O Quarto de Jack (Room) é um drama lançado em 2015 estrelado por Brie Larson e Jacob Tremblay. O longa é baseado no livro homônimo da escritora irlandesa  Emma Donoghue e foi aclamado pela crítica, sendo indicado para diversos prêmios importantes do cinema.

Apesar de Emma dizer em várias entrevistas que a obra não teria sido inspirada em nenhum caso específico, muitas pessoas relacionam a história ao caso de Elisabeth Fritzl, uma jovem austríaca que foi encarcerada pelo próprio pai no porão da casa onde morava.

Elisabeth teve sete filhos nesse período, todos gerados dentro do cativeiro. Ela foi estuprada pela primeira vez aos onze anos de idade e só conseguiu escapar vinte e quatro anos depois em 2008 quando uma das filhas precisou ser hospitalizada.

O Quarto de Jack
Capa do Livro O Quarto de Jack/ Edição brasileira Verus

Emma Donoghue escreveu outros best-sellers, como SlammerkinThe Sealed Letter. A escritora também atuou como roteirista do longa que ainda conta com a direção de Lenny Abrahamson (conhecido por Adam & PaulGarage e Frank) que levou a estatueta de melhor diretor.

Brie Larson também foi contemplada com o oscar, sendo que a produção lhe rendeu um globo de ouro como melhor atriz e ainda um prêmio do Broadcast Film Critics Association (BFCA) à Jacob Tremblay como jovem ator.

A trama se inicia com Joy e seu filho Jack de cinco anos confinados em um pequeno quarto. O único contato que os dois mantem com o mundo exterior é a visita do velho Nick, personagem vivido pelo ator Sean Bridgers conhecido por viver o personagem Johnny Burns na série  Deadwood do HBO.

Joy Newsome foi raptada a sete anos atrás e vem sofrendo constantes abusos sexuais desde então. Neste período o pequeno Jack veio ao mundo e nunca chegou a ter contato com outra realidade, se apegando aos detalhes do galpão onde vive com a mãe que tenta de todas as formas tornar o lugar habitável, poupando o garoto de entender o contexto real em que se encontra.

A proposta do filme é conduzir a narrativa através do olhar inocente de Jack que transcende a realidade cruel em que os dois estão inseridos, transformando-a em um mundo fantástico e com uma poética desenvolvida a partir dos detalhes que fazem do pequeno quarto, o seu mundo particular.

Um fato que chama a atenção para a trama é que Joy em momento algum rejeita seu filho, como seria comum em uma situação onde a gravidez é fruto de um estupro. Mas pelo contrário, a relação maternal lhe dá forças para continuar em frente e superar as crises de depressão, podendo assim trazer um pouco de normalidade a vida do pequeno Jack.

O quarto de jack
Imagem: Jack olhando pela claraboia/ Reprodução

O filme ainda conta com um plot twist que ocorre após o plano que utiliza Jack para escapar do cativeiro e finalmente retornar ao ¨mundo real¨. A partir daí o contexto deixa de ser a rotina claustrofóbica do quarto para dar espaço aos desafios de retomar a antiga vida que lhe foi retirada pelo maníaco Nick. Joy ainda precisa contornar as crises depressivas e apresentar para seu filho toda a realidade que existe fora das paredes do quarto.

O longa também tem a participação dos atores Joan Allen (As Bruxas de Salém) e William Macy (Motoqueiros Selvagens) nos papeis dos pais de Joy (Vó e Vô respectivamente). Um fato interessante é que pela terceira vez Joan e William atuam como um casal, assim como em ¨Lances Inocentes de 1993¨ e ¨Pleasantville: A Vida em Preto e Branco de 1998¨. Contudo os dois estão separados quando Joy e Jack conseguem se libertar do cativeiro.

O Quarto de Jack trabalha enfaticamente com uma questão de perspectiva, uma vez que para Joy o galpão representa uma prisão e por outro lado se torna um mundo inteiro para o pequeno Jack que descreve todas as suas experiências de um modo que nos instiga a pensar em como o contexto em que uma criança está inserida pode vir a interferir na formação da identidade e caráter.

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