Análise | Espelho, Espelho Meu

Espelho, Espelho Meu
Espelho, Espelho Meu/Trailer - Imagem: Relativity Media

Espelho, Espelho Meu acompanha Branca de Neve, uma jovem princesa que vive sob o domínio de sua madrasta, a Rainha Clementianna. Após a morte de seu pai, a princesa passa a ser mantida praticamente isolada no castelo, enquanto a Rainha assume o controle, autoritário e injusto, do reino.

Ao completar dezoito anos, Branca de Neve decide sair do castelo e conhecer o reino. Durante uma de suas escapadas, ela encontra o Príncipe Alcott, que havia sido roubado por sete anões enquanto atravessava a floresta. O encontro desperta o interesse da princesa pelo jovem príncipe, mas também chama a atenção da Rainha, que pretende se casar com ele.

Quando descobre que Branca de Neve está interessada no príncipe, a Rainha decide eliminá-la. Ela ordena que seu criado leve a princesa para a floresta e a mate. Entretanto, o homem não consegue cumprir a ordem, permitindo que Branca de Neve escape. Perdida na floresta, ela acaba encontrando os sete anões.

Branca de Neve passa a morar com os anões e, aos poucos, conquista a confiança deles. Ela também descobre que pode ajudá-los e decide enfrentar a Rainha. Enquanto isso, Clementianna utiliza magia para tentar controlar Alcott e fazê-lo se apaixonar por ela.

Com a ajuda dos anões, Branca de Neve começa a recuperar o controle sobre sua própria vida e se aproxima cada vez mais do príncipe. A disputa entre as duas mulheres culmina quando os planos da Rainha começam a desmoronar e Branca de Neve finalmente confronta sua madrasta.

No fim, a princesa consegue derrotar a Rainha e recuperar seu reino. Ao mesmo tempo, o feitiço sobre o príncipe é quebrado, permitindo que ele e Branca de Neve fiquem juntos. A história termina com a celebração do casamento dos dois, enquanto o reino finalmente volta a pertencer à verdadeira princesa.

Direção de Espelho, Espelho Meu

O filme Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror, 2012) foi dirigido por Tarsem Singh. Apesar de ter dirigido uma das melhores adaptações da Branca de Neve, o cineasta possui uma filmografia curta, sem grandes filmes populares além, é claro, desse filme. Alguns dos filmes de sua filmografia incluem, A Cela, Dublê de Anjo, Imortais e Selfless. 

Em Espelho, Espelho, Singh desenvolveu uma estética excepcional com imagens extremamente elaboradas, cenários grandiosos, figurinos marcantes e um visual medieval. Um bom exemplo é a cena em que Branca de Neve chega ao castelo da Rainha. O ambiente não parece apenas um cenário medieval comum: o castelo é apresentado como um lugar quase fantasioso, com grandes salões, estruturas ornamentadas e uma composição visual que reforça a extravagância daquele universo. 

Há algumas decisões muito interessantes. A que mais gostei foi a adaptação dos anões. Singh optou por acoplar pernas mecânicas a eles, proporcionando-lhes mais agilidade e autonomia. Além disso, o filme retrata com atenção a forma como a sociedade os tratava por serem diferentes.

Uma cena que ilustra bem isso é quando Branca de Neve encontra os anões vivendo escondidos na floresta e descobre que eles sobrevivem roubando viajantes. Ao conversar com eles, fica evidente que aquela vida isolada não foi simplesmente uma escolha: eles foram marginalizados pela sociedade por serem diferentes e acabaram encontrando na floresta um lugar onde podiam viver longe do preconceito. 

Esses são apenas alguns dos detalhes que tornam Espelho, Espelho Meu uma adaptação tão interessante. Há muito mais elementos no filme que poderiam ser explorados, desde as mudanças feitas na história original até a construção de seus personagens e a forma como Singh transforma um conto amplamente conhecido em uma obra com identidade própria. 

Orçamento e bilheteria

Espelho, Espelho Meu teve um orçamento considerável para uma produção desse tipo. O valor oficialmente divulgado foi de US$ 85 milhões, embora algumas fontes da época tenham apontado que o custo real poderia ter chegado próximo dos US$ 100 milhões. Nas bilheterias, o filme arrecadou aproximadamente US$ 183 milhões mundialmente, sendo US$ 64,9 milhões nos Estados Unidos e Canadá e cerca de US$ 118,1 milhões no mercado internacional, segundo o Box Office Mojo. 

Espelho, Espelhos Meu, mostrou um desempenho comercial bem limitado. Espelho Meu estreou nos Estados Unidos em março de 2012, ele entrou em um período particularmente competitivo. O filme chegou aos cinemas em 30 de março, justamente quando alguns lançamentos de grande porte estavam disputando o público. Filmes com Jogos Vorazes, Furia de Titas 2, Anjos da Lei e O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida.

O caso mais interessante é Jogos Vorazes. A própria análise do Box Office Mojo, intitulada como “Weekend Report: ‘Wrath,’ ‘Mirror’ No Match for ‘Hunger Games’, apontou que Espelho, Espelho Meu era direcionado principalmente a meninas de 6 a 12 anos e seus pais, mas que o filme precisava conquistar também adolescentes e mulheres jovens para realmente alcançar um público maior, justamente uma parcela que estava comprando ingressos em massa para Jogos Vorazes. Por fim, apesar do filme ser muito bom, não teve um desempenho comercial proporcional.

Crítica

Espelho, Espelho Meu alcançou 51% de aprovação em uma escala com mais de 100 mil votos. No IMDB, essa produção alcançou 5.6/10 estrelas em uma escala com 95 mil classificações. De acordo com essas avaliações poderíamos concluir que essa adaptação dividiu opiniões, e até deixou uma má impressão em grande parte do público. O curioso é que existe uma divisão bastante clara entre aquilo que os críticos admiraram e aquilo que consideraram fraco.

O crítico especializado, Roger Ebert, por exemplo, chamou o filme de uma fantasia “suntuosa para os olhos”, embora tenha criticado a narrativa que é considerada um diálogo pouco interessante. Não é difícil achar opiniões de crítica apontando os diálogos e roteiro no filme. Porém, já diversas críticas positivas também. O Los Angeles Times, por exemplo, considerou a versão visualmente inventiva e destacou a transformação da protagonista em uma personagem mais ativa e determinada.

Dessa forma, a recepção de Espelho, Espelho Meu acabou sendo bastante dividida. Enquanto parte do público e da crítica considerou o roteiro e os diálogos pouco desenvolvidos, outros reconheceram o cuidado de Tarsem Singh na construção daquele universo e na releitura dos personagens. Mesmo não sendo uma produção unanimemente elogiada, o filme demonstra que há muito mais em sua proposta do que sua avaliação geral pode sugerir, especialmente quando observamos sua estética, suas escolhas criativas e a maneira particular como reinterpreta uma história tão conhecida.

Trilha sonora de Espelho, Espelho Meu

A trilha sonora de Espelho, Espelho Meu é particularmente interessante porque o filme contou com Alan Menken, um dos compositores mais associados às animações musicais da Disney. Ele havia trabalhado em clássicos como A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin e Hércules, além de Encantada e Enrolados. Ele até contribuiu para o álbum de “Capitão América – O Primeiro Vingador”. 

Para Espelho, Espelho Meu, Menken compôs uma trilha predominantemente orquestral, romântica e fantasiosa, com 17 faixas instrumentais. Um bom exemplo é “Love at First Sight”, que acompanha o primeiro encontro entre Branca de Neve e o Príncipe Alcott. A composição utiliza uma melodia delicada e uma sonoridade orquestral que transmite o encanto e o romantismo do momento, reforçando a atmosfera de conto de fadas presente no filme.

No fim, a trilha sonora de Alan Menken contribui diretamente para a atmosfera de conto de fadas que Espelho, Espelho Minha procura construir. Suas composições acompanham os momentos de romance, aventura e fantasia sem perder a grandiosidade característica de uma produção desse gênero.

Conclusão

Apesar da recepção crítica geral ter sido apenas mediana, Espelho, Espelho Meu teve reconhecimento principalmente pelo figurino e pela trilha sonora. Os principais prêmios conquistados inclui Costume Designers Guild Awards (2013) na categoria de melhor figurino e BMI Film & TV Awards (2013) na categoria de melhor trilha sonora. Além disso, esse filme foi indicado ao Oscar, nas categorias de melhor figurino. Nesse sentido, até superou outras versões dessa personagem como, por exemplo, Branca de Neve (2026)

Embora não tenha se tornado um grande fenômeno de público ou de crítica, Espelho, Espelho Meu conseguiu conquistar seu espaço por meio de seus elementos mais marcantes. O reconhecimento recebido pelo figurino e pela trilha sonora demonstra que o filme encontrou seus maiores méritos justamente na construção de seu universo visual e musical. Com sua abordagem bem-humorada, cenários extravagantes e releitura criativa da história clássica. Com o tempo, Espelho, Espelho Meu ganhou ainda mais prestígio entre o grande público, se mostrando uma adaptação divertida e visualmente estimulante. Até a próxima!

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