Robert McCall (Denzel Washington) é um ex-agente de operações especiais que tenta levar uma vida tranquila em Boston após prometer à esposa falecida que abandonaria seu passado violento. Trabalhando em uma loja de materiais de construção, ele leva uma rotina simples e procura ajudar as pessoas ao seu redor, incluindo um colega de trabalho que sonha em se tornar segurança.
Durante suas noites em uma lanchonete, McCall conhece Alina, uma jovem prostituta controlada pela máfia russa. Quando ela é brutalmente espancada por seu cafetão e internada em estado grave, McCall decide quebrar sua promessa de permanecer afastado da violência. Ao tentar negociar sua liberdade sem sucesso, ele elimina o cafetão e seus comparsas, chamando a atenção da poderosa organização criminosa liderada por Vladimir Pushkin.
Para descobrir quem está por trás do ataque, Pushkin envia seu principal executor, Teddy, um ex-integrante das forças especiais russas. Enquanto a perseguição se intensifica, McCall utiliza sua inteligência, experiência e habilidades de combate para desmantelar as operações da máfia em Boston, enfrentando policiais corruptos, destruindo esquemas de lavagem de dinheiro e enfraquecendo financeiramente a organização criminosa.
A disputa chega ao ápice quando Ted invade a loja onde McCall trabalha e faz seus colegas de reféns. Utilizando ferramentas e objetos do próprio estabelecimento como armas improvisadas, McCall elimina um a um os homens de Teddy em uma sequência marcada por estratégia, precisão e criatividade, culminando em um confronto final contra seu adversário.
Após derrotar Teddy, McCall viaja até Moscou para eliminar Vladimir Pushkin e encerrar definitivamente a ameaça da máfia russa. De volta a Boston, reencontra Alina, agora recuperada e pronta para recomeçar a vida. Inspirado pelos acontecimentos, ele decide assumir definitivamente o papel de vigilante, oferecendo seus serviços anonimamente pela internet para ajudar pessoas comuns que não conseguem encontrar justiça pelos meios convencionais.
Direção de O Protetor
O Protetor, dirigido por Antoine Fuqua, se tornou um dos cineastas mais conceituados na indústria cinematográfica. Fuqua destaca filmes do gênero suspense, e seus trabalhos mais memoráveis incluem Dia de Treinamento Sete Homens e um Destino, Emancipação e Lágrimas ao Sol.
Uma característica marcante do estilo de Antoine Fuqua é a forma como ele filma a violência. Em vez de transformá-la apenas em espetáculo, ele costuma construir a tensão lentamente. Podemos ver o maior exemplo disso em O Protetor, Robert McCall observa o ambiente, calcula o tempo de cada movimento e só então entra em ação. Isso faz com que as cenas de combate pareçam mais metódicas do que impulsivas.
Além disso, os diálogos são um dos principais responsáveis pelo impacto que o filme causa, e quem escreveu eles foi Richard Wenk. O interessante é que Wenk não escreve diálogos “bonitos”; ele escreve diálogos funcionais. Cada fala serve para revelar algo sobre o personagem ou aumentar a tensão da cena. Isso faz com que Robert McCall fale pouco, mas quando fala, suas palavras têm muito peso.
A relação entre Richard Wenk e Antoine Fuqua é, antes de tudo, uma parceria criativa de longa duração. Eles desenvolveram um estilo em que o roteiro e a direção trabalham em sintonia: Wenk constrói a tensão nas palavras, e Fuqua a amplia por meio da encenação, do ritmo e da atuação.
Em que foi baseado O Protetor?
O Protetor não é uma obra original e nem uma adaptação de um livro, mas sim, uma reimaginação do clássico seriado de TV The Equalizer. Esse seriado foi criado por Michael Sloan e Richard Lindheim. Michael Sloan (1946–2025) era um roteirista e produtor com grande experiência em séries de ação, investigação e espionagem. Richard Lindheim (1939–2021) era produtor executivo e roteirista. Sua carreira foi mais voltada ao desenvolvimento e produção de séries de TV do que à escrita de longas-metragens.
A série estreou em 18 de setembro de 1985 nas TV´s dos Estados Unidos. No entanto, conforme a série ganhou reconhecimento, ela foi vendida para diversos mercados internacionais. Durante o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, foi exibida em países da Europa, América Latina, Austrália e partes da Ásia. Esse modelo era bastante comum na época: uma emissora americana produzia a série, e depois distribuidores licenciavam a obra para canais de outros países.
Crítica
A recepção crítica de O Protetor (2014) foi positiva. Enquanto o público abraçou o filme, muitos críticos enxergaram qualidades na direção e na atuação de Denzel Washington, mas apontaram problemas no roteiro e no excesso de violência.
Um dos comentários mais citados sobre O Protetor veio de Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, um dos críticos mais conhecidos dos Estados Unidos. Ao elogiar o filme, ele deixou claro que o maior trunfo de O Protetor é a atuação de Denzel Washington, que eleva o filme acima de um thriller de ação convencional.
No Rotten Tomatoes, esse longa alcançou 77% em uma escala com mais de 50 mil votos. No IMDB, O Protetor alcançou 7.5/10 estrelas em uma escala com 832 mil votos. Entre o grande público este filme foi um verdadeiro espetáculo.
Embora a crítica especializada tenha feito ressalvas ao roteiro e ao nível de violência, a recepção do público foi amplamente favorável e consolidou O Protetor como um dos grandes filmes de ação de 2014.
O sucesso nas avaliações dos espectadores e nas bilheterias demonstrou que a combinação entre a direção de Antoine Fuqua, o carisma de Denzel Washington e uma narrativa de justiça implacável encontrou forte identificação com a audiência, estabelecendo as bases para uma franquia que permaneceria relevante nos anos seguintes.
Orçamento e bilheteria de O Protetor
O Protetor teve um orçamento estimado em US$55 milhões. Esse valor inclui os custos de produção, como elenco, filmagens, efeitos visuais, direção de Antoine Fuqua e equipe técnica. Não estão incluídos os gastos com marketing e distribuição, que normalmente são contabilizados separadamente. Nas bilheterias mundiais, esse filme arrecadou cerca de US$ 191 milhões, se tornando um sucesso comercial para uma produção de baixo orçamento.
Uma coisa muito interessante é que um mês depois, John Wick também estreou no cinema. Esses dois filmes são semelhantes tanto no que se propôs a fazer, quanto na estética visual. Até as personalidades dos personagens se assemelham, e esse detalhe serviu como faísca para o público discutir se um filme era cópia de outro. Possivelmente, essas coincidências até ajudaram a repercutir ambos os filmes, ainda que de forma indireta.
O segundo semestre de 2014 foi um dos períodos mais competitivos do ano para Hollywood. Quando O Protetor estreou em 26 de setembro, ele precisou disputar a atenção do público com várias produções de peso. Por exemplo, Maze Runner: Correr ou Morrer, Se eu Ficar e Garota Exemplar estavam em cartaz naquele período.
O sucesso nas bilheterias demonstrou que não era necessário um orçamento gigantesco para produzir um filme de ação marcante, desde que houvesse uma direção consistente, um protagonista carismático e uma narrativa bem executada.
Além de impulsionar uma franquia de sucesso para Denzel Washington e Antoine Fuqua, o filme também ajudou a consolidar uma nova fase do cinema de ação da década de 2010, marcada por protagonistas experientes, violência calculada e histórias mais contidas, características que passaram a influenciar diversas produções lançadas nos anos seguintes.
Trilha sonora de O Protetor
A trilha sonora de O Protetor foi composta por Harry Gregson-Williams, um conceituado compositor na indústria cinematográfica. Esse músico compôs álbuns de grandes sucessos do cinema, como por exemplo Shrek, As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, Chamas da Vingança entre muitos outros.
No filme A Procura da Felicidade, em vez de utilizar músicas grandiosas ou temas marcantes para conduzir as emoções do público, Guerra opta por composições discretas que acompanham a jornada de Chris Gardner de forma quase imperceptível. Essa escolha permite que a atuação de Will Smith e os acontecimentos da história permaneçam no centro da narrativa, enquanto a música atua como um suporte emocional.
Ao longo do filme, a trilha alterna momentos de melancolia, tensão e esperança, refletindo o estado psicológico do protagonista. Faixas como “Opening” e “Chris and Christopher” apresentam melodias suaves ao piano e às cordas, transmitindo o carinho entre pai e filho e a humanidade presente mesmo nos momentos mais difíceis.
Essa abordagem confere maior autenticidade à jornada de Chris Gardner, tornando cada momento de sofrimento, esperança e superação ainda mais impactante. Embora não seja uma das trilhas mais memoráveis do cinema em termos de temas musicais, sua sensibilidade e eficiência fazem dela um elemento essencial para a força emocional de À Procura da Felicidade.
Conclusão
Mais do que um simples filme de ação, O Protetor demonstra como uma narrativa relativamente simples pode se tornar memorável quando apoiada por uma direção competente, um roteiro eficiente e uma atuação de alto nível. Antoine Fuqua conduz a história com precisão, equilibrando momentos de tensão e explosões de violência sem perder o foco no desenvolvimento de Robert McCall. Ao mesmo tempo, Denzel Washington entrega uma interpretação contida e carismática, transformando o protagonista em um personagem que impõe respeito muito antes de recorrer à força.
O sucesso comercial, a recepção positiva do público e a consolidação da franquia confirmam que O Protetor encontrou uma identidade própria dentro do gênero de ação. Mesmo sendo frequentemente comparado a outras produções da década, o filme se diferencia pela construção metódica de seu protagonista e pela forma como transforma cada confronto em uma demonstração de inteligência, estratégia e autocontrole. Como resultado, a obra permanece como um dos thrillers de ação mais marcantes dos anos 2010 e um dos trabalhos mais consistentes da parceria entre Antoine Fuqua e Denzel Washington. Até a próxima!
















