Jogos “system seller” da 6ª geração de consoles

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System Seller na 6ª geração deixou de ser apenas uma estratégia de lançar jogos chamativos e passou a funcionar como avalanche de catálogo.

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O PlayStation 2 não era o console mais poderoso daquela era, mas se tornou o centro da indústria naquela geração.

Por exemplo, Gran Turismo 3 vendia o salto visual, Final Fantasy X vendia RPG cinematográfico, GTA III e San Andreas vendiam liberdade em mundo aberto 3D, Metal Gear Solid 2 vendia futuro técnico e God of War vendia espetáculo brutal. Além disso, o DVD ajudou o console a entrar nas casas como aparelho de entretenimento completo, não apenas como videogame.

Enquanto isso, o Xbox nasceu praticamente pendurado em Halo, mas logo encontrou força em RPGs ocidentais, shooters táticos e na Xbox Live.

O GameCube tinha menos apoio multiplataforma, porém segurava sua identidade com Mario, Zelda e Metroid.

Já o Dreamcast parecia viver alguns anos à frente do próprio mercado, com modem integrado, Phantasy Star Online, Shenmue e conversões de arcade absurdas foram grandes system seller. Mesmo assim, marcou a triste retirada da Sega do mercado de consoles.

Em resumo, a 6ª geração mostrou, novamente, algo simples e ingrato: potência ajuda, inovação chama atenção, mas uma biblioteca irresistível vende console até mesmo após a chegada de uma nova geração.

PlayStation 2

  • Gran Turismo 3: A-Spec (2001): O primeiro grande choque visual da Sony na geração 128-bits. Ver os “reflexos em tempo real” nas carrocerias dos carros e o efeito de calor subindo do asfalto deixou o mundo boquiaberto. Ele vendeu quase 15 milhões de cópias e foi o jogo que convenceu o grande público de que era hora de aposentar o PS1 e comprar o PS2
  • Final Fantasy X (2001): A estreia da franquia nos 128-bits trouxe expressões faciais incrivelmente realistas para a época, cenários de tirar o fôlego e, pela primeira vez na série, dublagem com voz para os personagens. Foi um System Seller avassalador, especialmente no Japão e para os órfãos de RPGs cinematográficos.
  • Grand Theft Auto III (2001): O jogo que mudou a história da indústria para sempre. A Rockstar entregou um mundo aberto 3D vivo, caótico e livre que ninguém sabia que era possível fazer na época. Tornou-se um fenômeno cultural instantâneo e transformou o PS2 em um item obrigatório na casa de qualquer jovem ou adulto.
  • Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (2001): O hype para este jogo foi algo nunca antes visto na indústria. A Konami chegou a vender milhões de cópias de outro jogo (Zone of the Enders) meses antes só porque ele vinha com a demonstração de MGS2. Os gráficos surreais e a física detalhada (como gelo derretendo em tempo real e garrafas quebrando com tiros) eram a prova definitiva do poder do PS2.
  • Grand Theft Auto: San Andreas (2004): O ápice absoluto da era PS2. O mapa era tão gigantesco (três cidades inteiras interligadas por desertos e florestas) e cheio de possibilidades que parecia um milagre rodar no hardware do console. Ele quebrou todos os recordes de vendas e deu uma sobrevida monstruosa ao PS2, motivando uma nova leva gigantesca de vendas do aparelho.
  • Bully (2006): Este jogo virou uma lenda urbana viva no Brasil. Por ter sido proibido pela justiça brasileira em 2008, ele ganhou o status de fruto proibido. Todo mundo queria jogar o “GTA de escola” que passava no jornal da TV. A polêmica ao redor dele foi um combustível violento que fez jogadores comprarem um PS2 só para poder rodar o jogo do Jimmy Hopkins.
  • God of War (2005) & God of War II (2007): A jornada do Kratos foi um divisor de águas por aqui. A brutalidade do combate, a escala dos chefes e o visual inacreditável eram o maior argumento para convencer alguém a finalmente aposentar o PS1. God of War II, lançado em 2007 (quando o PS3 já existia), foi o jogo mais falado nas escolas, locadoras e camelôs. Ele fez uma quantidade massiva de brasileiros comprar o PS2 Slim naquela época porque o PS3 era um sonho completamente inacessível.

Xbox

  • Halo: Combat Evolved (2001): O maior System Seller de lançamento do Xbox. Sem ele, a marca Xbox talvez não tivesse encontrado uma identidade tão forte logo de cara. Além disso, o jogo provou que um FPS podia funcionar muito bem em um controle de console. Com tiroteios precisos, inteligência artificial marcante e multiplayer local viciante, Halo virou o grande motivo para muita gente apostar no primeiro videogame da Microsoft.
  • The Elder Scrolls III: Morrowind (2002): Um divisor de águas para o Xbox. O jogo mostrou que o console podia receber experiências próximas do universo dos PCs. Afinal, rodar um RPG ocidental daquela escala, com tanta liberdade e gráficos impressionantes para a época, parecia algo impensável em muitos consoles. Dessa forma, Morrowind atraiu fãs de RPG que queriam explorar um mundo gigantesco direto na TV da sala.
  • Star Wars: Knights of the Old Republic (2003): Lançado como exclusivo temporário do Xbox nos consoles, o RPG da BioWare virou uma das grandes obras de Star Wars nos videogames. Além disso, sua narrativa cheia de escolhas conquistou tanto fãs da saga quanto jogadores de RPG espacial. Como resultado, Knights of the Old Republic se tornou um dos grandes motores de interesse pelo Xbox em 2003.
  • Tom Clancy’s Rainbow Six 3 (2003): Antes de Halo 2 redefinir o multiplayer online nos consoles, Rainbow Six 3 ajudou a mostrar o potencial da Xbox Live. O jogo usava o headset para comunicação e comandos de voz, o que parecia extremamente avançado na época. Além disso, ele se conectou bem com o público que buscava experiências táticas e competitivas. Junto de jogos como MechAssault, ajudou a formar a comunidade inicial do serviço online da Microsoft.
  • Halo 2 (2004): O fenômeno cultural que consolidou a Xbox Live. Muita gente comprou o Xbox e assinou o serviço apenas para jogar seu multiplayer online. Além disso, o lançamento virou um evento enorme dentro e fora da comunidade gamer. Com partidas competitivas, matchmaking forte e enorme boca a boca, Halo 2 transformou o online em uma das principais armas do Xbox.
  • Fable (2004): Apesar das promessas exageradas de Peter Molyneux, Fable entregou uma das experiências de RPG de ação mais carismáticas da geração. O jogo apostava em escolhas morais, humor britânico, progressão acessível e um mundo cheio de personalidade. Além disso, tinha uma identidade muito própria dentro da biblioteca do Xbox. Por isso, tornou-se um dos grandes vendedores do console no final de 2004.

GameCube

  • Super Smash Bros. Melee (2001): O maior System Seller de GameCube e também o jogo mais vendido da plataforma (mais de 7 milhões de cópias). Dessa forma, ele se tornou o coração competitivo e o maior motivo para qualquer grupo de amigos ter um GameCube na sala.
  • Super Mario Sunshine (2002): Embora divida opiniões, era o “Mario 3D” da geração. Afinal, todo mundo que comprou o console nos primeiros anos precisava desse jogo para estrear o hardware e ver o que ele trazia de novo.
  • The Legend of Zelda: The Wind Waker (2002): Após o choque inicial com o visual “cel-shading”, tornou-se uma obra-prima unânime. Um clássico cult que vendeu consoles massivamente no final de 2002 e início de 2003.
  • Metroid Prime (2002): Sem dúvida, este foi um dos maiores milagres de transição para o 3D da história. Ele atraiu de volta o público mais maduro e hardcore que achava os produtos da Nintendo “infantis”, sendo um system seller vital para o GameCube na América do Norte.
  • Mario Kart: Double Dash!! (2003): Com a mecânica de dois personagens por carrinho e o foco insano no multiplayer local, foi o segundo jogo mais vendido do console. Além disso, garantiu as vendas de Natal de 2003.
  • Resident Evil 4 (2005): Antes de se tornar multiplataforma, Resident Evil 4 nasceu sob o famoso “Capcom Five” como um exclusivo absoluto do GameCube. Os trailers mostrando os gráficos revolucionários (que o PS2 não parecia aguentar na época) fizeram milhares de jogadores comprarem o GameCube no início de 2005 apenas para jogar a obra-prima de Shinji Mikami primeiro.

Dreamcast

  • Sonic Adventure (1998): O grande cartão de visitas do console. Ver o Sonic correndo em 3D em alta velocidade, fugindo de uma orca com gráficos que humilhavam o PS1 e o N64, fez o console bater recordes de vendas no lançamento japonês e americano.
  • Soulcalibur (1999): Um marco histórico dos videogames. Foi a primeira vez que uma conversão caseira ficou melhor e mais bonita do que a versão original do Arcade. Ele foi o motivo pelo qual o Dreamcast teve o lançamento mais bem-sucedido da história dos EUA até então, em setembro de 1999.
  • NFL 2K (1999): Quando a EA se recusou a lançar FIFA e Madden no Dreamcast, a Sega criou a franquia 2K. O primeiro NFL 2K tinha gráficos tão absurdamente realistas para a época que as pessoas nas lojas americanas achavam que era uma transmissão de TV real. Ele salvou o console nos EUA no primeiro ano.
  • Shenmue (1999): O jogo mais caro da história até aquela época. O nível de realismo, liberdade, dublagem e mundo aberto vivo fez as pessoas comprarem o Dreamcast só para experimentar o futuro dos videogames.
  • Resident Evil – Code: Veronica (2000): Lançado originalmente como um exclusivo de peso do Dreamcast, ele abandonava os cenários pré-renderizados por cenários 100% em 3D. Os fãs de Resident Evil correram para o console da Sega para jogar a verdadeira sequência da história de Claire e Chris Redfield.
  • Phantasy Star Online (2000): O Dreamcast vinha com um modem de fábrica, e “PSO” foi o jogo que justificou isso. Ele foi o primeiro RPG online de console de massa da história. Milhares de pessoas compraram o Dreamcast e cabos telefônicos extras só para viver a experiência inédita de jogar com pessoas do mundo inteiro na TV da sala.

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