ACTS OF BLOOD é daqueles jogos que conseguem chamar a atenção em poucos segundos. Basta um trailer para perceber que existe uma oportunidade interessante aqui.
Em vez de apostar só em nostalgia barata, o projeto usa a base clássica dos beat’n ups para construir uma experiência mais crua, violenta e cinematográfica.
Corredores apertados, espancamentos violentos e uma atmosfera sufocante que lembra, quase de imediato, o cinema de ação indonésio. Não por acaso, parte da cobertura internacional comparou o jogo ao espírito de The Raid (Operação Invasão – 2011), o que ajuda a explicar por que tanta gente colocou esse projeto no radar tão rápido.
Ao mesmo tempo, na página oficial da Steam os desenvolvedores descrevem o projeto como um beat’n up em terceira pessoa focado em combate corpo a corpo mais solto, rápido e brutal.
Enredo de ACTS OF BLOOD

Na história, o jogador controla o personagem Hendra, um estudante de direito que parte para a vingança depois que sua família é destruída por rivais do pai em uma cidade distópica da Indonésia. A premissa gira em torno de vingança – um tanto clichê – mas não para aí.
O pano de fundo sugere um ambiente tomado por criminalidade, disputas de poder e um sistema corrupto incapaz de oferecer justiça. Bem, já que o sistema protege bandido, a justiça é feita com as próprias mãos em ACTS OF BLOOD.
Algumas descrições pela internet situam essa jornada em uma versão distópica de Bandung, enquanto na Steam consta o nome fictício Bandapa. Deixando esse detalha de lado, o fato é que ACTS OF BLOOD constrói uma cidade inspirada pela Indonésia urbana como palco de uma guerra pessoal cada vez mais violenta.
O combate é o cerne do projeto

Tiro, porrada e bomba! É no sistema de luta que ACTS OF BLOOD parece realmente querer se diferenciar. O jogo aposta em confrontos rápidos, agressivos e com forte resposta visual.
A base inclui ataques leves e pesados, esquiva, o famigerado parry e finalizações dinâmicas, além do uso de armas improvisadas e até armas de fogo em momentos específicos. Nesse ponto ACTS OF BLOOD se parece menos com SIFU e se aproxima mais da jogabilidade do saudoso Sleeping Dogs.
Mais interessante ainda é o flerte direto com o pencak silat, arte marcial frequentemente associada ao cinema de ação da Indonésia.
O próprio material ligado ao trailer menciona essa influência, e comentários oficiais da comunidade Steam indicam que a equipe vem ajustando animações para aproximar ainda mais os combates dessa linguagem.
A estética “gritty” ajuda a vender a proposta
Visualmente, ACTS OF BLOOD não parece interessado em glamour. O jogo abraça um estilo urbano pesado, quase “favelistico” das quebradas, com ruas decadentes, interiores apertados e cenários que participam ativamente da ação.

A interatividade do ambiente não é enfeite. Pelo contrário. Ela fornece ferramentas para potencializar a brutalidade das lutas e amplia a sensação de improviso, como se qualquer objeto ao redor pudesse virar ferramenta de sobrevivência. Algo que víamos muito em jogos do PS1 como Fighting Force e Jackie Chan Stuntmaster.
Essa escolha estética conversa bem com a proposta narrativa e faz o projeto parecer mais “sujo”, mais tenso e mais físico do que muitos beat’n ups recentes.
Além da proposta violenta e da identidade visual marcante, ACTS OF BLOOD também chama atenção por estar sendo desenvolvido na Unreal Engine 5, algo que ajuda a explicar o peso das animações, a densidade dos cenários e o impacto visual exibido nos trailers. Esse detalhe mostra que o time tem ambição.
Mesmo sendo um jogo independente, ele tenta competir no campo da apresentação com uma estética mais cinematográfica, agressiva e tecnicamente impressionante.
Quem é a Eksil Team
A responsável pelo projeto é a Eksil Team, estúdio indie de Bandung, na Indonésia, atualmente focado em seu primeiro grande título de ação.
Esse detalhe ajuda a explicar parte do fascínio em torno de ACTS OF BLOOD. Existe aqui não apenas um jogo promissor, mas também a sensação de que um time pequeno está tentando colocar sua identidade cultural no mapa global dos games de ação.
Vale ficar de olho?
Como dissemos no início, ACTS OF BLOOD chama atenção logo nos primeiros segundos graças às animações e ao combate muito bem executado.
Para quem quiser ter uma ideia melhor do que estamos falando, há uma demo disponível desde novembro de 2024. Até agora, ela sustenta a avaliação “Muito Positiva” no acumulado da Steam, embora as análises mais recentes estejam mais divididas.
Isso sugere duas coisas. Primeiro, existe potencial real. Segundo, ainda há espaço para refinamento. Se a versão final conseguir manter a intensidade do trailer, polir o combate e preservar sua personalidade própria, ACTS OF BLOOD pode se tornar uma das surpresas mais interessantes do cenário indie.
Também vale observar que ACTS OF BLOOD surge em um momento curioso para o gênero beat’em up.
Depois de anos longe dos grandes holofotes, o gênero parece voltar a despertar interesse com jogos que apostam em uma abordagem mais moderna, brutal e estilizada. Samson: A Tyndalston Story, por exemplo, já tem lançamento marcado para 8 de abril de 2026 no PC, o que reforça essa sensação de retorno.
Dentro desse cenário, ACTS OF BLOOD não parece apenas mais um jogo de lutinha. Pelo contrário. Ele dá sinais de que pode fazer parte de um novo fôlego para um gênero que ainda tinha muita lenha para queimar.




















