Os 12 Macacos se tornou um clássico dos tempos modernos e com certeza merece um olhar crítico diante de sua trama, que se enquadra perfeitamente aos acontecimentos da atualidade, podendo ainda ilustrar os problemas que a humanidade vem causando e suas consequências para o futuro.

O longa se passa em 1935 em um futuro onde as pessoas são obrigadas a viver no subterrâneo por conta de um vírus que se espalhou pelo planeta matando grande parte da humanidade.

Com a possibilidade de voltar no tempo, uma equipe de cientistas envia um detento para uma missão que consiste em descobrir informações que levem ao desenvolvimento de uma cura.

James Cole é escolhido para realizar as viagens no tempo pelo fato de possuir uma excelente memória. Entre os anos de 2035, 1996 e 1990, vemos o protagonista cumprir sua missão e ganhar o perdão da pena, mas o amor pela Dra. Kathryn Railly e o fascínio pela vida antes da epidemia, o fazem desejar ficar no passado.

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Imagem: Os 12 Macacos/ Reprodução

O roteiro de “Os 12 Macacos” foi inspirado pelo fotorromance francês “La Jetée” (A Pista)- 1962 do diretor Chris Marker.

O curta é considerado uma obra prima da Nouvelle Vague, que se trata de um dos movimentos mais relevantes da história do cinema e reúne alguns dos grandes nomes do cinema moderno europeu.

Um fato curioso é que o diretor Terry Gilliam não chegou a assistir ao material antes de assumir o longa. Quando questionado, ele declarou que nunca usa a obra original como referência ao decidir trabalhar em um projeto, por ter medo de se sentir intimidado ou mesmo incapaz.

O longa leva a assinatura dos roteiristas David Webb e Janet Peoples, sendo produzido por Charles Roven e distribuido pela Universal Pictures. Seu lançamento foi em março de 1996 com uma boa recepção da crítica especializada e uma razoável bilheteria que chegou à casa dos R$ 168 milhões.

A produção se destaca por seu design e fotografia que conseguem conciliar a arquitetura clássica em meio a uma tecnologia futurista que aparenta ser improvisada. Ao mesmo tempo, a trilha sonora marcante pontua claramente os momentos de evolução da trama ao decorrer do filme.

Este conceito por sinal funciona muito bem, pois faz com que o enredo complicado se torne mais facilmente digerido pelo público e a história não se torne complexa demais ao ponto de se perder na linhagem dos acontecimentos.

O imponente tango “Suite Punta Del Este” composto por Ástor Piazzolla, traz um tom inesquecível para a trama e se tornou sua marca registrada, assim como as faixas What a Wonderful WorldBlueberry Hill e Sleep Walk, que conseguem ilustrar a carga emocional das diversas viagens ao longo do filme.

Os ângulos de câmera usados pelo diretor intensificam uma sensação de pressa e sufoco, acrescentando severos tons de insanidade em praticamente todas as cenas e não apenas no hospício onde se passa uma parte da história.

O elenco de Os 12 Macacos

A trama central do longa, segue os passos de James Cole, um detento do futuro que é interpretado por Bruce Willis. O ator, que por sinal estava em uma de suas melhores fases, exibe uma ótima performance, conseguindo até mesmo fazer com que fiquemos em dúvida sobre sua sanidade mental.

Este aspecto do personagem é crucial, pois serve para que o público questione se tudo aquilo é real ou meramente um fruto da imaginação de Cole. Nos momentos de brutalidade, temos o bom e velho astro de ação, porém com alguns toques de sensibilidade ao escutar uma música ou mesmo ao lembrar de algo da infância.

Jeffrey Goines por outro lado, serve como contraponto na história e também como uma peça chave para que os plot-twists funcionem.

Jefrey é interpretado por Brad Pitt, que já vinha se consagrando como uma estrela de Hollywood, encarna um personagem que facilmente entra para o hall das figuras mais excêntricas da ficção.

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Imagem: Os 12 Macacos/ Reprodução

O papel rendeu ao galã, um Globo de Ouro e um Saturn Award como Melhor Ator Coadjuvante, além de outros prêmios e uma indicação ao Oscar.

Diz a lenda que para atingir o nível máximo de frenesi exigido pelo diretor, a única técnica que realmente funcionou para o ator, foi ficar sem fumar durante as gravações.

Brad Pitt também trabalhou por um cachê relativamente baixo na época, mas quando o longa foi finalmente lançado, ele já havia se tornado um ator conceituado, em especial, depois dos filme Entrevista Com o Vampiro e Lendas da Paixão, ambos de 1994 e Seven: Os 7 Pecados Capitais de 1995.

Não podemos deixar de falar sobre Madeleine Stowe que da vida à Dra. Kathryn Railly e também merece um lugar de destaque entre as atuações. A atriz encarna uma profissional competente que abraça a racionalidade no início, mas aos poucos vai caindo em contradição ao notar que seus conceitos formados sobre a realidade estão drasticamente abalados.

O elenco de “Os 12 Macacos” ainda conta com Joseph Melito como o Jovem James Cole, Joey Perillo como Detetive Franki, Christopher Plummer como Dr. Leland Goines, Michael Chance como Scarface, Vernon Campbell como Tiny, David Morse como Dr. Peters, Christopher Meloni como Tenente Halperin e ainda Simon Jones, Bill Raymond, Bob Adrian e H. Michael Walls.

Curiosamente o ator Johnny Depp foi cogitado para fazer o papel de Jeffrey Goines e para o papel de James Cole surgiu primeiramente o nome de Jeff Bridges. O diretor já havia trabalhado com Bridges em O Pescador de Ilusões de 1991, mas o estúdio desejava um ator mais famoso para ser o protagonista do longa.

Ironicamente, Bruce Willis havia tentado conseguir o papel principal em O Pescador de Ilusões, mas acabou o perdendo para Jeff Bridges.

Os conceitos utilizados em Os 12 Macacos

Quando falamos do contexto em que “Os 12 Macacos” esta inserido, não podemos esquecer que o filme não se trata simplesmente de uma ficção pós-apocalíptica. Em vários momentos o roteiro discute sobre a loucura humana e como a doença mental pode ser um motivo de exclusão perante a sociedade e seus preceitos.

Para encarnar seu papel, o ator Brad Pitt foi orientado por Laszlo Gyulai, o diretor da unidade de distúrbios bipolares da Faculdade de Medicina da Pensilvânia. O psiquiatra declarou em entrevistas que os filmes e a ficção no geral, retratam de maneira equivocada os pacientes psiquiátricos como sendo lunáticos e descontrolados.

Porém muitas pessoas com problemas mentais não são loucos e nem histéricos, na verdade vários se encontram em estado depressivo ou mesmo com distúrbios de humor e de personalidade.

De alguma maneira, o filme em si, demonstra as facetas do comportamento humano e como o estado mental muitas vezes é condizente com a realidade em que se está inserido.

Na trama também nos deparamos com dois universos que se julgam de alguma forma superiores, porém compartilham dos mesmos desvios de comportamento, com estruturas mantidas pelos que detém qualquer tipo de poder, seja ele científico, bélico ou mesmo financeiro.

O entendimento do paradoxo temporal também é um conceito abordado em Os 12 Macacos e talvez seja uma das principais linhas de raciocínio na construção da trama.

Por mais que se tenha as informações sobre o futuro e as ferramentas para modifica-lo, isto se torna uma missão impossível, pois o curso natural permanece de alguma maneira, fixado na linha temporal.

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Imagem: Os 12 Macacos/ Reprodução

O filme ainda faz alusão ao mito grego da “Profetisa Cassandra” que se tornou uma personagem de destaque na Guerra de Troia por prever os acontecimentos futuros e tentar alertar à sua família e o povo.

No entretanto, a princesa é desacreditada e considerada como louca, devido a um desentendimento que teve com o Deus Apolo. Como consequência, o exército de Troia é vencido e a cidade é destruída e conquistada pelos gregos.

Esse conceito é fortemente utilizado como base para a trajetória de James Cole, que tem a resposta para que a humanidade não entre em colapso, mas é considerado como demente ao tentar descrever apocalipse que está por chegar.

A estética utilizada pelo diretor também é muito marcante e faz referências bastante especiais aos filmes Os Quatro Batutas de 1931, Um Corpo Que Cai de 1958, Um Estranho no Ninho de 1975 e Fuga de Nova York de1981, demonstrando a pluralidade cinematográfica e a predileção de Terry Gilliam por excessos e também a sua capacidade de trabalhar organicamente com eles.

A título de curiosidade, existe ainda uma teoria criada por cinéfilos e fãs do trabalho de Terry Gilliam que consideram Os 12 Macacos como fazendo parte de uma trilogia, embora isso não tenha sido confirmado ou mesmo pensado pelo diretor.

Esta hipótese surge pelo fato do desenho e estilo de produção que alcançarem picos de insanidade na mistura de tecnologias e invenções em todo o cenário de 2035, que guarda muitas semelhanças com os longas Brazil: O Filme de 1985 e O Teorema Zero de 2013.

A série Os 12 Macacos

O filme de 1995 com Bruce Willis e Brad Pitt ainda hoje é um enigma para muitos, pois deixa pontas soltas sobre a realidade em que os personagens estão inseridos, além do tom utilizado pelo inventivo Terry Gilliam, que permite uma gama de interpretações sobre o enredo.

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Imagem: Série Os 12 Macacos/ Divulgação

Isso é melhor trabalhado na série americana, que originalmente estreou em 2015 no canal SyFy e trouxe algumas mudanças na história original, criando novas teorias, novos personagens e novos plots que seguem por quatro temporadas com treze episódios nas duas primeiras e dez e onze na terceira e na quarta.

A série também trabalha com alguns elementos diferentes, nos levando a era medieval, ao velho-oeste americano e aos anos 80, colocando os personagens em situações que funcionam como alívio para o drama e o clima de escuridão no futuro.

Aaron Stanford faz o papel de James Cole e a bela Amanda Schull interpreta a Dr. Cassandra Railly, uma bióloga especialista em disseminação de viral.

O elenco ainda conta com Kirk Acevedo como José Ramse, Noah Bean como Aaron Marker, Todd Stashwick como Theodore Deacon, Emily Hampshire como Jennifer Goines e Barbara Sukowa como Dr.ª Katarina Jones.

O tema viagem no tempo pode ser muito confuso e com certeza essa não é uma série que fala somente sobre isso. Apesar de haver um esforço para costurar todas as linhas temporais, alguns dos fãs do trabalho de Gilliam são enfáticos em dizer que ela descaracteriza o universo idealizado pelo diretor.

A produção é criticada também por conter alguns furos, mas chega a dividir opiniões ao ponto de ser elogiada por alguns críticos e até mesmo sendo considerada por muitos como uma das melhores séries de ficção dos últimos tempos.

E aí, depois de todas as informações e curiosidades sobre o universo de Os 12 Macacos deu aquela vontade de assistir o filme e a série?

Então não marque bobeira!!!

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