Séculos antes dos acontecimentos principais, a cidade de Atlântida é destruída por uma gigantesca onda causada por uma explosão ligada ao poder do misterioso “Coração de Atlântida”, um cristal ancestral capaz de proteger a civilização. Durante o desastre, a rainha atlante é sacrificada pelo cristal para salvar a cidade, deixando para trás o rei Kashekim e sua filha, a princesa Kida. A parte central de Atlântida sobrevive, mas permanece escondida nas profundezas do oceano por milhares de anos.
Em 1914, Milo Thatch, um jovem linguista e cartógrafo obcecado pela lenda de Atlântida, tenta convencer o Instituto Smithsoniano a financiar uma expedição em busca da cidade perdida. Após ser desacreditado, Milo recebe ajuda do milionário Preston Whitmore, amigo de seu falecido avô, que lhe oferece recursos para liderar uma missão até Atlântida. A expedição é comandada por Lyle Rourke e é composta por especialistas de diferentes áreas.
Durante a viagem a bordo do submarino Ulysses, o grupo é atacado pelo Leviatã, um gigantesco guardião mecânico que protege a entrada da cidade. Embora o submarino seja destruído, parte da equipe consegue sobreviver e finalmente encontra Atlântida escondida sob um vulcão adormecido.
Milo conhece Kida e passa a ajudá-la a traduzir antigos escritos atlantes, descobrindo que o cristal é responsável pela longevidade e prosperidade do povo. Entretanto, Rourke revela suas verdadeiras intenções: roubar o cristal e vendê-lo. Para impedir isso, o cristal se funde com Kida, transformando-a em sua hospedeira. Milo então se volta contra Rourke e convence a equipe a defender Atlântida. Após uma batalha final, o cristal retorna à cidade e salva os atlantes da destruição. Enquanto os sobreviventes retornam à superfície mantendo o segredo da civilização perdida, Milo decide permanecer em Atlântida ao lado de Kida para ajudar a reconstruir o reino.
Direção de Atlantis: O Reino Perdido
A direção de Atlantis: O Reino Perdido foi conduzida por Gary Trousdale e Kirk Wise, os mesmos diretores de O Corcunda de Notre Dame, decidiram abandonar quase tudo que definia a “fórmula Disney” dos anos 90: músicas constantes, animais cômicos e fantasia de conto de fadas.
O filme como um todo é bom, porém o roteiro se mostrou bem forçado. Por exemplo, a cena em que Milos e o resto da equipe de expedição entram em contato com os nativos da cidade perdida. Nessa cena, os nativos falam em uma língua incompreensível, mas o filme praticamente elimina esse obstáculo em poucos minutos ao revelar que muitos atlantes falam idiomas modernos ou antigos compreensíveis.
Isso existe porque o roteiro tenta justificar que Atlântida seria a “civilização-mãe” de várias culturas humanas. A ideia é que as línguas atlantes teriam influenciado idiomas espalhados pelo mundo inteiro. Milo inclusive consegue ler o idioma atlante graças ao seu estudo de línguas antigas. Não dá para negar que essa justificativa causa uma pulga atrás da orelha, um certo estranhamento.
O que talvez enfraqueça Atlantis é que o filme tenta parecer mais “sério” e sofisticado visualmente do que o roteiro realmente é. A direção cria uma atmosfera de ficção científica madura, mas a estrutura narrativa ainda opera como uma aventura familiar simplificada. Particularmente, de todas as decisões criativas tomadas nesse filme, as que incluem o roteiro são as menos interessantes. Se o roteiro sido estruturado melhor,Atlantis: O Reino Perdido, poderia ter sido um dos melhores filmes da Disney.
Em que foi baseado Atlantis: O Reino Perdido
Atlantis: O Reino Perdido é essencialmente uma combinação de diversas influências clássicas dos gêneros aventura, ficção científica e mitologia. O filme não se baseia em uma única obra específica; em vez disso, presta uma homenagem ao gênero pulp de exploração como um todo. A principal inspiração é o mito de Atlântida criado por Platão.
A cidade é descrita por Platão como uma civilização avançada que encontrou um fim pela própria força da natureza, nos diálogos Timaeus e Crítias. Desde então, Atlântida virou uma das maiores lendas da cultura ocidental, inspirando livros, filmes e teorias arqueológicas por séculos.
Ao unir mitologia clássica, ficção científica e aventura pulp, Atlantis: O Reino Perdido constrói uma identidade única dentro da animação da Disney. Mesmo com fragilidades narrativas, o filme permanece marcante por sua atmosfera épica, direção ambiciosa e imaginário visual extremamente rico.
Orçamento e bilheteria de Atlantis: O Reino Perdido
Atlantis: O Reino Perdido foi um projeto extremamente caro e ambicioso para a Walt Disney Animation Studios. O filme teve um orçamento estimado entre US$90 e 120 milhões, números muito altos para animação no começo dos anos 2000. Parte desse custo veio da complexidade técnica da produção Por exemplo, a cena do leviatã que apresentou uso intenso de CGI misturado com animação 2D. O filme arrecadou US$ 180 milhões nas bilheterias mundiais, não alcançado uma boa performance comercial.
O filme estreou amplamente em junho de 2001 e teve que disputar atenção com vários fenômenos culturais enormes da época. Por exemplo, Shrek, Velozes e Furiosos, e Lara Croft: Tomb Raider estrearam no mesmo período de Atlantis: o Reino Perdido tornando a atenção do público ainda mais dividida.
Desde sua estreia Atlantis: O Reino Perdido, não teve um grande relançamento cinematográfico mundial promovido pela Disney como parte da linha principal de “clássicos”. Desse modo, apesar do alto investimento e da proposta ambiciosa, Atlantis: O Reino Perdido não conseguiu atingir o desempenho comercial esperado pela Disney durante seu lançamento original.
Crítica
Atlantis dividiu a opinião pública desde o seu lançamento, apesar de ter recebido elogios em relação a sua estética. Por exemplo, um dos pontos que gerou discussões foi a mudança de tom em relação à fórmula tradicional da Disney. Enquanto alguns críticos elogiaram a coragem de abandonar os musicais e explorar uma aventura de ficção científica mais madura, outros acreditaram que o estúdio havia perdido parte do charme emocional que caracterizava seus maiores sucessos da década de 1990.
Com o passar dos anos, o filme conquistou status cult entre os fãs, sendo reconhecido como uma das animações mais ousadas e experimentais do estúdio no início dos anos 2000. No Rotten Tomatoes o filme alcançou 55% de aprovação em uma escala com mais de 250 mil votos. Já no IMDB, essa animação alcançou 6.9/10 estrelas em uma escala com 148 mil votos.
Embora suas escolhas narrativas e a ruptura com a fórmula tradicional da Disney tenha dividido opiniões, o passar dos anos consolidou o filme como uma produção singular, cuja ambição visual e identidade própria continuam sendo admiradas por uma parcela significativa do público.
Trilha sonora de Atlantis: O Reino Perdido
A trilha sonora de Atlantis: O Reino Perdido foi composta por James Newton Howard, um dos compositores mais reconhecidos da indústria cinematográfica. Howard já compôs álbuns para grandes sucessos do cinema como o filme O Mentiroso, Relatos do Mundo, Malévola, Jogos Vorazes e diversos outros.
Ao abandonar os tradicionais números musicais da Disney, Atlantis: O Reino Perdido apostou em uma trilha orquestral grandiosa com uma identidade musical forte. Em geral o álbum de Atlantis reforça o senso de aventura, mistério e descoberta que define a obra, tornando-se uma das principais responsáveis pela atmosfera épica que ajudou o filme a conquistar status cult ao longo dos anos.
Uma das faixas mais representativas da trilha é “The Crystal Chamber”. Essa música acompanha o momento em que Milo e Kida exploram os segredos de Atlântida e desenvolvem uma ligação. Mais do que acompanhar as imagens, a trilha sonora de Atlantis: O Reino Perdido contribui diretamente para a construção de seu universo, ampliando a sensação de exploração e descoberta.
Conclusão
Para muitas pessoas a grande era de ouro das animações no cinema foi na década de 90, protagonizada principalmente por produções da Disney. Por exemplo, filmes como O Rei Leão, Mulan, Aladdin, A Bela e a Fera, Tarzan entre muitos outros ganharam grande popularidade e se perpetuaram na cultura pop até os dias de hoje. Esse período foi marcante, porque as animações misturavam, excelência técnica animada, excelência musical, narrativa emocional clara.
Daí veio na virada do milênio, e a indústria cinematográfica evoluiu bastante em um período curto de tempo. O CGI virou o futuro, a internet acelerou a cultura visual, blockbusters começaram a competir por espetáculo constante. Dessa maneira, o que norteou a produção dos filmes não era mais qualidade mas sim quantidade. Podemos destacar até mesmo O Planeta do Tesouro nessa categoria.
Então essas obras refletem uma ansiedade industrial daquele período inteiro: “Como tornar animação mais radical, moderna e cinematográfica?”. Assim, animações que poderiam se tornar grandes sucessos se limitaram pela própria superficialidade, como por exemplo, o próprio Atlantis: O Reino Perdido. Até a próxima!













