Diretor Robert Eggers
Robert Eggers no Governors Awards no Dolby Theater em 27 de outubro de 2019 em Los Angeles, CA — Foto de Jean_Nelson

Robert Eggers é um diretor, roteirista e produtor de cinema norte-americano, famoso por seus filmes de terror, como A Bruxa (2015) e O Farol (2019), obras bastante aclamadas pela crítica e que chamam atenção por sua originalidade.

Neste artigo, vamos conhecer mais sobre esse proeminente cineasta que tem se firmado como um dos mais diferenciados do gênero de terror, acompanhar sua biografia, suas principais obras, prêmios e muito mais. Acompanhe!

Fatos rápidos sobre Robert Eggers

  • Nome completo – Robert Houston Eggers
  • Nacionalidade – Norte-americano
  • Data de nascimento – 7 de julho de 1983
  • Pais – Kelly Houston / pai desconhecido
  • Famoso como – Cineasta

Quem é Robert Eggers?

Robert Eggers é atualmente um dos mais promissores e originais cineastas a atuarem dentro do campo do gênero de terror. O diretor despontou para o mundo com a aclamada obra A Bruxa, em 2015, e desde então tem construído sua carreira na indústria cinematográfica.

Dono de diversas premiações por suas produções, os filmes de Eggers são muito bem avaliados pela crítica profissional, o que garantem a ele sempre bastante holofote sobre seus lançamentos, como é o caso de Nosferatu, sua próxima obra de terror.

Biografia de Robert Eggers

Infância

Robert Eggers nasceu na cidade de Nova Iorque, a mais populosa dos Estados Unidos, sendo filho de Kelly Houston. Quanto a seu pai biológico, no entanto, o cineasta nunca o conheceu ou ao menos soube quem é.

Ainda criança, ele e sua mãe acabaram se mudando para uma pequena cidade no estado de Wyoming, Laramie, que foi onde ela acabou conhecendo Walter Eggers, com quem se casou. Em seu novo relacionamento, Kelly teve mais dois filhos, os gêmeos Max e Sam, e os 5 viveram pela região até 1990.

Assim, quando Robert Eggers tinha por volta dos seus 7 anos de idade, toda a família mudou novamente de lugar, agora chegando em Lee, New Hampshire, uma região da chamada Nova Inglaterra, ainda em solo norte-americano, é claro. O motivo é que seu padrasto havia sido nomeado reitor da Universidade de New Hampshire.

Um ponto interessante é que o mundo da atuação já chamava a atenção de Robert desde muito pequeno, tanto que ainda na escola ele assumiu a responsabilidade de dirigir a peça Nosferatu, com uma exibição no próprio espaço escolar.

Sua efetiva profissionalização dentro dessa indústria, de todo modo, ocorreu somente a partir do ano de 2001, quando ele tinha 18 anos de idade. Foi aí que ele mudou-se novamente para Nova York, onde passou a frequentar a American Musical and Dramatic Academy.

Início de carreira

Ao formar-se, Robert Eggers deu início à sua carreira dentro do setor de produções teatrais, atuando como designer e diretor de peças em Nova York. Foi apenas depois que ele resolveu migrar de vez para outras áreas da indústria, mas ainda começando a passos lentos.

Produção de curtas-metragens

Entre os anos de 2007 a 2015, o cineasta moldou sua forma de trabalho através da escrita, direção e/ou produção de alguns curtas e documentários. Um dos primeiros trabalhos creditados foi Hansel and Gretel (2007), bem como The Tell-Tale Heart (2008). Em ambos os títulos, assim como é o caso de Brothers (2015), Robert Eggers tanto escreveu quanto dirigiu as produções, sendo a grande mente criativa por trás de tudo.

Como designer de produção, ele trabalhou ainda nos curtas Drawing from Life (2009); Confessional Stories: Voluntary Damnation, Prelude and Fugue, Confessional Stories: First Confession e Monster (2010); The Five Stages of Grief, The Tailor e In the Pines (2011); Legacy, Anemone e Esther (2012); Vivace!, The House at the Edge of the Galaxy e Spirit Cabinet (2013); e Rose (2014); além do documentário Tell Your Friends! The Concert Film! (2011).

A partir desse ponto, Eggers estava efetivamente pronto para entrar de vez no cenário do cinema, através dos longas, e o fez em grande estilo.

A estreia como diretor no cinema

Robert Eggers estreou realmente como cineasta no cenário do cinema apenas em 2015, quando, de quebra, lançou um dos seus maiores sucessos: The Witch, lançado no Brasil como A Bruxa.

O filme de terror nasceu de muitas de suas próprias vivências, enquanto garoto na Nova Inglaterra, bem como em suas visitas a Plimoth Plantation (uma antiga colônia inglesa do século XVII) em Plymouth, Massachusetts. Assim, aproveita algumas das lendas e mitos que circundavam a região.

Um ponto interessante é que The Witch foi também o responsável por realmente lançar a atriz Anya Taylor-Joy (de O Gambito da Rainha) ao início de seu estrelato (e a uma parceria duradoura entre ambos). Já Eggers deu um grande passo para a consolidação de sua carreira, mesmo sendo estreante, escrevendo e dirigindo a obra.

O filme foi inicialmente apresentado no Sundance Film Festival, vencendo na categoria U.S. Dramatic, chegando ao cinema apenas em 2016, através da A24. Sucesso de crítica, o público também acompanhou bastante a produção, que arrecadou US $ 40 milhões, isso contra um orçamento de US $ 4 milhões.

Replicação do sucesso

Após o sucesso de A Bruxa, Robert Eggers conseguiu repetir o feito, dentro do gênero de terror, com seu filme seguinte: O Farol (2019). The Lighthouse, em seu título original, além de escrito e dirigido pelo cineasta, também foi produzido por ele. Já uma grata surpresa fica por conta da co-roteirização de Max Eggers, o seu irmão mais novo.

Sendo estrelado por ninguém menos que Robert Pattinson e Willem Dafoe (que se tornou um grande parceiro seu), o filme estreou no Festival de Cinema de Cannes e também foi lançado no cinema pela A24.

Já em 2022, Robert Eggers chegou com um de seus trabalhos mais ambiciosos: The Northman. O Homem do Norte, agora um pouco distante do terror e entrando no gênero de aventura histórica, foi co-escrito com Sjón, e teve um orçamento bem mais recheado que os seus títulos anteriores: US $ 90 milhões. Além disso, outra mostra de que esse foi um projeto muito maior, foi a distribuição internacional por parte da Universal Pictures, um dos maiores estúdios do planeta (nos Estados Unidos, quem distribuiu foi a Focus Features).

Mas ao contrário do que se poderia imaginar, em parte também pelos próprios efeitos da pandemia da Covid-19 e uma estratégia equivocada para as campanhas de marketing do filme, The Northman acabou fracassado em sua bilheteria, ao arrecadar mundialmente apenas cerca de US $ 69,6 milhões.

Segundo sua distribuidora, no entanto, considerando as demais formas de monetização da obra, o filme conseguiu sim obter retorno financeiro. Outro ponto de destaque é que ele foi muito bem recebido pela crítica, assim como os trabalhos anteriores de Eggers.

Projetos futuros

Atualmente, Eggers está trabalhando em um novo filme de terror, intitulado Nosferatu, mas ainda sem data prevista de estreia (provavelmente ainda em 2024). Além da direção, o cineasta também é o escritor por trás da obra, como de costume, sendo esse um novo remake do filme original de mesmo nome, que foi lançado em 1922, de Henrik Galeen, ainda do período do cinema mudo.

Sua elaboração está em andamento praticamente desde 2015, sendo este previsto para ser o seu segundo filme. No entanto, quis o destino que outros projetos surgissem e tomassem a frente, o que não se pode dizer que foi algo negativo, visto que O Farol e O Homem do Norte foram justamente essas obras que se sobressaíram.

Como mencionado no começo do artigo, ainda em sua infância, Robert Eggers chegou a dirigir uma peça teatral na escola sobre o tema, o que, inclusive, foi um dos pontos que o motivou a seguir carreira no meio.

Além de Nosferatu, o cineasta também está trabalhando em uma série que se baseia na vida de Rasputin, nome influente nos últimos anos do Império Russo; bem como no filme de temática medieval The Knight, ambos ainda com produção em andamento.

Vida pessoal

Sendo bastante focado em seu trabalho e mantendo uma vida pessoal discreta, Robert Eggers atualmente é casado. Sua esposa, Alexandra Shaker, é uma psicóloga clínica e ambos se conhecem desde a infância. O casal tem apenas um único filho, Houston Eggers, e vivem na cidade de Nova Iorque, onde o cineasta nasceu.

Quais são os principais trabalhos de Robert Eggers?

Ao longo de sua biografia, já pudemos conferir os trabalhos de destaque de Robert Eggers. De todo modo, agora vamos nos aprofundar melhor nessas obras, e observar um pouco mais da forma de trabalho do cineasta, através de suas criações. Acompanhe!

A Bruxa (2015)

A Bruxa trata-se de uma produção canadense-americana de terror, que, como mencionado, marcou efetivamente a entrada de Robert Eggers dentro da indústria cinematográfica.

O filme se passa no século XVII, na Nova Inglaterra. Ele narra a história de uma família puritana que acaba sendo excomungada da comunidade onde viviam, após cometerem heresia, e migram para uma isolada região. Ali, acabam se encontrando com forças malignas.

A família é composta pelo casal William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie), e seus filhos: Thomasin (Anya Taylor-Joy), Caleb (Harvey Scrimshaw). Além disso, os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), e Samuel, que já nasceu na nova fazenda, construída após eles deixarem a vila.

William pretende sustentar sua família vivendo da agricultura e de suas pequenas criações, como cabras, mas acaba tendo um ano de péssima colheita. Tudo piora quando quando o jovem Samuel, enquanto estava aos cuidados de Thomasin, some misteriosamente.

Os telespectadores sabem que uma bruxa levou e o assassinou, fazendo manteiga de sua carne. No entanto, o mistério, somado a diversos outros eventos que acometem a família, lançam um ar de terror, desespero e desconfiança entre seus integrantes.

Vale lembrar que Eggers aborda com profundidade todo o caráter religioso existente no período. Um exemplo claro, além da própria religiosidade da família em si, é quanto ao conflito e discussões, entre eles, se Samuel foi ou não para o inferno, uma vez que morreu sem ter se batizado.

O Farol (2019)

The Lighthouse é outro marco na carreira de Robert Eggers, e veio para mostrar que A Bruxa não foi apenas um tiro de sorte, mas sim que o cineasta era realmente bastante original em suas obras, com um olhar aguçado para o gênero de terror.

O filme narra a história de dois faroleiros que, afetados pela solidão, acabam por começar a perder a sanidade. Tudo se passa na década de 1890, quando Ephraim Winslow (Robert Pattinson) inicia o que seria uma curta temporada como guardião de um farol em uma isolada ilha da costa da Nova Inglaterra.

Para isso, o jovem terá a supervisão de Thomas Wake (Willem Dafoe), que acaba submetendo Winslow a uma série de trabalhos desgastantes. Tudo isso, debaixo do mistério que Wake guarda quanto a sala de lanternas, local do farol, onde o novato não pode nem pensar em entrar.

Um ponto interessante, e muito bem colocado por Eggers, dado o contexto do filme, foi a criação de uma obra totalmente em preto e branco. Assim, ajudando a criar a atmosfera misteriosa da produção.

O Homem do Norte (2022)

The Northman foi uma ousada aposta de Robert Eggers, que já era um nome de destaque quanto a seus filmes de terror. Dessa vez, no entanto, o cineasta buscou explorar o gênero de aventura histórica.

O Homem do Norte se passa na Islândia do ano de 895 d.C., e conta a história de vingança de um príncipe nórdico. Tudo começa quando o rei Aurvandill (Ethan Hawke) inicia a preparação de seu filho, o Amleth (Alexander Skarsgård), para sua posterior ascensão ao trono.

No entanto, o soberano acaba sendo traído por seu próprio irmão, Fjölnir (Claes Bang), que além de roubar seu lugar como rei, fica com sua esposa, Gudrún (Nicole Kidman). Após o golpe, o jovem príncipe consegue fugir, mas jurando um dia retornar e vingar o seu pai. Durante a execução de sua vingança, ele acaba se envolvendo com uma feiticeira eslava, Olga da Floresta de Bétula (Anya Taylor-Joy). O que pode mudar os rumos do seu plano.

Quem não vê originalidade nesse enredo, ou até mesmo já percebe ter observado a história algumas outras vezes, não está completamente errado. Afinal, em The Northman, Eggers mergulha na lenda original que inspirou o próprio William Shakespeare a criar uma de suas peças mais famosas: Hamlet. Foi inclusive daí que o dramaturgo retirou o nome da obra.

Quanto a quem enxerga mais semelhanças com o Rei Leão, da Disney, deve-se ao fato da animação ter sido inspirada no próprio Hamlet, de Shakespeare. Ou seja, o Homem do Norte é a base para essas histórias, a lenda pela qual ela efetivamente surgiu.

Nosferatu (TBA)

Nosferatu se passa na Alemanha do século XIX, e narra a história de obsessão entre uma jovem assombrada e o antigo vampiro da Transilvânia, que a persegue. No centro dessa trama está o vampiro titular, o Conde Orlok (Bill Skarsgård).

O filme, nesse caso, se baseia na própria mitologia do Drácula, uma vez que Nosferatu (1922) é uma adaptação do romance escrito por Bram Stoker em 1897, mesmo que não seja oficial ou autorizada.

Colaboradores frequentes

Em se tratando de Robert Eggers, mais um fator que vale a pena destacar é quanto aos seus colaboradores frequentes. Isso porque o cineasta tem uma ótima relação profissional com alguns atores que já trabalharam com ele, o que faz com que eles sempre retornem em seus projetos futuros. Dentro desse contexto, os nomes que se sobressaem são os de Ralph Ineson, Kate Dickie, Anya Taylor-Joy e Willem Dafoe.

  • Ralph Ineson – estreou ainda em A Bruxa, como William (pai puritano); depois interpretou o Capitão Volodymyr, um capitão de mar, em O Homem do Norte; e integra o elenco de Nosferatu;
  • Kate Dickie – fez sua estreia também em A Bruxa, como Katherine (mãe puritana); já em O Homem do Norte ela interpreta Halldóra, uma escrava na fazenda de Fjölnir;
  • Anya Taylor-Joy – também estreou em A Bruxa, como Thomasin (filha de William e Katherine); e depois retornou em O Homem do Norte, no papel de Olga da Floresta de Bétula, par romântico de Amleth;
  • Willem Dafoe – iniciou a parceria com o cineasta ao protagonizar O Farol, como o faroleiro supervisor; depois, retornou em O Homem do Norte, dando vida a Heimir o Tolo; além de integrar o elenco de Nosferatu.

Anya inicialmente faria parte do filme Nosferatu também, uma vez que esse era um projeto antigo de Robert Eggers. O atraso para sua realização, no entanto, acabou impedindo a atriz de continuar no elenco. Assim, tendo anunciado sua saída em 2022, antes do início das gravações, devido a sua agenda de trabalho.

Indicações e prêmios

Além das conquistas de suas obras, como a indicação ao Oscar de Melhor Fotografia para O Farol, Robert Eggers é bastante elogiado por seu trabalho de direção em si. Assim, conta com indicações e vitórias em diversos prêmios e festivais, como:

  • Prêmios – Prêmio de Direção (Festival de Cinema de Sundance), Melhor Novo Cineasta (Sociedade de Críticos de Cinema de Boston), Realização superior em um roteiro (Prêmio Bram Stoker), Cineasta mais promissor (Associação de Críticos de Cinema de Chicago), Melhor Primeiro Roteiro e Melhor Primeiro Longa (Independent Spirit Awards), Melhor Diretor de Estreia (Nova Iorque Film Critics Online), dentre outros, por A Bruxa; e o Prêmio FIPRESCI – Quinzena dos Realizadores/Semana da Crítica (Festival de Cannes), por O Farol;
  • Indicações – Melhor Diretor (Sociedade de Críticos de Cinema de Seattle) e Grande Prêmio do Júri (Festival de Cinema de Sundance), por A Bruxa; Melhor Roteiro (Sociedade de Críticos de Cinema de Detroit), Melhor Diretor (Independent Spirit Awards), Melhor Diretor (Sociedade de Críticos de Cinema de Seattle), por O Farol; e o Melhor Diretor (Prêmios de Cinema de Midseason da Associação de Críticos de Hollywood) e Melhor Diretor (Prêmio Dublin Film Critics’ Circle), por O Homem do Norte.

Considerações finais

Como foi possível observar, Robert Eggers chama a atenção por ser um dos cineastas mais originais atualmente, e por sua capacidade de criar obras de terror marcantes e profundas.

Apesar de contar com uma filmografia curta ainda, o jovem diretor (comparado a outros nomes da indústria) chama mais atenção pela qualidade de suas produções, que são sempre aclamadas pela crítica e por quem é fã do gênero terror.

Carioca, estudante de Direito, servidora pública e apaixonada por vídeo games, tecnologia e cultura pop em geral. Tenho como hobbies consumir e produzir conteúdos relacionados a esses temas que me interessam, e adoro passar horas adquirindo conhecimento sobre os assuntos que mais gosto, tanto que mantenho um canal no Youtube sobre games há 4 anos. Meu contato com inglês vem de longa data, quando notei que para ter acesso a todo um universo de informações, dominar a língua era fundamental.

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