Após o rei Fergus declarar guerra aos outros clãs para proteger Mérida, a jovem é mantida presa no castelo enquanto o conflito se intensifica. No entanto, seus irmãos trigêmeos, Hamish, Hubert e Harris, que também foram transformados em filhotes de urso após comerem o bolo enfeitiçado da bruxa, conseguem ajudá-la a escapar recuperando a chave do castelo. Enquanto isso, Mérida se dedica a reparar a tapeçaria que havia rasgado durante sua discussão com a mãe, acreditando que esse era o verdadeiro significado da mensagem deixada pela bruxa.
Ao mesmo tempo, Fergus e os guerreiros capturam novamente Elinor, ainda na forma de urso, e a levam até o círculo de pedras antes que Mor’du, o gigantesco urso amaldiçoado, apareça para atacá-la. Durante o confronto, Mor’du tenta matar Mérida, mas Elinor enfrenta a criatura para salvar a filha. A batalha termina quando Mor’du é esmagado por um enorme menir que desaba sobre ele, quebrando definitivamente a antiga maldição. O espírito do príncipe que havia sido transformado no monstro é finalmente libertado e desaparece em paz.
Ao amanhecer, Mérida cobre a mãe com a tapeçaria restaurada, esperando desfazer o feitiço. Inicialmente nada acontece, e a jovem acredita ter fracassado. Em um momento de profunda emoção, ela pede perdão à mãe e reconhece seus próprios erros. É justamente esse gesto sincero de reconciliação que rompe a maldição: Elinor e os trigêmeos retornam à forma humana.
Com a paz restabelecida, Mérida e Elinor fortalecem o relacionamento e passam a compreender melhor os desejos e responsabilidades uma da outra. Os clãs deixam o reino em harmonia, enquanto mãe e filha iniciam uma nova fase juntas, simbolizada pela criação de uma nova tapeçaria. No pós-créditos, um guarda recebe, pelas patas de um corvo, a encomenda de brinquedos de madeira feita por Mérida no início da história.
Direção de Valente
O filme Valente (Brave, 2012) foi dirigido por Brenda Chapman e Mark Andrews. Os foi não trabalharam em equipe, na verdade. Brenda Chapman foi a criadora da história e a diretora original do projeto. Ela foi a primeira mulher a dirigir um longa da Pixar. Durante a produção, em 2010, a Pixar decidiu substituir Chapman por Mark Andrews, alegando divergências criativas e problemas de desenvolvimento da história.
Valente possui uma estética que até então, era algo consideravelmente fora dos padrões da Pixar, sendo o primeiro conto de fadas produzido pelo estúdio. Em suma, a direção de Valente conversa bem com os filmes clássicos de princesas da Disney, apresentando traços em comuns. Por exemplo, reinos medievais, bruxas, e maldições.
Porém, a estrutura da história é bem diferente. Em vez de um romance, o conflito principal é familiar, entre Mérida e sua mãe. Assim, retornando a um dos principais núcleos que norteiam os filmes da pixar, as relações familiares. Não há um príncipe salvando a protagonista nem um casamento como objetivo final e sim a reconstrução do laço fissurado entre mãe e filha.
A ambientação do filme, e sua representação da cultura escocesa antiga, prende a nossa atenção do início ao fim. O maior exemplo disso é a Picta, o centro com grandes pedra ao redor que funciona como uma passagem mágica entre a personagem e as série de acontecimentos magico, desencadeados pelas próprias decisões de merida
Andrews assumiu a direção, mas Chapman permaneceu creditada como co-diretora e também como autora da história original. Apesar da troca de direção, Valente apresentou uma identidade visual equilibrada, narrativa forte, e cenas incríveis mantendo as coisas que tornam os filmes da Pixar tão bons.
Conexão com Monstros S.A?
Essa é uma das teorias mais famosas da fanbase da Pixar, conhecida como “Boo é a Bruxa de Valente”. Ela não é oficial, mas ganhou enorme popularidade porque conecta dois filmes do estúdio.
A teoria parte de um conceito apresentado em Monstros S.A.: as portas usadas pelos monstros funcionam como portais capazes de atravessar o espaço. Alguns fãs sugerem que elas também poderiam atravessar o tempo.
Segundo essa hipótese, Boo nunca esqueceu Sulley. Depois de crescer, ela teria dedicado a vida a descobrir como reencontrá-lo. Em suas pesquisas, aprenderá a manipular uma forma de magia capaz de viajar pelo tempo, acabando na Escócia medieval, onde passaria a ser conhecida como a misteriosa bruxa de Valente.
O pior dessa história toda, é que quem a defende apresenta evidências fortes como o fato das esculturas de madeira dentro do covil da bruxa, serem parecidas com Sulley de Monstros S.A. A bruxa descobriu magia de portais, com efeito bem semelhante às postas de Monstros S.A.
Além disso, também é possível ver uma escultura semelhante à caminhonete Pizza Planet, easter egg que aparece nos filmes da pixar..A obsessão da bruxa por magia e viagens poderia ser, supostamente, uma consequência da busca incessante por Sulley.
A teoria ficou ainda mais conhecida depois que Jon Negroni, um escritor e fã da Pixar, a incorporou à chamada Pixar Theory, uma proposta que tenta conectar todos os filmes do estúdio em um único universo compartilhado.
Entretanto, é importante destacar que a Pixar nunca confirmou que Boo e a bruxa são a mesma pessoa. Os diretores e artistas do estúdio costumam incluir referências e easter eggs entre os filmes. Assim, a teoria permanece como uma divertida interpretação criada pelos fãs, e não como parte oficial da história de Valente ou Monstros S.A …
Impacto de Valente no universo Disney
A Pixar sempre foi um estúdio com identidade própria, mas, desde que foi adquirida pela Disney em 2006, seus personagens passaram a fazer parte do portfólio da empresa. Mérida é um exemplo disso. Embora Valente seja um filme da Pixar, a personagem foi incorporada oficialmente à franquia Disney Princess em 2013.
Em outras palavras, isso significa que ela aparece ao lado de Branca de Neve, Cinderela, Ariel, Bela, Rapunzel e outras princesas em produtos, parques temáticos e campanhas de marketing. Dessa maneira, Valente se consolidou como um dos filmes de princesa mais populares, e se tornou um grande ativo no portfólio da empresa.
Orçamento e bilheteria
Do ponto de vista comercial, Valente foi um sucesso, embora não tenha alcançado o mesmo impacto de alguns dos maiores fenômenos da Pixar, como Toy Story 3, Procurando Nemo e Up. Valente custou US$ 185 milhões, e arrecadou nas bilheterias mundiais, uma quantia impressionante estimada em US$ 539 milhões.
Valente teve seu lançamento mundial no mês de junho de 2012. Alguns filmes fortes, estavam em cartaz naquele período. Por exemplo, Prometheus, Madagascar 3: Os Procurados, Ted, Magic Mike. Além disso, outros sucessos estavam em cartaz, como O Vingadores e Homens de Preto 3.
Podemos concluir que 2012 foi um dos anos mais concorridos da década para Hollywood. Dividir espaço com grandes blockbusters, mesmo assim, ultrapassar US$ 539 milhões em bilheteria mundial reforça que Valente foi um sucesso comercial sólido para a Pixar.
O longa cumpriu seu papel com folga. Seu desempenho consolidou Mérida como uma das personagens mais importantes da Disney na década de 2010 e demonstrou que a Pixar também poderia explorar o universo dos contos de fadas sem abrir mão de sua identidade narrativa.
Trilha sonora de Valente
A trilha instrumental foi composta por Patrick Doyle, um compositor escocês conhecido por seu trabalho em filmes como Hamlet, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Thor e Assassinato no Expresso do Oriente. Em vez de seguir o estilo orquestral tradicional da Disney, Patrick Doyle misturou uma grande orquestra com instrumentos típicos da Escócia, produzindo melodias celtas inconfundíveis do gênero Folk. Instrumentos como violino, gaita de fole, flautas e tambores predominam nas faixas.
Um dos melhores exemplos dessa proposta é “Touch the Sky”, interpretada pela cantora escocesa Julie Fowlis. A canção acompanha Mérida cavalgando pelas Terras Altas e sintetiza o espírito do filme: liberdade, aventura e conexão com a natureza. Com vocais inspirados na tradição gaélica e uma instrumentação marcadamente celta, a música tornou-se uma das mais memoráveis da trilha sonora de Valente.
Embora não tenha conquistado os principais prêmios da indústria, a trilha sonora de Valente foi amplamente reconhecida. Patrick Doyle recebeu indicação ao International Film Music Critics Association (IFMCA) pela trilha original, enquanto “Learn Me Right”, interpretada por Birdy e Mumford & Sons, foi indicada ao Grammy e ao Critics’ Choice Awards. Acima de tudo, a trilha sonora composta por Doyle nos envolve ainda mais, no profundo misticismo que permeia o filme.
Conclusão
Valente foi bastante reconhecido na temporada de premiações de 2013. Ao todo, o filme conquistou 20 prêmios e recebeu 48 indicações. Os principais incluem: Oscar, BAFTA e Globo de Ouro, todos estes na mesma categoria de na de melhor animação. O longa teve muitas conquistas, e se consolidou como uma das animações mais premiadas de 2012. Além disso, recebeu diversos prêmios técnicos, incluindo reconhecimento por sua direção de arte, edição, mixagem de som e trilha sonora.
Com uma direção marcante, uma narrativa centrada nos laços familiares, uma trilha sonora memorável e um excelente desempenho comercial, o longa consolidou Mérida como uma das personagens mais importantes da Disney na década de 2010. Mais de uma década após seu lançamento, o filme continua sendo lembrado por sua ambientação inspirada na cultura escocesa, pelas teorias criadas pelos fãs e por sua mensagem atemporal sobre liberdade, amadurecimento e reconciliação. Até a próxima!

















