O possível fim da idTech soa quase como uma daquelas frases que ninguém esperava ler em 2026. Afinal, falar da id Software sem falar de tecnologia própria é como falar de Doom sem sangue jorrando, demônios querendo te matar e gameplay frenético.
A discussão começou após a confirmação de 136 cortes ligados à id Software, dentro da nova rodada de demissões do Xbox. O número aparece em avisos trabalhistas do Texas e soma 96 funcionários do escritório de Richardson com 40 trabalhadores remotos vinculados à mesma unidade.
Como a id havia anunciado um sindicato com 185 empregados em dezembro de 2025, alguns veículos passaram a calcular que o estúdio pode ter perdido mais de 70% do quadro conhecido.
Vale mencionar que esse percentual precisa ser tratado com cuidado. Ele depende de uma comparação entre um número sindical anterior e os cortes atuais, sem uma confirmação pública da Microsoft sobre o tamanho exato da equipe antes e depois da reestruturação. Ainda assim, mesmo a leitura mais conservadora já mostra um baque no estúdio.
A idTech faz parte do DNA do estúdio

O ponto mais explosivo veio de Derek Best, ex-artista de VFX da id Software. Em uma publicação no LinkedIn repercutida pelo portal VGC, ele afirmou que décadas de conhecimento foram apagadas. Além disso, disse que a equipe de VFX sofreu uma redução drástica e que o time responsável pela engine foi “dizimado”.
Best também sugeriu que a id poderia ser reduzida a um estúdio de suporte e, eventualmente, migrar para a Unreal Engine.
Nada disso foi confirmado oficialmente pela Microsoft ou pela id Software. Porém, a hipótese chama atenção porque a idTech nunca foi apenas uma ferramenta interna. Ela representa uma linhagem técnica que ajudou a moldar o FPS moderno, de Doom e Quake até os jogos recentes da franquia Doom. Em uma indústria cada vez mais dependente da Unreal Engine, ver a id abandonar sua própria tecnologia seria uma mudança histórica.
Também existe um lado prático e financeiro nessa questão. Engines proprietárias são caras, exigem especialistas e podem travar o desenvolvimento quando a equipe perde conhecimento interno. Por outro lado, elas permitem identidade técnica, otimização agressiva e soluções feitas sob medida.
Doom sempre viveu justamente nesse território: velocidade, resposta imediata e performance quase obsessiva. Não por acaso, John Carmack sempre tratou tecnologia e design como partes inseparáveis da experiência.
Se a idTech realmente perder espaço, a mudança não será apenas uma troca de ferramenta. Será o símbolo de uma indústria que, aos poucos, troca seu DNA técnico por pipelines padronizados. Pode até sair mais barato. No caso da id, porém, também pode custar uma parte enorme da alma.
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