Chorão: Marginal Alado é um documentário que conta um pouco mais sobre a vida e a carreira do cantor brasileiro Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como Chorão.

Além de depoimentos sobre sua vida pessoal e profissional e imagens de arquivos da banda, o filme acompanha a história do “frontman” e consequentemente de uma das bandas mais importantes do cenário nacional.

Desde os anos 90, quando o Charlie Brown Jr. lançou o primeiro álbum e despontou nas rádios, Chorão viveu anos intensos de sucesso, mas também repletos de polêmicas, até sua morte prematura aos 43 anos, causada por uma overdose de drogas.

Chorão
Imagem: Charlie Brown Jr./ Reprodução

A banda se tornou o símbolo de uma geração e o retrato do rock moderno brasileiro, e grande parte disso se deve ao talento, o trabalho e a determinação do cantor.

Em julho de 2015, um levantamento do Deezer revelou que o Charlie Brown Jr. era a segunda banda brasileira de rock mais ouvida no exterior, atrás apenas do Sepultura.

No mesmo ano, a Billboard Brasil divulgou uma lista com 47 bandas e artistas brasileiros, na qual o Charlie Brown Jr. estava na 31ª posição.

Além de cantar sobre amor e paz, suas músicas também influenciaram os jovens a pensar politicamente sobre sua posição na sociedade. A atitude e a personalidade de Chorão, fizeram dele uma figura muito marcante na música.

O cantor/compositor/produtor tinha o talento de colocar sentimentos em palavras de uma maneira simples e impactante, somados a um ritmo diferenciado e um estilo que dificilmente veremos novamente.

Em março de 2013, todos nós fomos surpreendidos com a terrível notícia sobre o falecimento do vocalista que liderou uma das maiores bandas de rock do Brasil e foi responsável por movimentar uma geração inteira de rockeiros e skatistas.

Oito anos depois de sua morte, chega à público o documentário que irá mostrar mais detalhes sobre a vida e a carreira de Alexandre Magno Abrão, com base em imagens do acervo pessoal do músico, gravações inéditas e declarações de familiares e amigos.

Nomes como Champignon, Digão (Raimundos), Zeca Baleiro, Marcelo Nova, João Gordo Rick Bonadio e Serginho Groisman, são presenças garantidas no longa que conta com cerca de duas horas de duração, mesclando depoimentos e várias cenas resgatadas dos bastidores das turnês.

Charlie Brow Jr.
Imagem: Charlie Brow Jr./ Reprodução

A realidade sobre os passos de Alexandre, como artista e como pessoa, também é melhor explorada no filme, além de toda a luta do artista para realizar seu grande sonho e levar o Charlie Brown Jr. ao sucesso grandioso que a banda conquistou.

Um documentário honesto

Na verdade, Chorão: Marginal Alado é uma obra bastante verdadeira que não tenta colocar o cantor em um pedestal, mas traz a realidade vivida por ele e pela banda, reproduzindo os bons e os maus momentos.

Uma pessoa peculiar e preocupada com o bem-estar daqueles que o cercavam, ao mesmo tempo que era extremamente agressivo com quem não concordava com seu ponto de vista.

O desejo de Alexandre Magno em encontrar a perfeição profissional, era diretamente proporcional ao enorme desgaste físico e mental que ele encarou em seus últimos anos de vida.

O documentário conta a história que os fãs já conhecem, mas com a intenção de mostrá-lo como uma pessoa real, com qualidades, defeitos e uma fúria incontrolável que era demontrada em suas criações.

O enredo segue uma espécie de narrativa com início, meio e fim bem marcados, mostrando o Chorão músico e o Chorão “Alexandre”, uma pessoa difícil de lidar, com um temperamento explosivo, que conversava com a figura carismática que era conhecida dos palcos.

Graças ao conteúdo de vídeos caseiros, conseguimos ter uma boa noção de como era intensa a pressão que o artista colocava sobre si mesmo e sobre sua equipe, e como realmente era complicado trabalhar com ele.

Chorão- Charlie Brow Jr.
Imagem: Chorão- Charlie Brow Jr./ Reprodução

Chorão: Marginal Alado leva a assinatura do diretor Felipe Novaes, com produção de Hugo Prata e Fábio Zavala, e está disponível desde 08 de abril nas plataformas de streaming NOW, Google Play, Apple TV, Vivo Play, Looke e Youtube.

O longa é uma produção da Bravura Cinematográfica, com coprodução da MTV e distribuição da O2 Play.

A obra ganhou o título de Melhor Documentário Nacional no Voto Popular na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2019, sendo que no mesmo ano, também participou do Festival do Rio.

Chorão: Marginal Alado foi o filme mais assistido no Brasil nas plataformas digitais no fim de semana de estreia e atingiu a primeira posição das plataformas digitais, superando grandes lançamentos internacionais e produções indicadas ao Oscar 2021.

A história do Chorão e do Charlie Brown Jr.

Em 1987, o paulistano Alexandre Magno Abrão de 17 anos mudou-se para Santos, no litoral de São Paulo. A partir daí passou a se interessar pela prática do skate e acabou tendo uma entrada repentina no cenário musical.

Um belo dia, em um dos bares da cidade, Chorão substituiu o vocalista de uma banda quando ele precisou ir ao banheiro. Uma pessoa que estava plateia, ao vê-lo cantar, fez um convite para integrar sua banda.

Chorão
Imagem: Chorão/ Reprodução

Em 1990, Champignon, que na época tinha apenas 12 anos, foi apresentado a Chorão por músicos conhecidos que frequentavam o mesmo estúdio que ele, e os dois acabaram formando uma banda chamada What’s Up.

Não existem registros do What’s Up na internet, mas o grupo fazia um som que misturava thrash-metal e hardcore-punk. As letras eram em inglês e a pegada era parecida com Biohazard e Suicidal Tendencies.

Chorão e Champignon decidiram convidar o baterista Renato Pelado, que já vinha de outros projetos e mais tarde Marcão e Thiago Castanho completariam a primeira formação da banda, que ainda não tinha um nome.

Desta fase, só existe um VHS de péssima qualidade, que foi divulgado pelo guitarrista Marcão em 2017.

“trata-se de imagens da gravação do primeiro videoclipe do grupo, gravado de forma independente, que chegou a ser lançado, mas “se perdeu no tempo”.

O nome Charlie Brown Jr. só seria oficializado em 1992, quando Chorão, inspirado em um incidente onde atropelou uma barraca de água de coco com o desenho do Charlie Brown.

O “Júnior” foi acrescentado (nas palavras do próprio Chorão) “pelo fato de sermos filhos de uma geração rockeira”, inspirado por bandas da cena na época, como Raimundos, O Rappa, Nação Zumbi, e Planet Hemp.

O sucesso da banda

Por volta de 1993, a banda começou a se destacar na cena de Santos e sempre que tocava em casas noturnas, Champignon precisava levar uma autorização judicial por ser menor de idade.

Chorão então procurou o produtor Rick Bonadio, que na época era presidente da Virgin Records no Brasil e lhe entregou uma demo chamada “Charlie Brown Jr.”, contendo 3 faixas que viriam a ser gravadas no primeiro álbum da banda.

Em 1997 eles lançaram “Transpiração Contínua Prolongada”, que foi produzido por Tadeu Patolla e Rick Bonadio com o selo Virgin.

O disco que contava com sucessos como “O Coro Vai Comê!”, “Proibida pra Mim” e “Quinta-Feira”, vendendo cerca de 500 mil cópias e sendo muito bem recebido pelas rádios.

A primeira aparição da banda na TV, ocorreu no dia 24 de junho de 1997, no Programa Livre do SBT, que era apresentado na época por Serginho Groisman.

Logo após o lançamento do segundo álbum em 1999 chamado “Preço curto… Praso Longo”, a canção Te Levar foi escolhida para ser tema do seriado “Malhação”, na Rede Globo, fazendo com que a banda ganhasse mais espaço na mídia.

Em 1998, após ver um show do RZO, Chorão fez um convite ao grupo de Rap para participar do terceiro disco do Charlie Brown Jr. que se chamaria Nadando com os Tubarões.

Este álbum tem uma sonoridade bem carregada que se aproxima muito mais do Hip Hop, com algumas letras refletindo o momento delicado pelo qual Chorão estava passando, devido à recente morte do seu pai.

Já sem o guitarrista Thiago Castanho a banda laçou o álbum 100% Charlie Brown Jr. – Abalando a sua Fábrica, que também continha faixas que caíram rapidamente no gosto popular como, “Hoje eu Acordei Feliz”, “Lugar ao Sol”, “Sino Dourado” e “Como Tudo Deve Ser”.

Bocas Ordinárias, o quinto álbum lançado em 2002, se apropriou de uma expressão lusitana, devido ao sucesso do grupo nos shows realizados em Portugal.

Dessa vez eles optaram por uma sonoridade mais limpa, diferentemente do disco anterior, mas também emplacaram sucessos nas rádios como “Papo Reto” e “Só por Uma Noite”.

Em 2003, o Charlie Brown Jr. gravou seu Acústico MTV que foi uma grande celebração com grandes convidados. O álbum contou novamente com a participação de Negra Li em “Não é Sério”, além de Marcelo Nova em “Hoje” e Marcelo D2 em “Samba Makossa” de Chico Science.

O disco foi marcado pelo grande sucesso de vendas e curiosamente, foi gravado enquanto a banda estava no auge da carreira, quebrando a tradição dos acústicos da MTV em retomar carreiras de artistas um tanto quanto “esquecidos” pelo público.

As brigas e a separação do Charlie Brown Jr.

Os primeiros boatos de desentendimentos entre os integrantes, começavam a ser noticiados pela mídia e Segundo Lampadinha (o produtor da banda na época) Chorão e Champignon já vinham tendo sérios desentendimentos desde 1999.

E quem não se lembra da rixa entre Chorão e Marcelo Camelo que começou depois de uma entrevista onde o integrante do Los Hermanos falou mal do Charlie Brow Jr. Em um aeroporto de Fortaleza, Camelo teria se aproximado de Chorão na sala de desembarque, que o agrediu.

Chorão
Marcelo Camelo

Realmente a banda vinha passando por problemas e isso pode ser percebido até mesmo no encarte do álbum Tamo Aí na Atividade que foi lançado em 2004 e não trouxe nenhuma foto dos integrantes juntos.

Além disso, não houve data marcada para o lançamento do disco em São Paulo, algo realmente inédito. Esse show só viria a acontecer quase 4 meses depois, sendo que o clipe da música “Champagne e Água Benta” foi gravado apenas por Chorão.

Em abril de 2005, veio o anúncio de que todos os músicos estavam deixando o grupo, alegando divergências contratuais. Em nota, o guitarrista Marcão, o baixista Champignon e o baterista Renato Pelado disseram estar saindo por “divergências de ideias profissionais”.

Nas palavras do próprio Champingnon:

O lance da banda foi um desentendimento com o empresário PIPO, e o Chorão comprou a dele… Sou fundador do CBJr. também, mas se ele quer falar que foi ele, foda-se foi ele, então… Ele falou no Faustão que faz 100% de tudo e isso é um desrespeito com o Marcão, comigo e com o Pelado. 

Porém, Chorão contrariou todas as expectativas de término da banda, surgindo com uma nova formação. Thiago Castanho, guitarrista que fez parte dos três primeiros discos da banda, retornou ao grupo que recebia também o baterista André Luís Ruas conhecido como Pinguim e o baixista Heitor Gomes.

O oitavo álbum do Charlie Brown Jr. e primeiro com a nova formação chamado Imunidade Musical, foi lançado em 2005. No mesmo ano houve também o lançamento do DVD Skate Vibration, que mostrava a banda se apresentando em campeonatos de skate e imagens feitas nas gravações em estúdio.

Imunidade Musical se tornou um álbum emblemático na trajetória do CBJr. por estabelecer uma nova sonoridade para a banda. A canção “Lutar pelo que É Meu” substituiu “Te Levar” na abertura do seriado Malhação, de abril de 2006 até outubro de 2007.

Ritmo, Ritual e Responsa trouxe 22 faixas inéditas e uma bônus, chegando às lojas em setembro de 2007. O álbum possui letras de forte apelo urbano, com direito a elementos eletrônicos e a influência marcante do rap.

Depois de sete anos na EMI, a banda mudou para a gravadora Sony Music e voltou a ser produzida por Rick Bonadio, lançando em setembro, o álbum Camisa 10- Joga Bola até na Chuva.

Este é o primeiro disco com o novo baterista Bruno Graveto e possui a canção “O Dom, a Inteligência e a Voz” feita a pedido de Cassia Eller. Chorão escreveu a música para entrar no disco que a cantora iria começar a gravar em 2002.

No início de 2011, a banda gravou um CD e DVD ao vivo em São Paulo. Problemas na organização do evento levaram a um rompimento com a gravadora Sony Music e a banda passou a trabalhar de maneira independente.

A volta da formação original

No Viradão Carioca em maio de 2011, Chorão disse que tinha uma surpresa e chamou Marcão ao palco, selando oficialmente a volta do guitarrista.

Em julho o contrato com Heitor Gomes foi encerrado e com isso, Champignon voltava ao grupo, surpreendendo os fãs com um vídeo onde ele dizia:

“Voltei pra ficar! Aqui é minha casa!”

Eles decidiram refazer o show, que foi batizado de Música Popular Caiçara e gravado em Santos e Curitiba, contando com as participações especiais de Marcelo Falcão, Marcelo Nova e Márcio Mello.

Gravado de maneira independente, o DVD foi lançado em maio de 2012 com distribuição pelo selo Radar Records, em comemoração aos vinte anos de carreira do grupo. Porém, durante um show em Apucarana, Chorão e Champignon voltaram a se desentender.

A briga virou notícia na mídia, após um fã divulgar o vídeo no YouTube e com a repercussão negativa do ocorrido, os dois decidiram gravar um pedido oficial de desculpas, reafirmando sua amizade.

Chorão
Imagem: Chorão e Champignon/ Charlie Brown Jr.

As mortes de Chorão e Champignon e seu legado

Na madrugada do dia 6 de março de 2013, Chorão foi encontrado morto em seu apartamento, localizado na zona oeste da cidade de São Paulo. A morte do vocalista teria sido causada por uma overdose de cocaína.

Poucos dias antes de Chorão morrer, a banda havia divulgado o novo single intitulado “Meu Novo Mundo”, que seria lançado no próximo álbum da banda. A canção foi apresentada no dia 28 de fevereiro, em uma visita ao estúdio da rádio 89FM, em São Paulo.

Na semana da morte do Chorão, o Charlie Brown Jr. dominou todas as listas de compras eletrônicas no Brasil. No top 10 das músicas mais adquiridas da semana, a banda apareceu em nove das 10 posições.

Em abril o baixista Champignon confirmou que os integrantes iriam formar uma nova banda chamada A Banca onde ele próprio assumiria os vocais, com a entrada de Lena Papini para o contrabaixo.

A Banca
Imagem: A Banca/ Altas Horas

A primeira apresentação da banda foi no programa de TV Altas Horas gravado no dia 11 de abril de 2013, sendo que A Banca foi confirmada também como uma das atrações do festival João Rock 2013. Porém no dia 9 de setembro daquele ano, Champignon se suicidou em sua residência com um tiro.

O 12° álbum do Charlie Brow Jr. que já tinha sido gravado antes da morte do Chorão, foi lançado em outubro de 2013 pela Som Livre, após seu lançamento oficial em setembro ter sido adiado pela morte de Champignon.

Seu nome é La Família 13 e tem a ver com o DDD da cidade de Santos, que é o 013. Com as mortes de Chorão e Champignon o álbum acabou ganhando bastante visibilidade no cenário nacional, contando com os hits “Meu Novo Mundo” e “Um Dia a Gente Se Encontra”.

Muita fama e sucesso, mas também muitas brigas, confusões e um final extremamente trágico, para uma banda que se tornou uma das maiores do Brasil.

A verdade é que o estilo único do Charlie Brown Jr. e as letras do Chorão, eram sinceras e ganhavam ressonância por conversar diretamente com os jovens da época.

E aí galera, depois de todas essas informações e curiosidades sobre Chorão: Marginal Alado bateu aquela vontade de assistir o documentário na integra não é mesmo? Então não deixe de conferir essa obra do cinema nacional no YouTube, clicando aqui!!

Continue acompanhando nossas análises e ajudando nossa equipe a crescer cada vez mais!!!

Seja avisado
Me avise sobre
guest
0 Comentários
Comentários de trechos do post
Ver todos os comentários