10 jogos de terror pouco conhecidos para você jogar no Halloween

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Nem todos os grande jogos de terror levam Resident Evil ou Silent Hill no título. Para este Halloween, selecionamos dez experiências menos conhecidas, entre clássicos cult e indies, que merecem uma chance.

São jogos capazes de provocar medo, desconforto e, em alguns casos, aquela inquietação que continua depois de desligar o videogame.

O Halloween nunca teve no Brasil o mesmo espaço que o Natal ou o Carnaval. Por aqui, as abóboras iluminadas e as crianças fantasiadas ainda são exceções, não a regra. Entretanto, quem gosta de terror sabe que 31 de outubro é uma bela desculpa para transformar a sala em um pequeno cinema de pesadelos.

No Proddigital POP, fazemos questão de reservar esse espaço aos apaixonados pelo gênero. Afinal, não precisamos esperar que a data vire tradição nacional para celebrar histórias assustadoras, criaturas grotescas e mundos que desafiam nossa coragem.

Nossa lista do ano passado trouxe títulos conhecidos, mas agora a proposta é outra: encontrar tesouros escondidos.

Garimpamos obras que conquistaram a comunidade, seja por avaliações excelentes, seja por uma reputação cult construída ao longo dos anos. Tem relíquia de GameCube, raridade de PS2 e indie recente que prova como o terror continua criativo.

1. Eternal Darkness: Sanity’s Requiem (2002)

Gameplay de Eternal Darkness: Sanity’s Requiem

Muito antes de o terror psicológico virar tendência entre desenvolvedores independentes, Eternal Darkness já brincava com a percepção do jogador. Lançado exclusivamente para GameCube, o título da Silicon Knights continua sendo uma das experiências mais ousadas da geração.

A história começa quando Alexandra Roivas investiga a morte misteriosa do avô. Entretanto, a trama logo atravessa séculos e apresenta diferentes personagens envolvidos em uma conspiração sobrenatural.

O grande espetáculo é o sistema de sanidade. À medida que os personagens sofrem abalos psicológicos, o jogo provoca alucinações, distorce imagens e até simula problemas com a própria experiência de jogar. Em certos momentos, você passa a desconfiar da televisão tanto quanto dos monstros.

Não foi uma curiosidade passageira. Eternal Darkness alcançou 92 pontos no Metacritic e ainda preserva uma nota elevada entre os usuários. É daqueles clássicos que envelheceram visualmente, mas continuam surpreendentemente modernos nas ideias.

2. Obscure (2004)

Trailer de Obscure

Imagine reunir Resident Evil, filmes adolescentes como Pânico e uma escola norte-americana tomada por criaturas obscuras e uma conspiração bizarra. O resultado é Obscure, um dos jogos de terror mais curiosos da sexta geração.

Desenvolvido pelo estúdio francês Hydravision, o survival horror chegou ao PS2, Xbox e PC em 2004.

Tudo começa com desaparecimentos misteriosos na escola Leafmore. Um grupo de estudantes resolve investigar, mas logo descobre que os corredores escondem algo muito pior que provas difíceis e professores mal-humorados.

Porém, existe um diferencial que continua divertido: a possibilidade de jogar a campanha em cooperativo local. Em vez de enfrentar o pesadelo sozinho, você pode dividir o sofá e as decisões ruins com outra pessoa. Aliás, poucos survival horrors daquela época ofereciam essa experiência com tanta naturalidade.

A jogabilidade envelheceu muito bem, especialmente no combate e na movimentação. Além disso, sua personalidade permanece intacta com uma trilha sonora espetacular de Olivier Deriviere.

Na Steam, Obscure mantém aprovação superior a 90% nas avaliações em inglês, prova de que a comunidade não esqueceu a turma de Leafmore.

3. Haunting Ground (2005)

Gameplay de Haunting Ground

Haunting Ground mostra como é desesperador ser perseguido quando você praticamente não tem condições de reagir. Lançado pela Capcom para PS2, tornou-se um dos casos mais interessantes de redescoberta do terror japonês.

Você controla Fiona Belli, uma jovem que desperta em um castelo após um acidente. Sem entender o que aconteceu, ela precisa escapar de habitantes ameaçadores e desvendar os segredos daquele lugar. Felizmente, Fiona encontra Hewie, um pastor-alemão que se torna seu companheiro inseparável.

O cachorro não é um simples acessório. É necessário conquistar sua confiança, dar comandos e contar com sua ajuda para resolver problemas e afastar perseguidores. Enquanto isso, o pânico de Fiona afeta suas reações, tornando cada fuga ainda mais angustiante.

Na época, a recepção da crítica foi dividida. Entretanto, os fãs passaram a valorizar sua atmosfera, suas ideias e a relação entre Fiona e Hewie. Hoje, a nota dos usuários no Metacritic chega a 8,7, bem acima da avaliação da imprensa especializada.

E quem não tem PS2 ou GameCube?

É aqui que a emulação entra na conversa. Os avanços de projetos como PCSX2 e Dolphin ajudam a manter vivos títulos sem relançamentos modernos ou de acesso limitado.

Além dos computadores, agora o PS5 desbloqueado ganhou uma cena de emulação cada vez mais interessante.

Como mostramos em nossa matéria sobre o PS5 desbloqueado rodando jogos de Xbox e Nintendo, desenvolvedores independentes estão ampliando as possibilidades do aparelho. Também noticiamos quando o console passou a utilizar discos originais do PlayStation 2 por emulação.

Para os apaixonados por retrogaming, ele começa a parecer um candidato a console definitivo.

Claro, os projetos ainda estão só começando, exigem versões compatíveis do sistema e não garantem funcionamento perfeito em todos os jogos (ainda). Mesmo assim, a possibilidade de reunir tantas gerações em um único console é uma mão na roda.

Mas, recomendamos priorizar sempre os jogos e as cópias obtidos legalmente.

4. Detention (2017)

Gameplay de Detention

Poucos jogos de terror exploram com tanta sensibilidade as inquietações de uma cultura específica quanto Detention. Desenvolvido pelo estúdio taiwanês Red Candle Games, ele mistura sobrenatural, memória e repressão política.

A aventura acontece em uma escola de Taiwan durante a década de 1960, período marcado pela lei marcial. Dois estudantes ficam presos no edifício, agora transformado em um espaço dominado por aparições e acontecimentos inexplicáveis.

Com exploração lateral e enigmas, o jogo utiliza referências ao taoismo, ao budismo e ao folclore local. Aos poucos, o horror se torna mais íntimo e doloroso. Aliás, é o tipo de narrativa que prefere deixar uma cicatriz emocional a simplesmente arrancar um grito.

Não surpreende que tenha conquistado os jogadores. A versão de PC apresenta cerca de 95% de mais de 10 mil avaliações na Steam. Para quem procura um Halloween mais sombrio e reflexivo, Detention é uma escolha difícil de deixar passar.

5. Lost in Vivo (2018)

Gameplay de Lost in Vivo

Existe alguma coisa particularmente assustadora em lugares estreitos, úmidos e escuros. Lost in Vivo entende isso perfeitamente e se destaca entre os jogos de terror que exploram a claustrofobia.

Durante uma tempestade, seu cachorro é levado para dentro de um bueiro. Você entra no sistema de esgoto para resgatá-lo, mas a busca logo assume contornos surreais.

Desenvolvido por KIRA, o estúdio apostou em uma estética tridimensional propositalmente antiga. Entretanto, os gráficos modestos trabalham a favor do medo, escondendo detalhes e deixando sua imaginação completar o que a tela não revela.

O áudio, por sua vez, faz qualquer ruído distante parecer uma ameaça iminente.

Não dá para negar que há influências claras de Silent Hill, mas a experiência encontra uma identidade própria. Com aproximadamente 91% de avaliações positivas na Steam, é uma excelente recomendação para quem deseja terror psicológico sem grandes produções cinematográficas.

6. Mundaun (2021)

Gameplay de Mundaun

Nem todo pesadelo precisa acontecer em um manicômio ou em uma mansão abandonada. Às vezes, basta uma aldeia isolada nos Alpes suíços, cercada por montanhas, segredos antigos e um silêncio desconfortável.

Esse é o cenário de Mundaun, criação de Michel Ziegler, do estúdio Hidden Fields. O protagonista retorna à região após uma tragédia familiar e acaba descobrindo que as histórias locais escondem algo sinistro.

Sua maior particularidade aparece no primeiro olhar: cenários e texturas foram desenhados à mão, lembrando ilustrações feitas a lápis. Por isso, mesmo os lugares aparentemente tranquilos carregam uma estranheza difícil de explicar.

O ritmo é deliberadamente lento, com exploração e quebra-cabeças ocupando boa parte da jornada.

Quem aceitar essa proposta encontrará uma atmosfera raríssima. Na Steam, a aprovação dos jogadores gira em torno de 93%, um excelente resultado para uma obra tão pouco convencional.

7. Who’s Lila? (2022)

Gameplay de Who’s Lila?

Agora chegamos a um dos jogos de terror mais esquisitos desta lista – E isso é um elogio.

Who’s Lila? parece uma investigação simples, mas esconde uma experiência psicológica que desafia até a maneira tradicional de conversar nos videogames.

Na história, o personagem William se torna uma figura importante no desaparecimento de uma garota chamada Tanya Kennedy. Durante os diálogos, porém, você não seleciona frases prontas para responder. Em vez disso, manipula manualmente as expressões do rosto do protagonista para transmitir emoções.

O sistema interpreta essas expressões e altera o rumo das conversas. Ou seja, um sorriso malfeito ou um olhar suspeito pode produzir consequências inesperadas.

A mecânica combina perfeitamente com os cenários inquietantes e a narrativa fragmentada, que lembra o cinema surrealista de David Lynch.

Apesar da proposta incomum, conquistou cerca de 94% de avaliações positivas na Steam. Um verdadeiro “achadinho”, especialmente para jogadores cansados de experiências previsíveis.

8. FAITH: The Unholy Trinity (2022)

Gameplay de FAITH: The Unholy Trinity

Olhe rapidamente para uma imagem de FAITH e talvez você imagine um jogo inofensivo de Atari. Entretanto, basta acompanhar seus primeiros minutos para descobrir como alguns pixels conseguem produzir um terror surpreendentemente intenso.

A história acompanha um jovem padre envolvido em exorcismos, cultos demoníacos e acontecimentos sobrenaturais. A inspiração nos anos 1980 vai além dos gráficos: o jogo recupera a paranoia religiosa da chamada “Satanic Panic” nos Estados Unidos.

O visual minimalista ganha força com animações rotoscopiadas, vozes distorcidas e uma trilha sonora inquietante. Além disso, a simplicidade dos controles deixa cada encontro com o sobrenatural mais direto.

Reunindo três capítulos, The Unholy Trinity conquistou uma comunidade apaixonada. Sua aprovação na Steam fica na faixa de 94% também. É a prova de que tecnologia de ponta nunca foi requisito obrigatório para causar medo de verdade.

9. Crow Country (2024)

Gameplay de Crow Country

Se você sente saudade da época em que cada porta destrancada representava uma pequena vitória, coloque Crow Country na sua lista.

O jogo da SFB Games é uma declaração de amor ao survival horror dos anos 1990.

A história acontece em um parque de diversões fechado após o desaparecimento de seu proprietário. Na pele de Mara Forest, você explora brinquedos abandonados, corredores suspeitos e áreas escondidas enquanto tenta compreender o que aconteceu ali. Naturalmente, o parque guarda segredos muito mais perturbadores que sua aparência sugere.

O visual combina personagens estilizados, cenários retrô e uma direção artística cheia de personalidade. Enquanto isso, os enigmas e a exploração lembram a satisfação de avançar nos primeiros Resident Evil.

Com cerca de 97% de avaliações positivas da Steam, Crow Country conquistou sua reputação por mérito próprio. Entre os jogos de terror independentes recentes, poucos entenderam tão bem o prazer de sentir medo enquanto investigamos cada canto do mapa.

10. Look Outside (2025)

Gameplay de Look Outside

E se o simples ato de olhar pela janela fosse suficiente para condenar alguém? Essa é a premissa de Look Outside, um dos jogos de terror mais criativos e perturbadores dos últimos anos.

Um fenômeno inexplicável transforma pessoas em criaturas grotescas quando elas observam o lado de fora. Preso em um edifício residencial, você precisa explorar apartamentos, encontrar suprimentos e descobrir como sobreviver.

O detalhe mais interessante é a mistura de survival horror com RPG de combate por turnos.

Em vez de depender apenas de reflexos, você administra recursos, avalia riscos e enfrenta dezenas de criaturas com aparências desagradavelmente inventivas. O horror corporal domina a direção de arte e transforma encontros aparentemente comuns em momentos memoráveis.

Desenvolvido por Francis Coulombe e publicado pela Devolver Digital, o jogo chegou em 2025. Desde então, tem acumulado aproximadamente 99% de avaliações positivas na Steam. Se você procura uma descoberta recente para fechar a noite de Halloween, difícil imaginar candidato melhor.

O Halloween também é nosso

Talvez a rua onde você mora não tenha decorações, crianças pedindo doces ou, nem mesmo uma festinha à fantasia. No Brasil, o Halloween ainda disputa espaço com tradições muito maiores.

Contudo, isso nunca impediu os fãs de terror de criar seus próprios rituais.

Para alguns, a comemoração pede um filme antigo e uma tigela de pipoca. Para outros, significa esperar anoitecer, colocar os fones e enfrentar um jogo que estava largadão na biblioteca. E existe uma satisfação especial em descobrir que aquele título desconhecido oferece mais personalidade que muitos lançamentos milionários.

Nossa seleção de jogos de terror atravessa mais de duas décadas porque o medo não pertence a uma geração específica.

Então, neste 31 de outubro, faça um favor a si mesmo: escolha pelo menos um jogo que você nunca ouviu falar. Talvez não seja o mais bonito, nem o mais famoso. Mas pode acabar se tornando aquele pesadelo que você vai querer revisitar todos os anos.

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