarou que o roteiro de Bright 2 estava perto da versão final e confirmou a intenção de reunir novamente Will Smith e Joel Edgerton. 

Em abril de 2022, diversos veículos noticiaram que a Netflix havia abandonado o projeto. Na época, muita gente associou a decisão ao tapa de Will Smith em Chris Rock durante o Oscar. Porém, essa explicação nunca foi confirmada oficialmente. Não houve um comunicado público detalhado da Netflix explicando os motivos do cancelamento.

Trilha sonora de Bright

A trilha sonora de Bright é bem interessante, ela se divide entre o álbum original e músicas licenciadas. O álbum original foi composto por David Sardy, músico e produtor que já havia trabalhado em filmes como Zumbilândia, Corações de Ferro e Esquadrão Suicida. Sardy opta por uma sonoridade que acompanha a proposta do filme: em vez de recorrer a temas orquestrais típicos da fantasia medieval, ele mistura Cordas e percussão para criar tensão, Eletrônica discreta e Guitarras e elementos do rock. “The Bright”, abre o álbum da trilha sonora original e mostra bem esse estilo musical irreverente. 

Entre as músicas licenciadas, o grande destaque fica para “World Gone Mad”, da banda Bastille. A canção combina rock alternativo e música eletrônica para retratar um mundo dominado pelo caos e pela violência, reforçando a atmosfera sombria construída por David Ayer ao longo do filme. Não por acaso, ela foi escolhida como um dos principais temas promocionais de Bright. 

Em outras palavras, ao combinar uma trilha original de atmosfera tensa com músicas licenciadas de artistas contemporâneos, a produção reforça sua proposta de unir fantasia e realidade urbana. O resultado é uma experiência sonora que foge dos padrões do gênero fantástico e contribui para tornar o universo criado por David Ayer mais moderno, intenso e convincente. 

Conclusão

Bright não conquistou prêmios de grande prestígio, como Oscar, Globo de Ouro e BAFTA. Sua recepção crítica negativa acabou limitando seu desempenho na temporada de premiações. Apesar de não ter ganhado prêmios de grande relevância, Bright foi reconhecido por seus aspectos técnicos. A maquiagem e a caracterização dos orcs foram o destaque, recebendo indicações em premiações da indústria e conquistando um prêmio no Awards Circuit Community Awards. 

Por fim, o resultado destaca que, mesmo com as críticas ao roteiro, a produção recebeu elogios pela atenção dedicada à sua identidade visual e pelos efeitos práticos empregados na criação de seu universo fantástico. Mas particularmente falando, Bright é um dos filmes de ficção policial mais legais que assisti. Vale muito a pena dar uma chance para essa obra porque é capaz, sim, de nos envolver em horas de ação e suspense. Até a próxima!

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