System Seller na 5ª geração passou a se tratar menos de mascotes isolados e mais de uma sensação contínua de novidade e catálogo indispensável.
Ainda não sabe o que são “Jogos System Seller”? CONFIRA AQUI
O PlayStation entendeu isso como poucos. Resident Evil vendia terror adulto, Tomb Raider vendia aventura cinematográfica, Crash Bandicoot dava à Sony um rosto jovem, Final Fantasy VII transformava RPG em espetáculo global, Gran Turismo atraía fãs de carros e Metal Gear Solid fazia o console parecer quase uma máquina de cinema interativo. Não era apenas um jogo promovendo hardware. Era uma sequência de motivos para acreditar que o PS1 tinha sempre o próximo grande lançamento.
O Nintendo 64, por outro lado, tinha menos lançamentos, mas alguns deles pareciam muito singulares. Super Mario 64 mostrou ao mundo como era jogar Mario em 3D, GoldenEye 007 transformou o multiplayer local em ritual adolescente e Ocarina of Time virou uma espécie de prova definitiva do talento da Nintendo.
Já o Saturn brilhou principalmente no Japão e entre fãs de arcade, com Virtua Fighter, Sega Rally e Sakura Wars sustentando uma identidade muito própria.
A 5ª geração de consoles mostrou que potência importava, mas biblioteca, mídia, timing e fluxo de franquias importavam ainda mais do que nunca.
PlayStation
- Resident Evil (1996): O nascimento da maior franquia de survival horror moderno. O jogo deu ao PS1 uma atmosfera adulta, sombria e cinematográfica, exatamente o tipo de imagem que a Sony queria construir. Além disso, ajudou o console a se distanciar da percepção mais infantil associada à Nintendo. Dessa forma, Resident Evil atraiu jogadores jovens e adultos que buscavam experiências mais maduras.
- Tomb Raider (1996) e Tomb Raider II (1997): A Lara Croft da Core Design virou um ícone mundial da cultura pop. O primeiro jogo também saiu para Saturn, mas foi no PS1 que a franquia realmente explodiu. Além disso, a Sony garantiu exclusividade temporária para as sequências, o que fortaleceu ainda mais a ligação entre Lara e PlayStation. Como resultado, Tomb Raider ajudou a impulsionar as vendas do console e reforçou sua imagem moderna, ousada e cinematográfica.
- Crash Bandicoot (1996): O PS1 precisava de um mascote capaz de enfrentar Mario e Sonic no imaginário popular. Nesse contexto, Crash Bandicoot assumiu esse papel com muita força. O personagem tinha atitude, visual marcante e presença constante nos comerciais da Sony. Por isso, virou um dos grandes motores de venda do console entre o público jovem, especialmente nos períodos de fim de ano.
- Final Fantasy VII (1997): Um dos maiores divisores de águas da história dos videogames. A decisão da Square de deixar a Nintendo e apostar nos CDs do PS1 mudou o destino daquela geração. Além disso, os comerciais com cenas em computação gráfica impressionaram muita gente na época. Para muitos jogadores, aquela escala parecia impossível em um console doméstico. Como resultado, milhões compraram o PS1 para viver a jornada de Cloud, Aerith, Tifa e Sephiroth. Para muita gente, este foi o maior system seller da história do console.
- Gran Turismo (1997): O jogo de corrida definitivo do PlayStation. Ele extraiu muito do potencial técnico do PS1 e apresentou uma proposta mais séria de simulação. Além disso, trouxe centenas de carros reais, ajustes detalhados e uma física impressionante para a época. Como resultado, Gran Turismo se tornou o jogo mais vendido da história do console, com quase 11 milhões de cópias. Também atraiu entusiastas de carros que nem sempre acompanhavam videogames de perto.
- Metal Gear Solid (1998): O jogo levou narrativa, direção de cenas e jogabilidade cinematográfica a outro patamar. A aventura de espionagem tática fazia o PS1 parecer quase um aparelho de cinema interativo. Além disso, Hideo Kojima explorou voz, trilha sonora, enquadramentos e quebra da quarta parede de forma brilhante. Dessa maneira, Metal Gear Solid virou uma das experiências mais marcantes da geração e fortaleceu ainda mais o prestígio do PlayStation.
- Winning Eleven / ISS Pro (1997-2001): Especialmente na Europa, na América Latina e, claro, no Brasil, a franquia de futebol da Konami virou praticamente uma religião. Os jogos se tornou um grande system seller ao entregar partidas fluidas, competitivas e extremamente viciantes. Além disso, o multiplayer local com multi-tap transformava qualquer fim de semana em campeonato. Por isso, muita gente comprou o PS1, controles extras e acessórios apenas para jogar futebol com os amigos.
Nintendo 64
- Super Mario 64 (1996): O maior System Seller de lançamento de todos os tempos. Ele redefiniu a indústria e ensinou o mundo a jogar em 3D. Praticamente todo mundo que comprou o N64 em 1996 ou 1997 levou esse cartucho junto. Ele era a própria razão de existir do console.
- Mario Kart 64 (1996): O rei do multiplayer de sofá. As quatro entradas de controle do Nintendo 64 pareciam ter sido feitas sob medida para este jogo. Ele vendeu consoles feito água para grupos de amigos e famílias.
- GoldenEye 007 (1997): O fenômeno inesperado da Rare. Ele provou que jogos de tiro em primeira pessoa funcionavam em consoles de mesa e criou a cultura das madrugadas de mata-mata em tela dividida. Fez o público adolescente e jovem-adulto correr para o N64.
- The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998): O jogo mais aguardado daquela geração. A transição de Link para o 3D foi uma obra-prima perfeita que esgotou os estoques de consoles no Natal de 1998 e quebrou recordes de pré-venda na história da indústria até então.
- Super Smash Bros. (1999): Uma ideia que parecia absurda no papel – colocar os mascotes da Nintendo para se espancarem – virou uma febre instantânea. Então, foi o grande motor de vendas de hardware em 1999, pavimentando o caminho para a franquia gigante que conhecemos hoje.
Sega Saturn
- Virtua Fighter (1994): O pilar de lançamento do console. No Japão, a febre do fliperama era tão violenta que a conversão quase idêntica (apesar de alguns polígonos extras falharem) fez o Saturn vender mais do que o PlayStation no dia de estreia em 1994.
- Virtua Fighter 2 (1995): Um dos maiores milagres técnicos da geração. Rodando a cravados 60 quadros por segundo em uma resolução altíssima para a época, o jogo humilhou os críticos que diziam que o Saturn não aguentava gráficos 3D complexos. Além disso, vendeu mais de 1,3 milhão de cópias apenas no Japão, arrastando multidões para o hardware.
- Sega Rally Championship (1995): A conversão definitiva do Arcade para os lares. A física de derrapagem na lama e no asfalto era revolucionária. Foi o jogo que convenceu o público ocidental (especialmente na Europa) de que valia a pena comprar um Saturn.
- Sakura Taisen / Sakura Wars (1996): Esse foi um fenômeno cultural gigantesco e exclusivo no Japão. Misturando RPG tático com simulador de relacionamentos e estética de anime, este jogo da Red Company e da Sega foi um System Seller avassalador em território nipônico, gerando filas imensas e estendendo a vida útil do console por lá.















