O Senhor Milagre sem dúvidas é um dos personagens mais fantásticos quando nos referimos ao universo da DC Comics e isso não é por acaso. O herói foi criado por Jack Kirby durante sua breve passagem pela editora e rapidamente ganhou destaque nas páginas das HQ’s.

Sua primeira aventura foi em Mister Miracle # 1, publicada em abril de 1971, sendo parte integrante das quatro séries inseridas na ambiciosa Saga do Quarto Mundo, que também foi idealizada por Kirby.

Inegavelmente o autor se tornou uma das maiores lendas dos quadrinhos de todos os tempos. Ele foi responsável pela criação de inúmeras histórias que fazem parte de um vasto legado, explorado até hoje por diferentes mídias.

Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Pantera Negra e muitos outros personagens que atualmente faturam bilhões nas bilheterias e colecionam legiões de fãs, um dia foram apenas ideas fabricadas por seu imaginário.

Tanto dentro da Marvel como para a DC, Jack Kirby criou heróis e vilões icônicos que se tornaram muito importantes ao longo dos anos. O Senhor Milagre faz parte desta imensa lista e apesar de não ser conhecido pelo grande público, já protagonizou excelentes histórias nos quadrinhos.

O Senhor Milagre e a Saga do Quarto Mundo

Para entendermos a origem do Senhor Milagre, é necessário conhecermos um pouco sobre Saga do Quarto Mundo e sobre quem são Os Novos Deuses. Tais conceitos foram criados por Jack Kirby e acabaram se tornando um dos alicerces do universo cósmico da DC.

Em 1970, o autor saía da Marvel para trabalhar na DC Comics, com a proposta de ter total liberdade para criar novos personagens e histórias. Ficar à vontade era realmente tentador para uma fonte infinita de ideias, como o próprio Stan Lee o descrevia.

Sabendo da vontade de Kirby em ter mais liberdade criativa, a editora permitiu que ele criasse, escrevesse e editasse os seus próprios títulos. Tudo isso sem precisar trabalhar em Nova York, uma vez que ele havia se mudado para a Califórnia nesta época.

Foi nessa fase que o quadrinista começou a desenvolver a Saga do Quarto Mundo, estabelecendo definitivamente a poderosa raça dos Novos Deuses, que era dividida em duas porções completamente opostas uma da outra.

Os Novos Deuses
Imagem: Os Novos Deuses/ DC Comics

Os residentes de Nova Gênese eram liderados pelo benevolente Pai Celestial, enquanto os habitantes de Apokolips se curvavam ao temível Darkseid, que futuramente se tornaria um dos maiores vilões da DC.

Em poucas palavras, O Quarto Mundo imaginado por Kirby, é uma ópera espacial que retrata a eterna batalha entre o bem, representado por Nova Gênese, e o mal na figura de Apokolips.

O autor estava disposto a compor um arco completo, com os títulos que formavam o núcleo do Quarto Mundo, sendo eles, “New Gods”, “Forever People”, “Mister Miracle” e o já existente “Superman’s Pal Jimmy Olsen”.

Todos esses títulos eram repletos de elementos espetaculares, como o tubo de explosão, o computador vivo chamado Caixa Materna, a Poltrona Mobius e vários outros artefatos que até hoje, estão presentes o Universo DC.

Contudo, a revista do Senhor Milagre acabou se tornando muito mais popular entre os leitores e o mais duradouro entre os títulos do Quarto Mundo, com um total de 18 edições, enquanto New Gods e The Forever People, foram canceladas depois de apenas 11 edições.

A origem do Senhor Milagre

Scott Free se trata de um dos Novos Deuses, que nasceu no mundo perfeito conhecido como Nova Gênese, mas foi criado em meio as trevas de Apokolips. Sua primeira aparição foi na revista Mister Miracle #1 em 1971.

Para entendermos melhor a origem do Senhor Milagre, é necessário conhecer também um pouco sobre a Saga do Quarto Mundo, pois a história do herói está intimamente relacionada com a eterna batalha entre Nova Gênese e Apokolips.

Scott Free é filho de Izaya, o Pai Celestial, líder e monarca de Nova Gênese que no passado foi um poderoso guerreiro. Ele governa seu planeta pacificamente com compaixão e benevolência, diferentemente de seu arquirrival Darkseid que comanda Apokolips com mãos de ferro.

Na época do nascimento de Scott, a guerra entre os dois mundos estava em seu momento mais caótico, com muitas baixas em ambos os lados. Para evitar uma catástrofe gigantesca, seus líderes resolveram fazer um acordo de paz.

O trato proposto, envolvia uma troca entre os filhos de Darkside e do Pai Celestial. Dessa forma, como oferta de paz, Nova Gênese receberia o pequeno Orion, enquanto Scott, ainda um bebê, seria entregue para ser criado em Apokolips.

Orion foi recebido por Izaya, que o criou como um verdadeiro filho, ensinando a ele, técnicas para controlar sua raiva e brutalidade. Isso não era uma tarefa fácil, visto que sua genética fervia com a fúria do impiedoso Darkseid.

Aprender como controlar sua natureza sombria, consumiu grande parte da juventude de Orion, mas conforme ele crescia, os ensinamentos do Pai Celestial faziam dele um guerreiro extremamente poderoso.

Scott Free por outro lado, não teve a mesma sorte, uma vez que ao chegar em Apokolips foi rejeitado por Darkside e deixado em um orfanato aos cuidados da Vovó Bondade, que se trata de uma tirana sádica e amante da violência.

Neste lugar, as crianças são torturadas tanto física quanto psicologicamente, além de serem duramente treinadas e preparadas, para no futuro, se tornarem servos obedientes do impiedoso governante de Apokolips.

Com o passar dos anos, Scott começou a perceber que possuía uma incrível habilidade que o permitia escapar de armadilhas elaboradas, consideradas impossíveis para outras pessoas.

Scott Free - Jack Kirby
Imagem: Scott Free – Jack Kirby

Além disso, ele também tinha uma enorme sede por liberdade e se recusava a ser influenciado pela crueldade a que era submetido. Apesar de viver em um ambiente infernal, o jovem se manteve sempre integro e bondoso.

Nesta época, Scott se tornou amigo de um Novo Deus chamado Rimon, que estava infiltrado em Apokolips. Ele comandava uma rebelião que tinha a dura missão de sabotar todos os planos de Darkseid.

Nosso herói também cria um vínculo de amizade com as poderosas Fúrias Femininas, uma equipe formada por super-guerreiras de elite, treinadas pela Vovó Bondade. Scott acaba se apaixonando pela líder do grupo, conhecida como Grande Barda.

Barda corresponde o sentimento, pois fica impressionada com a natureza bondosa de seu amado. Ela, juntamente com seu amigo Rimon, serão muito importantes para a maior de todas as fugas realizadas por Scott Free.

Ele decide fugir de Apokolips, sendo essa, a única maneira de se livrar das garras da Vovó Bondade e do tirano Darkseid. Através de um tubo de explosão ele escapa e vai diretamente para um belo planeta chamado Terra.

Ao chegar em seu destino, Scott acaba conhecendo duas pessoas que serão muito importantes para sua história, o escapista Thaddeus Brown e seu ajudante, o anão Oberon.

Thaddeus é um grande artista que ganha a vida fazendo shows espetaculares, onde precisa se livrar dos mais variados e complexos tipos de armadilhas.

Ele é conhecido pela mídia como Senhor Milagre e logo percebe que o jovem Scott Free também possuí grandes habilidades escapistas. Os dois acabam ficando muito amigos, mas algum tempo depois, Thaddeus é assassinado por um grupo de gangsters.

Scott consegue capturar os bandidos e decide usar o manto do amigo para continuar seu legado e honrar seu nome, atuando como uma celebridade ao mesmo tempo que levava uma vida de super-herói.

O Senhor Milagre e a Grande Barda

A ligação entre Scott Free e Grande Barda sempre foi algo muito marcante e muito explorado nas histórias do herói. Diz a “lenda” que Jack Kirb teria se inspirado no relacionamento que tinha com sua própria esposa Roz para compor a relação entre os personagens.

Senhor Milagre e Grande Barda
Imagem: Senhor Milagre e Grande Barda/ DC Comics

Não conseguindo ficar por muito tempo longe de seu amado, Barda decide escapar de Apokolips e ir procura-lo na Terra. Os dois então decidem que viverão em paz e escondidos, longe de todos os horrores de seu planeta de origem.

Porém, as forças de Darkseid logo foram capazes de encontra-los, e apartir daí o casal percebeu que não conseguiria realizar seu sonho de liberdade tão facilmente. Eles decidem voltar para Apokolips e lutar pelo direito de serem livres por meio de uma disputa em combate.

Depois isso, finalmente Scott e Barda poderiam viver juntos e bem longe daquela realidade sombria e infernal. Os dois se casam com a benção do Pai Celestial e acabaram passando uma temporada em Nova Gênese, antes de voltar para a Terra.

A próxima fase das histórias do herói é muito interessante, pois ao retornar de sua jornada pela liberdade, o Senhor Milagre é convocado para fazer parte de uma nova formação da Liga da Justiça, que ficou conhecida como Liguinha entre os leitores.

Isto aconteceu em uma série criada por Keith Giffen, J. M. DeMatteis e Kevin Maguire que foi publicada em 1983. O sucesso da obra se deu por conta do tom bem-humorado e até mesmo escrachado utilizado no enredo das histórias, que ao longo dos anos acabaram se tornando um clássico da DC Comics.

Além da presença marcante da Grande Barda em suas histórias, o Senhor Milagre também conta com o anão Oberon, que além de melhor amigo e companheiro na sua carreira como escapista, ainda atua como um tipo de agente nas investigações da equipe.

Sem esquecer também de Funky Flasman, seu agente de marketing e o jovem Shilo Norman que se torna aprendiz do Senhor Milagre após ser ajudado por ele na captura dos assassinos de seu irmão.

Scott decide ensinar tudo o que sabe para Shilo, tanto nas artes do escapismo, quanto sobre a tecnologia e manuseio dos equipamentos de Nova Gênese. No futuro o garoto acaba até mesmo usando o manto do Senhor Milagre em algumas histórias.

O Senhor Milagre de Tom King

Tom King se tornou um dos principais quadrinistas da atualidade por conta de seus trabalhos, tanto para a Marvel como em The Vision, publicada entre 2015 e 2016, como para a DC Comics em Batman: Ribirth, com destaque para Guerra de Piadas e Charadas.

Porém, sua abordagem diferenciada em Senhor Milagre acabou fazendo com que a revista fosse considerada uma das maiores HQ’s dos últimos tempos. Muito disso por se tratar de uma história cheia de metáforas que se utiliza de uma linguagem moderna, porém muito bem contextualizada.

Os desenhos incríveis elaborados por Mitch Gerads também ajudaram a compor um conjunto diferenciado de elementos, que parecem conseguir transportar o leitor para dentro da trama, nos aproximando muito da carga emocional transmitida pela história.

O design do layout é planejado para que todas as páginas do quadrinho sejam divididas em nove quadros. Esse estilo é conhecido como grade democrática, pois utiliza o mesmo tamanho para cada quadro.

Isso já foi usado por autores como Alan Moore e Dave Gibbons em “Watchmen”, por Warren Ellis e Ben Templesmith em “Fell: Cidade Brutal” e por David Lapham em “Balas Perdidas”.

A história nos mostra um momento da vida de Scott Free, onde ele já conseguiu dominar todas as técnicas e truques, escapando de praticamente tudo, exceto da morte. A HQ tem um clima muito psicodélico, além de explorar o personagem sob uma perspectiva completamente diferente.

Scott Free - Tom King
Imagem: Scott Free – Tom King/ DC Comics

Aqui o Senhor Milagre na verdade passa por uma fase melancólica e depressiva. Ele também faz grandes reflexões sobre sua vida como herói e se questiona sobre suas atitudes durante todos os anos em que esteve distante de seu mundo de origem.

Em meio a todas essas questões psicológicas, Scott ainda descobre que Darkseid conseguiu domínio sobre a Equação Anti-vida e matou Izaya, o Pai Celestial. Este fato faz com que ele e Barda precisem retornar à Nova Gênese, mesmo contra sua vontade.

A partir daí, começamos a descobrir todas as tramas e entrar neste universo, onde nem tudo é o que parece ser. O autor é capaz de nos surpreender com seu enredo metafórico, onde cada página contém mensagens e significados subliminares.

Apesar de se tratar de uma saga cheia de elementos cósmicos e muita ficção científica, como já conhecemos na obra de Jack Kirby, nesta HQ, Tom King consegue nos contar uma história que aborda o lado mais humano do Senhor Milagre.

De todas as armadilhas das quais o herói já conseguiu escapar, os dilemas e os problemas acumulados, foram capazes de prendê-lo em sua própria vida, que por sinal ele odeia.

No decorrer da narrativa utilizada por Tom King, descobrimos ainda, que muito disso aconteceu por conta de Scott Free não ser capaz de lidar com suas próprias questões psicológicas.

A tentativa de suicídio é colocada pelo personagem como seu maior desafio, que seria escapar da morte. Mas se analisarmos o contexto com mais atenção, podemos perceber que o grande desafio na verdade, seria morrer para escapar de uma vida que não faz mais sentido para ele.

Senhor Milagre
Imagem: Senhor Milagre -Tom King/ DC Comics

E aí galera, depois de todas essas informações e curiosidades sobre O Senhor Milagre, bateu aquela vontade de ler todas as histórias do herói, não é mesmo?

Então não marque bobeira!!!

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