Run ou Fuja estreou no catálogo da Netflix no último sábado (02) e chegou fazendo um enorme sucesso entre os assinantes da plataforma. O thriller consegue emplacar um tipo de suspense moderno e compacto, com ótimos elementos do clássico terror psicológico e algumas pitadas de drama familiar.

O filme estava inicialmente programado para chegar aos cinemas em 8 de maio de 2020, coincidindo com o fim de semana do Dia das Mães. No entanto, devido ao avanço da pandemia de Covid-19, a Lionsgate optou por alterar sua estreia.

O estúdio pretendia anunciar uma nova data de lançamento assim que houvesse mais clareza sobre a reabertura dos cinemas. Porém, em agosto de 2020 o Hulu adquiriu os direitos de distribuição e o lançou em novembro do mesmo ano nos Estados Unidos.

A Netflix por outro lado, após comprar os direitos internacionais do filme, optou por disponibiliza-lo somente em 2021. Após o fim de semana de estreia, a Hulu relatou que “Fuja” foi o filme original mais assistido na história da plataforma, bem como o mais comentado no Twitter.

O longa é dirigido por Aneesh Chaganty, muito elogiado por seu trabalho à frente do filme “Buscando…” de 2018, que se tornou um sucesso de público e crítica, tanto por causa da sua apresentação visual única como pelo seu enredo bastante imprevisível.
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Vc já assistiu ao filme Buscando... de 2018? Se sim, qual sua opinião sobre o formato utilizado por Aneesh Chaganty?x

O roteiro de “Fuja” foi escrito pelo próprio Chaganty em parceria com Sev Ohanian, que também atuou como co-roteirista em “Buscando…”, sendo que conta ainda com a produção de Natalie Qasabian e Sev Ohanian, com sua trilha sonora composta por Torin Borrowdale.

Fuja
Imagem: Buscando… de 2018 / Aneesh Chaganty

O diretor consegue emplacar brilhantemente a atmosfera dramática do filme, ao ponto de deixar o espectador extremamente apreensivo. Cada investida da jovem Chloe em tentar desvendar a trama é conduzida de forma sufocante.

É importante não deixar de destacar a participação marcante de Sarah Paulson, que por sinal, vem colhendo excelentes frutos de seu trabalho, tanto no cinema quanto para a TV.

A série Ratched que estreou no final de 2020, foi bastante elogiada, sem contar os importantes prêmios que a atriz já recebeu por seus papeis em “American Crime Story” e como não mencionar “American Horror Story”.

Paulson combina sensibilidade e loucura na medida certa, ao ponto de incitar um ambiente tenso em cada uma das cenas em que se encontra presente. Mesmo antes de descobrimos a verdade sobre a trama, a partir de pequenos sinais, já conseguimos notar algo de errado naquela situação.

Contudo, talvez um dos maiores pontos altos do longa seja a ótima atuação de Kiera Allen no papel da jovem Chloe. A atriz de 22 anos que já havia atuado no filme Ethan & Skye de 2014, entrega um trabalho impecável e rouba a cena em vários momentos.

Uma curiosidade é que ela se tornou a segunda atriz cadeirante a estrelar um filme de suspense na história do cinema, sendo que a primeira foi Susan Peters em 1948 no filme The Sign of the Ram do diretor John Sturges.

Kiera Allen perdeu a mobilidade das pernas em 2014, mas o motivo pelo qual isso aconteceu não foi divulgado.

“Crescendo, a mensagem que recebi do mundo foi: ‘Eu posso fazer isso, há um lugar para mim nisso.’ Então, quando eu me tornei deficiente, eu ainda podia ter minha vida, isso não mudou”

Além de Sarah Paulson como Diane Sherman e Kiera Allen como Chloe Sherman o filme ainda conta com a participação dos atores Pat Healy como carteiro Tom, Sara Sohn como enfermeira Kammy e Sharon Bajer comm Kathy Bates.

Fuja garante boas reviravoltas até seu último segundo e por ter uma trama bem montada e uma narrativa extremamente coerente, se torna alucinado e viciante para quem assiste. Com certeza o longa é uma ótima adição ao catálogo da Netflix e uma obra obrigatória para os fãs do gênero.

O enredo de Fuja

O longa traz como premissa, uma discussão sobre a Síndrome de Münchhausen, um transtorno psicológico em que o indivíduo causa doenças a si mesmo ou a outra pessoa, com intuito de chamar atenção ou gerar empatia.

O mesmo assunto já foi abordado na série The Act, estrelada por Joey King e Patricia Arquette, onde a primeira temporada é baseada na vida de Gypsy Rose Blanchard e no assassinato de sua mãe Dee Dee Blanchard, que foi acusada de abusar da filha, fabricando doenças e deficiências na garota.

The Act
Imagem: The Act/ Divulgação

Porém aqui, a história toma uma proporção diferente, se utilizando de elementos mais sombrios e sádicos, com a intenção de criar um ambiente propício ao terror psicológico e ao clima de suspense.

A trama acompanha Chloe Sherman, uma jovem que sofreu complicações durante o nascimento, acarretando diversos problemas de saúde. Além de estar presa a uma cadeira de rodas, ela necessita de muitos medicamentos que vão desde o controle do diabetes, até arritmia cardíaca e problemas respiratórios.

Sua mãe Diane impõe uma série de rotinas para que a menina estude em casa e tome seus remédios pontualmente. A garota vive com certa dificuldade para realizar as tarefas mais básicas, mas Diane zela assiduamente por seu bem-estar.

Apesar da situação nada favorável, Chloe cresce, se tornando muito inteligente e apaixonada por conhecimento. Mesmo tendo uma intensa rotina de cuidados, a jovem de 17 anos anseia em ser aprovada por uma universidade e seguir com seu futuro normalmente.

Porém, com o passar dos dias, e percebendo que sua mãe está agindo de forma suspeita com uma nova medicação que ela precisa tomar, Chloe começa a se questionar sobre seu real estado de saúde.

A jovem decide começar uma investigação sobre a origem do remédio e sua real indicação terapêutica. Além disso ela começa a suspeitar que sua mãe esteja escondendo as correspondências, sendo que a situação fica cada vez mais estranha.

O cenário se mostra ainda mais caótico, quando ela consegue chegar até a farmácia e acaba descobrindo que o misterioso medicamento que sua mãe vem ministrando, na verdade é um relaxante muscular utilizado em cachorros.

Fuja
Imagem: Fuja/ Reprodução

O longa realmente aposta na imprevisibilidade para contar uma história surpreendente, com vários plot-twists e um excelente ritmo de acontecimentos. O enredo flui com maestria e as revelações se tornam cada vez mais perturbadores neste thriller intrigante e dramático.

A Síndrome de Münchhausen

Além do drama vivido pela jovem Chloe e o terror que ela precisa enfrentar para sair de uma situação absurdamente “sufocante”, o filme levanta uma questão clínica sobre um tipo de transtorno psicológico raro e extremamente perigoso.

A Síndrome de Münchhausen ou Transtorno Factício, é uma condição em que a pessoa simula sintomas ou força o aparecimento de doenças. As pessoas com esse transtorno, inventam enfermidades e frequentemente vão de hospital em hospital em busca de tratamento.

Além disso, os portadores da síndrome, normalmente estudam as práticas médicas, sendo capazes de manipular seus cuidados para serem hospitalizados e submetidos a exames, tratamentos e até mesmo a cirurgias de grande porte.

Síndrome de Münchhause por procuração

Esta variação acontece quando o acometido simula ou cria os sintomas em uma outra pessoa, muitas vezes em crianças com quem tem contato. Essas crianças são frequentemente levadas ao hospital ou submetidas a tratamentos desnecessários.

É importante que seja feita uma avaliação médica para verificar se o paciente possui realmente alguma doença. A recomendação é de que a criança seja afastada da pessoa portadora da síndrome, já que esse tipo de comportamento é considerado abuso infantil.

O tratamento para a Síndrome de Münchhausen varia de acordo com o diagnóstico, isso porque a doença pode ser desencadeada por diferentes fatores psicológicos, como transtornos de ansiedade, de humor, de personalidade e também pela depressão.

Assim, de acordo com a causa é possível iniciar o tratamento mais adequado, podendo ser aplicadas, tanto técnicas de psicoterapia, quanto o uso terapêutico de alguns medicamentos.

Um dos casos de maior notoriedade na mídia, foi a história da garota chamada Gypsy Rose que assassinou sua mãe, Clauddine “Dee Dee” Blanchard em 14 de junho de 2015.

A mulher obrigava sua filha a fingir que estava incapacitada e cronicamente doente, sujeitando-a a cirurgias e medicações desnecessárias, além de vários outros abusos físicos e psicológicos.

Outro caso bem documentado foi o de William McIlhoy, que entrou para o Livro Guinness dos Recordes depois de 400 operações em 100 hospitais diferentes, acumulando um total de US$ 4 milhões em dívidas no processo.

Em sua música de 2002 “Cleaning Out My Closet”, o rapper Eminem, acusa sua mãe de ter síndrome de Munchausen por procuração, no seguinte trecho da letra:

“…indo para clínicas públicas, vítima de síndrome de Munchausen; durante minha vida inteira me fez acreditar que eu estava doente, quando na verdade eu não estava…”

O thriller de suspense e terror psicológico Fuja” se mostrou uma ótima opção para os amantes do gênero e se encontra disponível atualmente através do catálogo de filmes da Netflix.

E aí cinéfilos, depois de todas as informações e curiosidades sobre Fuja”, bateu aquela vontade de conferir o novo filme da Netflix não é mesmo?

Então não marque bobeira!!! Assista agora mesmo!!!

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