System Seller na 3ª geração deixou de ser apenas uma boa conversão de arcade e passou a representar algo muito maior: a reconstrução da confiança nos videogames domésticos.
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Depois da crise do mercado de videogames no início dos anos 1980, a Nintendo não vendeu só um console. Com o NES/Famicom ele vendeu a ideia de que os videogames ainda tinham futuro. Nesse grande Reset, Super Mario Bros. virou praticamente sinônimo de jogar videogame, enquanto The Legend of Zelda e Dragon Quest mostraram que os cartuchos podiam guardar mundos, jornadas longas e memórias afetivas muito mais profundas.
Ao mesmo tempo, o Master System ocupou um espaço curioso. Ele não conseguiu bater a Nintendo no centro do mercado global, mas criou uma identidade muito forte em regiões como Europa e aqui no Brasil. Alex Kidd, Phantasy Star, Castle of Illusion e Sonic provaram que o console da Sega tinha personalidade, mascote e força técnica de sobra. No fundo, essa foi a geração em que os System Seller deixaram de vender conversões de máquinas e começaram a vender propostas que já nasceram para o lar.
Nintendo Entertainment System / Famicom (o “Nintendinho”)
- Super Mario Bros. (1985): O maior System Seller da história da indústria. Ele não apenas vendeu o NES; ele ressuscitou o mercado inteiro. A rolagem de tela fluida, o controle preciso e o carisma do encanador convenceram os lojistas americanos a voltarem a vender videogames e as crianças a implorarem pelo console. Vinha no pacote com o aparelho e tornou-se sinônimo de videogame.
- The Legend of Zelda (1986): Sem dúvida, um marco revolucionário. Pois, foi o primeiro cartucho de console de mesa a incluir uma bateria interna para salvar o progresso e vinha em uma icônica carcaça dourada. Além disso, a promessa de um mundo aberto gigantesco para explorar livremente fez milhões de pessoas comprarem o NES para viver aquela aventura detalhada.
- Dragon Quest III (1988): Um fenômeno social e cultural sem precedentes no Japão. O hype para o lançamento de Dragon Quest III no Famicom foi tão violento que milhares de estudantes e trabalhadores faltaram aos seus compromissos para fazer fila nas lojas, forçando o governo japonês a criar uma diretriz determinando que os jogos da franquia só poderiam ser lançados aos finais de semana. Ele fez o Famicom atingir níveis de saturação de mercado absurdos no Japão.
- Super Mario Bros. 3 (1988): Esse, sem dúvida, foi o ápice absoluto da era 8-bits. Lançado com uma campanha de marketing hollywoodiana (incluindo o filme The Wizard / O Gênio do Videogame nos EUA), ele vendeu mais de 17 milhões de cópias avulsas. Ele redefiniu o que o hardware do NES era capaz de fazer e motivou uma enxurrada tardia de vendas do console para quem ainda resistia à Nintendo.
Sega Master System
- Alex Kidd in Miracle World (1986): O primeiro grande mascote da Sega nasceu como uma resposta direta ao fenômeno Mario. Além disso, o jogo virou um dos principais cartões de visita do Master System. Suas mecânicas criativas, como os veículos e o clássico pedra, papel e tesoura, davam personalidade ao pacote. A partir de 1990, a Sega passou a incluir o título diretamente na memória do aparelho. Por isso, Alex Kidd in Miracle World se tornou a cara do Master System para toda uma geração.
- Phantasy Star (1987): Um dos maiores milagres técnicos da era 8-bits. O jogo usava um cartucho de alta capacidade para a época e entregava labirintos em 3D com rolagem fluida. Além disso, trazia uma história de ficção científica madura, ambiciosa e surpreendentemente profunda. Dessa forma, ajudou a mostrar a superioridade técnica do Master System em vários aspectos. No Brasil, seu impacto foi ainda maior, principalmente por causa da histórica tradução completa para o português feita pela TecToy.
- Castle of Illusion Starring Mickey Mouse (1990): Fruto de um acordo importante entre Sega e Disney, o jogo virou um dos grandes trunfos do Master System. A versão de 8-bits não parecia apenas um port simplificado do Mega Drive. Pelo contrário, ela trazia fases próprias, ritmo cuidadoso e um design muito bem resolvido. Além disso, o apelo de Mickey Mouse ajudou a atrair crianças e famílias. Como resultado, Castle of Illusion se tornou um System Seller poderoso no Brasil e na Europa.
- Sonic the Hedgehog (1991): A Sega lançou o jogo para levar seu novo mascote também ao público que ainda não tinha migrado para os 16-bits. Assim como Castle of Illusion, a versão de Master System foi reconstruída para respeitar os limites do hardware de 8-bits. Ainda assim, o resultado impressionava, com trilha sonora própria, fases exclusivas e ótima identidade visual. Por fim, Sonic the Hedgehog deu uma sobrevida enorme ao Master System no Brasil e na Europa durante o início dos anos 90.
Vale mencionar que, aqui no Brasil, o Master System teve uma vida absurdamente longa graças à Tectoy, e o grande system seller brasileiro foi Mônica no Castelo do Dragão (uma adaptação genial de Wonder Boy in Monster Land).



















