System Seller na 8ª geração passou a ter dois rostos muito diferentes. De um lado, o PlayStation 4 venceu pelo prestígio de grandes exclusivos single-player. Por exemplo, Bloodborne farmou aura com o público hardcore, Uncharted 4 vendia espetáculo técnico, God of War transformava uma franquia antiga em fenômeno moderno, Spider-Man quebrava a bolha gamer e The Last of Us Part II mostrava que o console ainda podia surpreender no fim da vida.
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Nessa geração, a Sony não vendeu apenas jogos. Ela vendeu a sensação de que o PS4 era aplataforma onde os grandes blockbusters autorais da indústria estavam concentrados.
Do outro lado, o Xbox One sofreu para criar esse mesmo impacto, mas ainda teve forças com Forza Horizon que virou a grande vitrine da marca, Halo e Gears seguraram a comunidade tradicional, PUBG trouxe hype e Sea of Thieves encontrou vida própria no streaming.
Já a Nintendo, no entanto, viveu uma geração partida em duas. O Wii U tinha ótimos jogos, mas pouca tração de mercado. Então, Mario Kart 8, Splatoon e Super Mario Maker funcionaram como provas de conceito para algo maior. E esse algo foi o Switch, que transformou a portabilidade em argumento central e empilhou títulos System Seller de forma absurda: Zelda, Mario Kart, Mario, Smash, Pokémon, Animal Crossing e Monster Hunter.
No final das contas, a 8ª geração mostrou – e mostra até hoje – que não bastava ter bons jogos. É preciso vender uma identidade clara para o console. PlayStation vendeu exclusividade, Xbox vendeu serviços, Nintendo vendeu portabilidade.
PlayStation 4
- Bloodborne (2015): O primeiro grande motivo exclusivo para o público hardcore migrar de geração. Fruto de uma parceria com a FromSoftware, o jogo aproveitou a febre de Dark Souls e levou essa fórmula para um terror gótico brutal, agressivo e único. Além disso, sua exclusividade deu ao PS4 uma aura de plataforma obrigatória para quem buscava desafios intensos. Por isso, Bloodborne virou um dos primeiros grandes símbolos de prestígio do console.
- Uncharted 4: A Thief’s End (2016): A primeira grande vitrine técnica realmente impressionante do PS4. O system seller de 2016, concluia a jornada de Nathan Drake com visuais belíssimos, cenas de ação grandiosas e uma narrativa muito polida. Além disso, mostrou o quanto a Naughty Dog ainda conseguia elevar o padrão de produção da Sony. Dessa forma, Uncharted 4 ajudou a convencer muitos donos de PS3 relutantes de que a geração anterior tinha ficado para trás.
- Horizon Zero Dawn (2017): Uma nova propriedade intelectual que chamou atenção desde o primeiro trailer de gameplay. Controlar Aloy em um mundo aberto dominado por máquinas gigantescas parecia uma ideia fresca, bonita e muito comercial. Além disso, o jogo combinava exploração, combate estratégico e uma direção de arte extremamente marcante. Como resultado, Horizon Zero Dawn reforçou a imagem do PS4 como casa das grandes aventuras single-player.
- God of War (2018): Um terremoto cultural para a marca PlayStation. A reinvenção de Kratos na mitologia nórdica trouxe câmera contínua, combate visceral e uma relação mais humana entre pai e filho. Além disso, o jogo virou um fenômeno enorme no Brasil, onde o “Cleitão” já carregava uma popularidade absurda desde o PS2. Por isso, God of War ajudou muita gente a enxergar o PS4 como uma aquisição necessária naquela geração.
- Marvel’s Spider-Man (2018): Um dos maiores vendedores de hardware exclusivos do PS4. A Insomniac Games entregou uma aventura acessível, cinematográfica e extremamente divertida com o herói mais popular da Marvel. Além disso, balançar por Nova York com tanta fluidez criava uma fantasia imediata, fácil de entender até por quem não acompanhava games. Dessa forma, Marvel’s Spider-Man quebrou a bolha do público tradicional e virou presente de console para muita gente.
- The Last of Us Part II (2020): Lançado sob hype gigantesco e forte polarização, o jogo virou o último grande teste técnico do PS4. A Naughty Dog extraiu um resultado visual impressionante de um hardware já cansado. Além disso, entregou uma narrativa intensa, incômoda e amplamente discutida. Como resultado, The Last of Us Part II movimentou a reta final do console e reforçou o prestígio dos exclusivos da Sony.
- Ghost of Tsushima (2020): O canto do cisne dos grandes exclusivos do PS4. A jornada de Jin Sakai no Japão feudal conquistou o público pela beleza artística, pelo combate elegante e pela atmosfera cinematográfica. Além disso, chegou em um momento perfeito, quando muita gente ainda queria uma última grande aventura antes do PS5. Por isso, Ghost of Tsushima deu ao console uma despedida majestosa e visualmente poderosa.
Xbox One
- Forza Horizon 2 (2014) e Forza Horizon 3 (2016): A franquia Forza Horizon virou uma dos grandes system seller do console da Microsoft naquela geração. O segundo jogo já impressionava, mas Forza Horizon 3, ambientado na Austrália, elevou o padrão técnico e visual da série. Além disso, oferecia uma experiência automotiva em mundo aberto leve, bonita e extremamente divertida. Dessa forma, tornou-se um dos principais motivos para fãs de corrida considerarem o Xbox One.
- Halo 5: Guardians (2015): Apesar de dividir os fãs com sua campanha, Halo 5 entregou um multiplayer forte, fluido e competitivo a 60 FPS. O modo Warzone, em especial, ajudou a vender a ideia de um Halo feito para a nova geração. Além disso, a franquia ainda carregava enorme peso entre jogadores vindos do Xbox 360. Por isso, Halo 5 funcionou como um incentivo importante para a transição de parte dessa comunidade.
- Gears of War 4 (2016): O jogo marcou o início de uma nova fase da franquia sob comando da The Coalition. Ele resgatou a jogabilidade pesada, brutal e visceral que o público do Xbox 360 conhecia tão bem. Além disso, serviu como vitrine técnica para mostrar a continuidade do ecossistema Xbox. Dessa forma, Gears of War 4 ajudou a manter os fãs da série conectados à plataforma.
- PlayerUnknown’s Battlegrounds – PUBG (2017): Antes de Fortnite dominar o mundo, PUBG virou a grande febre do gênero battle royale. A Microsoft garantiu a exclusividade temporária nos consoles e levou o jogo ao Xbox One no fim de 2017. Mesmo com problemas de desempenho no início, a urgência de jogar o fenômeno do momento sem um PC gamer era enorme. Como resultado, PUBG deu ao Xbox One um impulso importante naquele Natal.
- Sea of Thieves (2018): Uma nova propriedade intelectual da Rare que cresceu muito graças ao apelo social. Navegar com amigos, procurar tesouros e improvisar confusões em alto-mar gerava momentos perfeitos para YouTube e Twitch. Além disso, o jogo tinha uma identidade visual forte e fácil de reconhecer. Dessa forma, Sea of Thieves se tornou um grande system seller, ajudando a Microsoft a criar uma comunidade ativa em torno de uma experiência cooperativa diferente.
Wii U
- Super Mario 3D World (2013): O primeiro grande system seller do Wii U. No final de 2013, o console enfrentava uma situação difícil, com vendas abaixo do esperado. Nesse cenário, Super Mario 3D World trouxe o carisma e a precisão do level design da Nintendo em alta definição. Além disso, seu modo cooperativo para quatro jogadores funcionava muito bem para famílias. Por isso, ajudou a dar algum fôlego ao console naquele Natal.
- Mario Kart 8 (2014): O maior System Seller do Wii U. O jogo vendeu mais de 8 milhões de cópias, um número enorme para a base instalada do console. Além disso, trouxe antigravidade, gráficos belíssimos, 60 FPS e pistas extremamente criativas. Como resultado, Mario Kart 8 criou um raro efeito de necessidade no Wii U e convenceu muita gente a comprar o aparelho apenas para jogar com amigos.
- Super Smash Bros. for Wii U (2014): O pilar da comunidade mais dedicada da Nintendo no Wii U. A chegada de Smash Bros. em alta definição, com suporte para até oito jogadores, deu ao console um apelo imediato entre fãs. Além disso, a introdução dos Amiibo ampliou o alcance comercial do pacote. Dessa forma, o jogo tornou o Wii U muito mais atraente para quem acompanhava a Nintendo de perto.
- Splatoon (2015): Uma das maiores surpresas da Nintendo na década. Criar uma nova franquia de tiro em terceira pessoa, focada em multiplayer online, parecia um risco enorme. No entanto, a mecânica de pintar o cenário para dominar território trouxe uma identidade própria e muito acessível. Além disso, o visual colorido e a força no Japão ajudaram a transformar Splatoon em fenômeno. Por isso, o jogo oxigenou o Wii U em 2015.
- Super Mario Maker (2015): O jogo que finalmente deu ao GamePad uma função quase perfeita. Usar a tela de toque para criar fases de Mario parecia natural, simples e brilhante. Além disso, jogar criações absurdas de pessoas do mundo todo virou combustível para YouTube e Twitch. Como resultado, Super Mario Maker gerou enorme desejo entre fãs criativos e ajudou o Wii U em sua reta final.
Nintendo Switch
- The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017): O jogo que vendeu a própria identidade do Switch no lançamento. Ele provou, de forma imediata, a fantasia de jogar uma aventura gigantesca na TV e continuar no modo portátil. Além disso, reinventou a fórmula de Zelda com liberdade, física sistêmica e exploração orgânica. Por isso, Breath of the Wild virou o argumento perfeito para comprar o console logo no primeiro dia.
- Mario Kart 8 Deluxe (2017): O jogo obrigatório do Switch desde os primeiros meses. Mesmo sendo uma versão expandida de um título do Wii U, ele funcionava como o pacote definitivo de diversão social. Além disso, o console híbrido combinava perfeitamente com corridas rápidas, multiplayer local e partidas em qualquer lugar. Dessa forma, Mario Kart 8 Deluxe quebrou a ideia de que ports não vendem hardware.
- Super Mario Odyssey (2017): O grande pilar do primeiro Natal do Switch. Enquanto Zelda vendia liberdade e descoberta, Odyssey entregava cor, carisma e nostalgia em um Mario 3D de peso. Além disso, Cappy ampliava as possibilidades de exploração sem afastar o público casual. Por isso, o jogo consolidou o Switch como uma plataforma completa ainda em seu primeiro ano.
- Super Smash Bros. Ultimate (2018): O maior evento crossover da história dos videogames. A promessa de reunir todos os personagens anteriores da franquia criou um apelo emocional gigantesco. Além disso, cada novo anúncio de lutador parecia um evento dentro da própria cultura gamer. Como resultado, Super Smash Bros. Ultimate virou um motivo muito forte para fãs de Nintendo e de jogos competitivos comprarem o Switch.
- Pokémon Sword / Pokémon Shield (2019): A primeira geração principal de Pokémon feita para o console híbrido da Nintendo. O jogo carregava a missão de levar uma base gigantesca de fãs para o Switch. Além disso, a ideia de jogar uma aventura principal da série na TV ou no modo portátil tinha enorme força comercial. Dessa forma, Sword e Shield ajudaram a transformar o Switch no novo lar definitivo da franquia.
- Animal Crossing: New Horizons (2020): Um dos maiores casos de encontro perfeito entre timing histórico e software. Lançado no início da pandemia, o jogo ofereceu rotina, acolhimento e conexão social em um momento de isolamento global. Além disso, sua proposta tranquila alcançou pessoas que normalmente não acompanhavam videogames. Por isso, Animal Crossing: New Horizons expandiu a base do Switch muito além do público tradicional.
- Monster Hunter Rise (2021): Um dos grandes motores do Switch no mercado asiático. A Capcom combinou a jogabilidade consagrada de caça com a portabilidade que a série sempre aproveitou tão bem. Além disso, as novas mecânicas de movimentação deixaram a experiência mais ágil e moderna. Como resultado, Monster Hunter Rise atraiu fãs órfãos dos portáteis e reforçou a força do console no Japão.
- The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom (2023): O último grande system seller do Switch em sua fase madura. A sequência de Breath of the Wild chegou com enorme expectativa e mostrou que o console ainda podia gerar momentos gigantescos. Além disso, suas mecânicas de construção e experimentação reacenderam a conversa em torno do hardware. Dessa forma, Tears of the Kingdom impulsionou o interesse tardio pelo Switch e coroou a geração com enorme prestígio.















