Sean Connery o imparcial
Imagem: Sean Connery/ O Imparcial

O ator Sean Connery se tornou um ícone do cinema por ser o primeiro a interpretar o personagem James Bond em uma das maiores franquias do cinema. Mas além de dar vida ao “espião a serviço de sua majestade”, o ator trabalhou em grandes filmes e recebeu vários prêmios durante sua longa carreira. 

Thomas Sean Connery nasceu em Edimburgo a capital da Escócia em 25 de agosto de 1930 e começou sua vida profissional como leiteiro em sua terra natal até conseguir sua primeira oportunidade na vida artística em um musical chamado South Pacific.

Mas antes de iniciar como ator ele serviu na Marinha Real, trabalhou como motorista de caminhão e foi modelo vivo para artistas do Edinburgh College of Art que é a maior e mais antiga escola de artes da Escócia.

Neste período Connery teria sido terceiro colocado em um concurso de Mister Universo e por causa da insistência de um amigo, resolveu fazer os testes para a peça que acabou lhe abrindo as portas para o trabalho nos palcos, na televisão e no cinema.

Nos primeiros anos de sua carreira ele atuou em filmes como Na Rota do Inferno de 1957, Vítima de Uma Paixão de 1958, A Lenda dos Anões Mágicos de 1959, Até o Último Gangster de 1961 e O Mais Longo dos Dias de 1962.

O sucesso como James Bond

Após trabalhos menores no cinema e na televisão inglesa, entre o fim dos anos 50 e começo dos 60, Sean Connery conquistaria a fama internacional vivendo James Bond, o gente secreto 007 do MI6 britânico, papel que interpretou pela primeira vez em 1962 no filme O Satânico Dr. No.

Sean Connery James Bond
Imagem: James Bond/ Reprodução

Diz a lenda que uma cena de briga no filme A Lenda dos Anões Mágicos de 1959 em que Connery enfrenta um dos personagens, impressionou o produtor Albert Broccoli e teria garantido o convite para o primeiro 007 em 1962.

O longa daria início a uma das mais bem sucedidas franquias do cinema que em 2020 completa 58 anos e na qual Connery atuou em seis filmes oficiais, estabelecendo definitivamente um estilo único e incomparável ao personagem.

Quando disse pela primeira vez a famosa frase “O nome é Bond… James Bond”, o ator estabeleceu o charme e a ironia que se tornariam a marca da versão cinematográfica do agente secreto criado pelo escritor escocês Ian Fleming.

Além de O satânico Dr. No, Sean Connery participaria cronologicamente dos filmes Moscou contra 007 de 1963, 007 contra Goldfinger de 1964, 007 contra a Chantagem Atômica de 1965, Com 007 Só Se Vive Duas Vezes 007 de 1967, 007 Nunca Mais Outra Vez de 1983 (que se trata de uma refilmagem de 007 Contra a Chantagem Atômica) e Os Diamantes são Eternos 007 de 1971.

Enquanto sua carreira decolava, o ator se dividia entre os filmes de James Bond e trabalhos com diretores como Sidney LumetBasil Dearden e Vittorio De Sica, que o contratou para o papel dele mesmo devido à popularidade de Connery naquela época.

Depois do quinto filme da franquia James Bond 007, o ator resolveu que não interpretaria mais o personagem, sendo substituído por George Lazenby. O resultado foi um tremendo fracasso com a metade da bilheteria do longa anterior.

O ator então decidiu retomar o personagem em 1983 em uma produção que não fazia parte da franquia oficial e isso só foi possível depois de uma batalha judicial. O longa se chamava 007: Nunca Mais Outra Vez, como uma referência sarcástica à sua resistência em permanecer na pele do espião.

Os clássicos da carreira

Em 1964 Sean Connery atuou em uma das obras primas de Alfred Hitchcock, o clássico Marnie: Confissões de uma Ladra ao lado da lindíssima Tippi Hedren e também iniciaria uma duradoura parceria com o diretor Sidney Lumet com quem trabalhou em The Hill: A Colina dos Homens Perdidos de 1965, O Golpe de John Anderson de 1971, Até os Deuses Erram de 1972 e Negócios de Família de 1989.

Boa parte da crítica especializada considerava Connery como um grande canastrão, porém este perfil foi bastante útil e o ajudou a caracterizar alguns de seus personagens mais marcantes, como é o caso do Colonel Arbuthnot de Assassinato no Expresso Oriente lançado em 1974, baseado no romance de Agatha Christie e dirigido também por Sidney Lumet.

Assassinato-no-Expresso-do-Oriente-1974
Imagem: Assassinato no Expresso Oriente/ Reprodução

O charme do ator seria ainda mais enfatizado quando ele protagonizou O Homem que Queria Ser Rei, um clássico de 1975 dirigido por John Huston e coestrelado por seu amigo Michael Caine. Embora o colega roubasse a cena sempre que aparecia, Connery soube usar a ironia e o sarcasmo a seu favor, caminho este que utilizou em vários de seus trabalhos e acabou se tornando uma marca registrada.

A partir do sucesso de O Homem que Queria Ser Rei, sua carreira entraria em ascensão de qualidade, fazendo com que Connery se tornasse o único dos atores que interpretaram o papel de James Bond a conseguir este feito.

Nas décadas seguintes Sean Connery estrelou vários filmes de sucesso como Robin e Marian de 1976, Highlander de 1986, Caçada ao Outubro Vermelho de 1990, A Rocha de 1996 e Armadilha de 1999.

As principais premiações

O ator escocês chegaria ao ápice de sua carreira ao conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel como o policial veterano Malone em Os Intocáveis com Kevin Costner e Robert de Niro, no ano de 1987, em uma cerimônia onde foi ovacionado pelos presentes no Dorothy Chandler Pavillion, local da festa de entrega dos prêmios da Academia na época.

Os Intocáveis
Imagem: Os Intocáveis/ Reprodução

Veja análises de incríveis personagens em:

Um ano depois Connery venceria o Bafta (que é correspondente ao Oscar britânico) de melhor ator por seu papel como o padre franciscano William de Baskerville em O Nome da Rosa de 1986, filme que foi dirigido por Jean-Jacques Annaud e baseado no romance homônimo do crítico literário italiano Umberto Eco. Este papel em particular é considerado por muitos analista e críticos de cinema como sendo talvez o melhor trabalho de toda a carreira do ator.

Sean Connery ficaria eternizado definitivamente na cultura pop ao interpretar o Dr. Henry Jones, um importante arqueólogo americano e pai do personagem-título de Indiana Jones e a Última Cruzada lançado em 1989. O personagem lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro.

O afastamento de Hollywood

Depois de uma carreira cheia de sucessos que durou por cinco décadas, o ator se afastou de Hollywood nos anos 2000 e passou a viver uma vida mais reclusa e tranquila, jogando golfe e se dividindo entre suas casas na Espanha, Portugal e Caribe.

Sua última atuação foi no filme A Liga Extraordinária de 2003 que não teve uma boa receptividade do público, sendo que voltaria a trabalhar apenas em 2012 quando dublou um veterinário escocês aposentado na animação Sir Bill.

A grande verdade é que em um universo onde tantos talentos são apagados pelo próprio mecanismo da indústria cinematográfica e mesmo com as críticas por nunca ter sido um ator brilhante como outros de sua geração, Sean Connery encontrou em seu carisma e charme uma forma de se destacar e criar uma assinatura, deixando sua marca na história do cinema e também na cultura pop.

Curiosamente vários papéis de destaque foram rejeitados pelo ator no decorrer de sua carreira, entre eles estão o de Arquiteto na trilogia Matrix e o de Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes de 1991.

Mas talvez a recusa mais polêmica e contraditória de todas seja o papel de Mago Gandalf, na trilogia O Senhor dos Anéis. Ele declarava em entrevistas que não conhecia o trabalho de J. R. R. Tolkien e que não havia entendido muito bem o roteiro do filme.

Outro fato curioso é que apesar de James Bond ter sido colocado em 5º lugar na lista dos 100 Maiores Personagens de Todos os Tempos da revista Premiere, Sean Connery sempre declarou publicamente que não gostava do personagem:

“Eu sempre odiei o maldito James Bond. Eu queria acabar com ele.”

A vida pessoal e política de Sean Connery

Como um exímio jogador de golfe, Connery foi dono do Domaine de Terre Blanche, um luxuoso Spa-resort que fica a 31 km do Parc Zoologique de Fréjus no sul da França, onde planejava construir seu campo de golfe e seu sonho seria realizado quando ele o vendeu para o bilionário alemão Dietmar Hopp em 1999.

Sean Connery
Imagem: Sean Connery/ Reprodução

O ator foi nomeado Cavaleiro da Rainha Elizabeth II por seus serviços prestados ao cinema e às artes em uma cerimônia no Palácio Holyrood em Edimburgo no ano 2000. Ele já havia recebido o mesmo título em 1997 e 1998, mas essas nomeações foram vetadas por Donald Dewar devido às opiniões políticas de Connery.

Sean Connery era membro do SNP, um partido de centro-esquerda que fazia campanha pela emancipação da Escócia, apoiando financeiramente e por meio de aparições pessoais, financiamento este que teve fim 2001, quando o Parlamento do Reino Unido aprovou uma legislação que proibia doações externas em atividades políticas.

Por muitos anos ele viveu nas Bahamas e declarou publicamente em 2003, que só voltaria à Escócia no dia em que o país tivesse se tornado independente do Reino Unido.

Os casamentos e a família

Connery foi casado com a atriz australiana Diane Cilento de 1962 a 1973, embora tenham se separado em 1971. Em sua autobiografia de 2006, Cilento fez declarações onde alegou que ele havia abusado dela mental e fisicamente durante o relacionamento.

O ator cancelou uma aparição no Parlamento escocês por causa da polêmica, mas negou as acusações da ex-esposa e declarou na época que qualquer abuso contra mulheres era inaceitável.

O casal teve um filho, o ator Jason Connery que nasceu em 1963 e teve uma breve carreira como ator, mas ao longo dos últimos anos tem trabalhado como diretor em filmes como O Garoto de Ouro de 2012 e Área 51 de 2011.

Em 1975 Sean Connery se casou com a pintora franco-marroquina Micheline Roquebrune com quem esteve por 45 anos e até o dia de sua morte. O casamento teria sobrevivido a um caso bem midiático que ele teve no final dos anos 1980 com a cantora e compositora Lynsey de Paul.

A despedida de Sean Connery

Sean Connery, faleceu neste sábado 31 de novembro de 2020, aos 90 anos. Seu filho Jason Connery declarou à rede britânica BCC, que o ator não estava bem há algum tempo e morreu pacificamente durante o sono.

“Um dia triste para todos que conheciam e amavam meu pai e uma perda triste para todas as pessoas ao redor do mundo que apreciavam o maravilhoso talento que ele tinha como ator”

Connery morreu na cidade de Nassau, capital das Bahamas, onde passou seus últimos anos de vida. A viúva do ator veio a público revelar o quanto foi dura a luta do marido contra demência em seus últimos anos de vida.

Aos 91 Micheline Roquebrune mostrou o seu lamento sobre o drama vivido por seu companheiro em um depoimento ao jornal britânico Daily Mail. Ela também compartilhou uma de suas últimas fotos com o ator, tirada no aniversário de casamento dos dois.

“Ele não estava capacitado para se expressar ultimamente. Pelo menos ele morreu durante o sono e foi tudo muito pacífico. Eu estive com ele o tempo todo e ele simplesmente se foi. Era o que ele queria. Ele tinha demência e isso teve seu peso para ele. Ele teve seu último desejo atendido e partiu sem nenhuma tensão”.

Muitos atores, diretores e personalidades de Hollywood fizeram suas homenagens ao eterno espião James Bond. Os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, que são os atuais responsáveis pela franquia 007, também lamentaram a morte de Sean Connery nas redes sociais:

Estamos arrasados com a notícia da morte de Sir Sean Connery. Ele foi e sempre será lembrado como o James Bond original, cuja inegável entrada para a história do cinema começou quando ele pronunciou aquelas palavras famosas – ‘O nome é Bond… James Bond’. Ele revolucionou o mundo com seu retrato intrépido e espirituoso do sexy e carismático agente secreto. Ele é sem dúvida muito responsável pelo sucesso da franquia e seremos para sempre gratos a ele“.

Com certeza não é fácil perder um artista tão talentoso como foi Sean Connery, porém é inegável admitir que os registros e o legado deste incrível ator estarão para sempre em nossos corações e serão lembrados pela eternidade.

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