Charles Spencer Chaplin mais conhecido como Charlie Chaplin foi um dos maiores atores da era do cinema mudo e serve como referência para artistas e cineastas até os dias de hoje. Ele ficou muito famoso pelo uso da mímica e da comédia pastelão, além de atuar, dirigir, escrever, produzir e financiar seus próprios filmes.

Chaplin é considerado um dos “pais do cinema” ao lado de lendas como Max Linder, os Irmãos Lumière, Georges Méliès e o grande D. W. Griffith, além disso é mencionado por alguns críticos como sendo o maior artista cinematográfico de todos os tempos.

O “ator/ diretor/ produtor” foi um grande mestre da comédia e conseguia fazer rir de uma maneira como poucos cineastas foram capazes em toda a história do cinema americano e mundial.

Charlie Chaplin - Arquivo pessoal
Imagem: Charlie Chaplin/ Arquivo familiar

Ele nasceu em Walworth, um distrito que fica no sul de Londres na Inglaterra em 16 de abril de 1889 e sua carreira no ramo do entretenimento duraria por mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança pelos teatros do Reino Unido.

Seu principal personagem foi The Tramp, conhecido como Charlot na Europa e como Carlitos no Brasil. Se trata de um andarilho vagabundo que possui as maneiras refinadas de um “gentleman” e usa um fraque preto, calças e sapatos desgastados, uma cartola e um pequeno bigode de broxa.

Charlie Chaplin ficou muito conhecido por produzir e atuar em filmes como O ImigranteO Garoto, O CircoLuzes da CidadeTempos Modernos e Em Busca do Ouro sendo que o último é  considerado por ele como sendo seu melhor filme.

Em busca do ouro

The Gold Rush ou Em Busca do Ouro como ficou conhecido no Brasil, é considerada uma das obras mais geniais de Charles Chaplin, inclusive por muitas vezes foi dito por ele próprio que gostaria de ser lembrado por esse filme. O longa é envolto em sensibilidade e se tornou um registro em preto e branco de sentimentos com a dose certa da comédia e do brilhantismo de Charlie Chaplin.

Em Busca do Ouro consegue unir de maneira coesa e sutil, os gêneros de comédia, aventura, drama e romance, sendo considerado pelo American Film Institute como um dos 100 melhores filmes de toda a história do cinema americano.

O longa foi vencedor na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Kinema Junpo Awards em 1927 no Japão e a versão de 1942 recebeu duas indicações nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Som Gravado no Oscar de 1943.

Material de referência

No começo da década de 1920 existia uma forte tendência do cinema no entorno das produções que abordassem a corrida do ouro no noroeste Canadense, que foi responsável por uma intensa migração, especialmente para a região de Klondike.

O ouro da região foi descoberto por mineradores locais por volta de 1896 e quando as notícias se espalharam, desencadearam uma debandada de garimpeiros. Alguns enriqueceram, mas a grande maioria não obteve sucesso e muitos morreram tentando.

Corrida do Ouro
Imagem: Corrida do Ouro de Klondike/ Wikipédia

A corrida do ouro de Klondike foi imortalizada na cultura popular através de filmes, jogos, literatura e fotografias. A atividade de mineração na região atingiu seu auge em 1903 e ainda hoje o seu legado atrai turistas de todo o mundo, contribuindo para a prosperidade local.

Charlie Chaplin se impressionou muito com as fotos dos garimpeiros feitas na época, além disso buscou suas referências em livros como o romance The Call of the Wild publicado em 1905 e escrito por Jack London que mais tarde também viraria um filme estrelado por Clark Gable, Loretta Young e Jack Oakie.

Em arquivos com anotações feitas pelo próprio Chaplin antes do início das filmagens, existe a seguinte frase sobre o conjunto de influências que ele utilizou para a criação de Em Busca do Ouro:

“Na criação da comédia existe um paradoxo no qual a tragédia acaba despertando o espírito do ridículo no ser humano. Devemos rir do fato de que não temos como nos defender das forças da natureza ou vamos ficar loucos.”

É realmente fascinante se pensarmos na genialidade de Charlie Chaplin ao conseguir transmitir esta mensagem quase que subliminar e trágica dentro do contexto de um filme que recebe uma tratativa leve e humorística.

Em Busca do Ouro é uma superprodução em comparação com o que se fazia no cinema da época, pois havia uma clara necessidade de Chaplin em fazer com que o filme se tornasse um enorme sucesso. Além disso se sabe que nesta fase de sua carreira, ele desejava elevar ao máximo o padrão de suas produções.

Esta busca pela extrema qualidade nos filmes fica clara de se notar quando visitamos os arquivos de anotações feitas por ele e nos deparamos com documentações sobre a grande quantidade de refilmagens das cenas gravadas.

As versões de 1925 e 1942

É importante frisar que existem duas versões do filme Em Busca do Ouro. Uma original lançada em 1925 e uma re-editada por Chaplin de 1942.

A versão original de 1925 foi considerada perdida por muitos anos e até hoje é aclamada por vários críticos e especialistas como sendo um grande clássico memorável. Em 1993 um colecionador encontraria uma cópia da película e a mandaria para ser recuperada na Itália, mas somente em 2012 seria feita uma restauração definitiva.

Imagem- Gold Rush- Divulgação
Imagem: Gold Rush/ Divulgação

A versão de 1942 é protegida por direitos autorais pela família de Chaplin e conta com algumas diferenças quando comparada ao original de 1925. Uma delas é a narração do diretor, além de uma trilha sonora diferente e mudanças no contexto da narrativa.

A principal diferença entre enredo das duas versões talvez esteja na construção da relação entre Carlitos e Georgia. O diretor faz algumas alterações para fazer com que a moça seja menos cruel e pareça mais interessada nos sentimentos do protagonista.

Apesar de não ser tão apreciada pelos conhecedores do cinema clássico, a versão de 1942 não deve ser menosprezada, pois além de contar com uma trilha sonora inesquecível e a narração que torna o filme mais dinâmico, ainda traz uma construção diferenciada que torna a narrativa mais compatível com o cinema contemporâneo.

Enredo de Em Busca do Ouro

Uma fila gigantesca é notada no início do filme onde podemos observar uma grande quantidade de pessoas subindo as montanha cobertas de neve na região de Klondike em busca de seu sonho de riqueza.

Carlitos também vai ao Alasca para tentar a sorte na corrida do ouro, mas logo percebe que sua jornada não será nada fácil. O simpático vagabundo acaba perdido e envolto por uma forte nevasca, buscando assim, abrigo na cabana de um criminoso procurado conhecido como Black Larsen.

Além dele, o esperto Big Jim que acabara de encontrar uma grande quantidade de ouro, também adentra no casebre com o intuito de fugir da intensa tempestade de neve.

O primeiro ato do filme é totalmente dedicado às dificuldades dos personagens em conseguir superar o frio e a fome. Esta temática se torna bastante eficaz em produzir cenas muito engraçadas e um bom exemplo disso seria a alucinação de Big Jim ao enxergar Carlitos como uma galinha gigante.

Alucinação de Big Jim- The Gold Rush- 1925
Imagem: Alucinação de Big Jim/ The Gold Rush- 1925

Devido a corrida do ouro, uma cidade cresceu naquele lugar e lá foi construído um Dance-hall onde trabalhava a bela Georgia, uma dançarina que de cara, conquista o coração de Carlitos.

No segundo arco do longa a narrativa traz um enfoque maior na construção da relação entre Carlitos e Georgia, tendo em vista que no original de 1925 existe um final heroico clássico com um beijo entre os dois e na versão de 1942 esta cena foi deletada.

Cenas inesquecíveis

Uma das cenas mais marcantes do filme é quando Carlitos decide cozinhar sua bota para poder se alimentar juntamente ao seu amigo Big Jim. A dupla se saboreia com o pedaço de couro como se estivesse realmente comendo uma refeição.

A parte em que Carlitos come os pregos se deliciando como se estivesse comendo uma espinha de peixe e o cordão do sapato como se fosse macarronada é simplesmente brilhante e demonstra todo o potencial de Chaplin como comediante, sem contar a genialidade poética deste grande diretor.

Dizem que ele teria repetido esta tomada por vinte e cinco vezes até chegar em um ponto que achasse que estava completamente perfeita.

Outra cena inesquecível e memorável é a dança que ele improvisa com dois pães enfincados em um par de garfos. Esse trecho do filme ficou conhecido como A Dança dos Pãezinhos e com certeza está entre as cenas mais icônicas da história do cinema.

Dança dos Pãezinhos- The Gold Rush- 1925
Imagem: Dança dos Pãezinhos/ The Gold Rush- 1925

Analisando o longa podemos notar que cada uma das cenas protagonizadas por Carlitos, nos demonstra a irreverência do personagem mesclada à traços melancólicos e isso é uma característica marcante presente em vários dos filmes de Chaplin. 

É genial a maneira como o diretor trabalha cada parte do filme como se fosse um curta metragem, mas quando as tomadas são interpostas em uma sequência, recriam o contexto geral e conseguem passar a mensagem inserida na narrativa.

Devido ao perfeito equilíbrio entre o humor pastelão e a melancolia, Em Busca do Ouro é uma obra digna de ser reassistida após quase 100 anos de seu lançamento. Mesmo sem falas, a presença de Chaplin garante um filme com um humor leve e que ainda é capaz de surpreender devido suas sutilezas. 

Além de Charles Chaplin interpretando o adorável vagabundo Carlitos o elenco do filme ainda conta com Mack Swain como Big Jim McKay, Tom Murray como Black Larsen, Henry Bergman como Hank Curtis, Malcolm Waite como Jack Camero e Georgia Hale como a bela Georgia.

E aí gostou da nossa analise de Em Busca do Ouro?

Então não marque bobeira!!!

Acompanhe todas as análises de lançamentos e filmes clássicos em nossa página Proddigital POP e também siga nossas redes sociais InstagramTwitterFacebook para não perder nenhuma novidade no universo incrível da cultura POP!!

Veja mais análises:

Seja avisado
Me avise sobre
guest
0 Comentários
Comentários de trechos do post
Ver todos os comentários