Que 007 é um clássico, todos já sabem. Mas mesmo os clássicos precisam de uma repaginada e uma nova face de tempos em tempos. E Cassino Royale aparentemente chega com essa função.

Depois do último filme de Pierce Brosnan no papel, em Um Novo Dia Para Morrer, de 2002, Daniel Craig faz sua estreia como o novo rosto do espião mais famoso do mundo.

Com uma adaptação nunca antes feita – ao menos não de forma original – do primeiro livro de Ian Fleming sobre James Bond, esse era o cenário ideal para que o diretor Martin Campbell pudesse criar um reboot à altura.

Em meio a muitas dúvidas, tanto dos fãs quanto dos produtores, Cassino Royale chegou em 2006 e colocou as cartas na mesa.

O que afinal, esperar de uma película com um ator que não era bem visto para o papel e com tantas mudanças pontuais a respeito da construção do personagem em si?

Hoje, vamos falar um pouco sobre a nova era desse que é o maior e mais querido espião do mundo e conhecer um pouco de tudo que há em Cassino Royale.

Um novo começo para James Bond

Fica claro logo de início que a grande intenção era converter James Bond para uma visão muito mais atualizada do que a que tínhamos anteriormente, e o ponto chave de Cassino Royale é todo esse.

Utilizando com maestria a obra original escrita por Ian Fleming em 1953, o filme se torna uma oportunidade mais do que única para renascer James Bond.

Com o cenário de sua primeira aventura armado, apresentar um novo ator e nova roupagem parecia totalmente o ideal.

Entretanto, o público parecia não se sentir muito à vontade com a escolha de Daniel Craig para o papel.

Por algumas características físicas que pareciam “não bater” e também pela aparência geral que destoava de outros intérpretes do espião, muitos ficaram céticos com essa escolha.

No entanto, para essa nova fase de Bond, parecia ser o ideal.

Enquanto que nos filmes anteriores passamos por Bonds com situações inusitadas, alguns exageros aqui e ali, além de uma certa mitificação do personagem, tudo é invertido em Cassino Royale.

Deixamos para traz a mesma fórmula dos filmes anteriores, que se repetiam incansavelmente há algumas décadas.

Era preciso renovar e inovar. E fazer isso com a oportunidade de trazer a primeira aventura como pano de fundo, era uma oportunidade imperdível.

Apesar de não ser um reboot totalmente declarado, isso fica bem visível já que todo o ar do filme é bem diferente. E é muito bem vindo ver essa mudança positiva na forma de se fazer filmes de 007.

A importância de Daniel Craig na nova era de James Bond

Como dito anteriormente, muitos fãs mais tradicionais não aprovaram muito a escalação de Daniel Craig para interpretar o espião James Bond.

Entretanto, com essa nova maneira de se enxergar o personagem, Craig se mostrou uma escolha crucial e muito bem feita.

Com esse novo Bond ainda em formação, com seu início de carreira e passando pela transformação que o faria virar o sanguinário espião que viria depois, Craig atua com perfeição.

Enquanto que em outros filmes bastava apenas algumas ações de Bond para derrotar os inimigos, aqui vemos muito mais realidade e profundidade nas cenas.

O Bond de Daniel Craig consegue deixar claro que é sim um ser humano e que pode ser difícil vencer algumas lutas.

A mesma fórmula estava sendo repetida há anos, com gadgets muito incríveis, situações totalmente inusitadas e até um pouco de comédia e sarcasmo, como na era Roger Moore.

Apesar de ser a marca registrada do espião, era preciso mudar. Uma nova geração de espectadores precisava de ter uma razão para assistir os filmes.

E com a explosão dos filmes de Jason Bourne, ficou claro que 007 precisava sim ir naquela direção para que não ficasse para traz.

É inegável dizer que Cassino Royale bebe sim nessa fonte, mas de forma alguma é uma cópia ou algo do gênero. O filme guarda totalmente sua originalidade e se mostra muito forte dentro do que se propõe.

Craig dá vida ao novo 007 e o coloca num enfoque que nunca antes conseguimos enxergar.

Enredo do filme Cassino Royale

Em Cassino Royale, o James Bond é mostrado no início de sua jornada, ainda em uma missão que definiria sua posição com um verdadeiro 00.

Le Chiffre - 007 Cassino Royale
Le Chiffre

Seu caminho se cruza com um banqueiro ambicioso, o cruel e enigmático Le Chiffre, que faz negócios de risco com ações. Ele vende ações específicas e ataca violentamente as empresas para causar uma queda nos preços.

Isso faz com que ele lucre muito com a transação escusa.

Depois de perseguições e muitas descobertas que vão o deixando cada vez mais próximo de Le Chiffre e de todo seu planejamento nefasto, Bond acaba por embarcar um jogo perigoso e com alto custo no Cassino Royale.

Com auxílio de Felix Leiter e com uma boa dose de perdas e ganhos, Bond se enfia em um emaranhado de situações – inclusive se apaixonando – e vivendo uma aventura perigosa em sua primeira missão com total licença para matar.

Principais diferenças entre Cassino Royale e títulos anteriores da franquia

Não é preciso fazer muita força para enxergar o quanto Cassino Royale é diferente em relação aos outros filmes da franquia 007.

Logo de início é possível perceber isso, e é claro que o interesse seja justamente esse, já que se trata de um reboot muito bem feito.

Entretanto, algumas qualidades de Cassino Royale destoam muito de algumas dos filmes anteriores. Afinal, o que difere tanto essa nova fase de Bond com Daniel Craig?

Vamos analisar alguns dos principais pontos que tornam Cassino Royale um degrau acima na carreira do espião mais perigoso e querido do mundo.

Personagens com mais envolvimento na trama

Uma coisa é certa, os filmes anteriores de James Bond separavam um espaço bem pontual para os personagens secundários.

Estávamos muito acostumados a ver as já conhecidas e lindas Bond Girls em papéis que se resumiam a trazer pouca personalidade e apenas foco em exibição de beleza.

Inclusive, esse é um ponto de muito interesse a se registrar. Por mais que as Bond Girls sejam ícone e marca registrada da série, vale dizer que na maioria dos casos elas apenas estavam ali para fazer um breve par romântico com Bond.

E que, alias, Bond não se relaciona a fundo com ninguém.

A maioria das personagens femininas nesse posto, não iam muito além disso, e sua representação era pontual.

Em Cassino Royale, não apenas as mulheres, mas outros personagens secundários recebem uma boa dose de profundidade e novas nuances nunca antes vistas.

Até mesmo podendo citar o grande amigo de Bond, que aparece em diversos filmes, Felix Leiter.

 - 007 Cassino Royale
Felix Leiter

Felix aparece em diversos livros e filmes da série 007, mas sempre de maneira breve e se mostrando como um rosto amigo com uma boa dose de informação nova para fornecer a Bond.

Em outros títulos, é justamente como se tudo girasse em torno do espião, não deixando espaço para mais nada. Simplesmente um pano de fundo para que apenas Bond tivesse destaque.

Cassino Royale nos presenteia com personagens bem desenvolvidos e motivados de uma maneira nunca antes vista. Até mesmo Bond, que tem muito mais a oferecer a mais nuances de comportamento.

Definitivamente um novo ar dentro da franquia e muito bem vindo, já que com essa nova roupagem, o filme ganha vida de uma forma muito mais natural e nos ajuda a enxergar muito mais do que apenas um único plano de visão.

Mudanças em relação ao comportamento de James Bond

Um dos pontos mais interessantes a se frisar em todas as mudanças nesse não declarado reboot de 007 é justamente o comportamento de James em relação a quem ele é e à sua vida como um todo.

Talvez por iniciar mostrando o agente antes mesmo de ganhar os seus dois zeros, ou seja, sua licença para matar, Bond não é exatamente quem nós já conhecíamos.

Aqui, vemos um James que ainda tem sentimentos. Tanto por outras pessoas quanto por si mesmo e pelos seus ideais e isso é definitivamente algo novo.

007 está no inicio, e ainda carrega consigo uma carcaça de pensamentos, reflexões e atitudes não tão frias quanto estamos acostumados a ver.

Claro que, provavelmente, isso muito tem a ver com o fato de estar em construção. Apesar de ser um agente 00 iniciante, ele já demonstra uma boa dose de violência em diversas de suas ações.

Mas a sua verdadeira essência humana ainda está lá, permitindo até mesmo que cometa falhas por ainda estar apaixonado por Vésper, o que inclusive lhe causa problemas.

O agente infelizmente acaba por perceber que essa é uma coisa a se fazer num trabalho como esse: sentimentos e espionagem não combinam nem um pouco.

Vésper Lynd e James Bond
Vésper Lynd e James Bond

Mais violência em Cassino Royale

Alguns socos e chutes podiam ser o suficiente para os antigos agentes 00 darem conta de inimigos difíceis.

É fácil lembrar-se da interpretação de Roger Moore, em que dois socos e apenas uma arrumada no terno e no cabelo o deixavam pronto para outra.

Em Cassino Royale, as coisas para Bond não parecem ser assim tão simplificadas.

Os inimigos são difíceis e Bond precisa dar tudo de si para que tenha sucesso em sua empreitada de derrotá-los. Vale destacar aqui a tortura de Bond, com direito a uma surra bem peculiar dada pelo vilão Le Chiffre.

Muitas brigas difíceis e com direito a muito sangue são fáceis de encontrar nesse título, diferente do que encontrávamos em filmes anteriores.

Pé na realidade e em momentos atuais

Principalmente quando estamos assistindo os filmes anteriores a Brosnan no papel, éramos sempre presenteados com os inventos inusitados de Q.

Dispositivos totalmente mirabolantes e impensados, que salvavam James Bond no último segundo de diversos tipos de ameaças mortais.

Inclusive, as clássicas cenas no laboratório do saudoso Q, com os diversos itens sendo testados ao fundo chegavam a ser engraçadas.

Tudo isso dava um ar de irrealidade e total ficção aos filmes. Ainda víamos resquícios disso nos filmes estrelados por Pierce Brosnan, mas ainda assim de maneira levemente mais sutil.

Aqui, em Cassino Royale, é manter tudo muito mais com o pé no chão e sem tanta falta de realismo.

Além disso, as questões tratadas são mais atuais e trabalhadas de forma bem contemporânea, o que ajuda muito com que o espectador se situe na história de alguma forma.

Sendo assim, o filme por completo se torna facilmente uma obra muito mais plausível do que títulos anteriores.

É mais fácil deglutir a história sem a necessidade de deixar a imaginação fluir solta para aceitar certos tipos de cenas.

Por fim, vale dizer que isso não é uma crítica aos filmes anteriores de nenhuma forma. Afinal, todos eles tiveram seu impacto positivo em seu tempo e continuam sendo clássicos e muito divertidos de se ver.

Entretanto, a fórmula em si já precisava de uma boa repaginada. E fazer isso trazendo um ar maior de seriedade e verdade fizeram toda uma diferença no produto final.

Um Bond ainda com emoções

Quem pensaria que um romance avassalador poderia fazer James Bond inclusive cogitar a possibilidade de deixar os serviço secreto e simplesmente ir viver com sua amada?

E isso ainda acaba causando diversos contratempos na vida do recém-formado 00.

Bond precisará descobrir por suas próprias experiências que precisa definitivamente focar em seu trabalho se ele quer continuar vivo e cumprindo sua missão com total excelência.

Mesmo assim, não deixa de ser muito interessante ver essa profundidade de elementos e emoções em James Bond.

A cena de poker de Cassino Royale tem um ar magistral

Quem pensa que uma simples cena de poker poderia ser tão emocionante e muito bem feita a ponto de fazer com que o filme se tornaria inclusive referencia dentro desse tema?

Uma das preocupações recorrentes do diretor Martin Campbell em relação a essa cena era de deixar o filme extremamente monótono e sem emoção.

Ele sabia que a sequencia era relativamente grande e o foco e ritmo do filme poderiam simplesmente se perder.

A equipe toda discutiu a respeito de como fazer uma cena interessante e impactante, que não fizesse as pessoas desistirem de assistir o que viria depois.

E na verdade, deu muito certo. Com um trabalho conciso em cima da cena, a disputa arriscadíssima de poker entre o espião James Bond e o vilão Le Chiffre acabou por se tornar extremamente interessante de se assistir.

Mesmo que você não entenda nada do que seja poker e de como ele funciona, com certeza terá um frio na barriga ao assistir essa sequencia inusitada, porém totalmente eletrizante.

Conclusão

A grande realidade é que clássicos nunca saem de moda. Sempre é preciso inovar, mas o resquício do que é original precisa estar sempre ali.

Cassino Royale consegue trazer James Bond de volta em excelente estilo e com uma nova roupagem muito bem-vinda.

Deixando de lado alguns estilismos do passado, o herói agora vive num mundo contemporâneo. Ali, que é possível realmente ter como plausível algumas de suas principais ações.

James agora tem mais humanidade e é visto de forma diferente. Ele sangra também e isso faz com que seja visto de uma maneira totalmente diferenciada.

Apesar disso, continua sendo 007, nosso velho conhecido James Bond. O destaque ainda para a cena de poker, que nos deixa extasiados de emoção mesmo com algo que deveria ser tão parado.

Cassino Royale é um grande acerto em relação a diversos aspectos e com certeza é um marco nos filmes do espião. E aparentemente, esse novo estilo veio totalmente para ficar.

Carioca, estudante de Direito, servidora pública e apaixonada por vídeo games, tecnologia e cultura pop em geral. Tenho como hobbies consumir e produzir conteúdos relacionados a esses temas que me interessam, e adoro passar horas adquirindo conhecimento sobre os assuntos que mais gosto, tanto que mantenho um canal no Youtube sobre games há 4 anos. Meu contato com inglês vem de longa data, quando notei que para ter acesso a todo um universo de informações, dominar a língua era fundamental.
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