Quem comprou o PlayStation 5 no lançamento acaba de receber uma novidade que, até pouco tempo atrás, parecia reservada ao PS5 Pro. A Sony anunciou o QSSR, sigla para Quick Spectral Super Resolution, um novo sistema de reconstrução e upscaling de imagem baseado em inteligência artificial para o PS5 base.
A tecnologia nasceu do Project Amethyst, parceria entre Sony e AMD voltada ao desenvolvimento de soluções gráficas com IA. Segundo a companhia, o QSSR deriva da tecnologia usada pela PSSR do PS5 Pro, mas foi redesenhado para trabalhar dentro das limitações computacionais do console lançado em 2020.
Como o QSSR funciona no PS5?
A ideia é semelhante à de tecnologias modernas de reconstrução de imagem. Em vez de depender exclusivamente da resolução nativa, o jogo pode renderizar uma imagem interna mais leve e reconstruí-la posteriormente com maior riqueza de detalhes.
Isso permite que os desenvolvedores economizem recursos da GPU e direcionem essa margem para taxa de quadros, iluminação, efeitos ou outros elementos visuais. O desafio, contudo, era fazer uma rede neural desse tipo funcionar no PS5 base sem os recursos adicionais disponíveis no modelo Pro.
Para chegar lá, a Sony criou uma arquitetura de rede neural simplificada e uma implementação ajustada manualmente para aproveitar o hardware do console. Segundo a empresa, o resultado traz ganhos perceptíveis em nitidez, detalhes finos e estabilidade da imagem.
Na prática, isso pode ajudar a reduzir serrilhados, cintilação e aqueles pequenos elementos que parecem “tremer” durante movimentos de câmera.
Entretanto, existe uma distinção importante. A própria Sony continua tratando a PSSR como sua solução de referência para o PS5 Pro. Portanto, o QSSR não transforma o PS5 convencional em um PS5 Pro.
Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei estreiam o recurso
Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei são os primeiros títulos compatíveis. Ambos receberam uma atualização em 1º de outubro com o QSSR disponível como opção gráfica adicional no PS5.
A Insomniac destacou ganhos de nitidez e estabilidade em áreas densas de Wolverine, incluindo Madripoor e Shinjuku. Já a Sucker Punch afirma que o sistema melhora principalmente a reconstrução dos personagens e cenários de Ghost of Yōtei.
Isso também esclarece um ponto importante: não estamos falando de uma melhoria automática aplicada a qualquer jogo. Cada estúdio precisa implementar suporte à tecnologia em seus jogos.
QSSR pode ganhar espaço na reta final da geração
A boa notícia é que a Sony disponibilizará a biblioteca para todos os desenvolvedores parceiros da PlayStation. Portanto, estúdios third-party também poderão integrar o recurso aos seus jogos futuramente.
O movimento chega em um momento interessante. Conforme os jogos ficam mais pesados, técnicas de reconstrução se tornaram cada vez mais importantes para equilibrar qualidade visual e desempenho.
O QSSR não faz mágica. Porém, se entregar resultados consistentes, pode diminuir parte da distância visual entre PS5 e PS5 Pro sem exigir uma troca de hardware.
Para quem permaneceu no modelo base, conseguir imagem melhor sem comprar outro console é uma atualização muito bem-vinda.
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