Shrek 2
Shrek 2/Teaser - Imagem: DreamWorks

Após derrotar Lorde Farquaad e quebrar a maldição que transformava Fiona em uma ogra, Shrek e sua esposa partem para uma viagem romântica. Ao retornarem ao pântano, encontram o Burro e recebem um convite para visitar os pais de Fiona, o Rei Harold e a Rainha Lillian, no reino de Tão Tão Distante. Apesar da resistência de Shrek, o casal decide aceitar.

A chegada, porém, não ocorreu como esperado. Harold fica horrorizado ao descobrir que sua filha se casou com um ogro, enquanto Shrek percebe que não é bem-vindo naquele reino. Durante um jantar desastroso, o conflito entre ele e o rei se intensifica. Enquanto isso, Harold procura a ajuda do Gato de Botas para eliminar Shrek, mas o plano fracassa e o felino acaba se tornando aliado do ogro e do Burro.

A situação se complica quando Shrek descobre que Harold possui uma dívida com a Fada Madrinha, uma poderosa figura que deseja que Fiona se case com seu filho, o Príncipe Encantado. No passado, Harold havia recorrido à Fada Madrinha para conquistar Lillian e, em troca, prometera permitir que Encantado se casasse com Fiona.

Determinado a salvar seu casamento, Shrek invade a fábrica da Fada Madrinha e rouba uma poção que promete fazê-lo feliz para sempre. Ao bebê-la, ele se transforma em um homem humano, enquanto Fiona também recupera temporariamente sua forma humana. A Fada Madrinha, entretanto, manipula a situação para separar o casal e faz Encantado assumir a aparência de Shrek.

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Acreditando que Fiona deixou de amá-lo, o verdadeiro Shrek decide partir. Porém, ele descobre o plano da Fada Madrinha e retorna para impedir o casamento. Após uma grande batalha, a Fada Madrinha é derrotada e Harold finalmente aceita Shrek como marido de sua filha. No final, Shrek e Fiona percebem que preferem permanecer como verdadeiros ogros.

Direção de Shrek 2

Andrew Adamson assim como no primeiro filme, esteve a frente de Shrek 2, Kelly Asbury e Conrad Vernon também trabalharam na direção desse filme. Uma das diferenças mais perceptíveis é justamente o tratamento da luz e da sombra. No primeiro Shrek, muitas cenas possuem uma iluminação mais uniforme e uma aparência relativamente simples. Em Shrek 2, há maior preocupação com fontes de luz, sombras projetadas, iluminação ambiente e profundidade, o que ajuda os ambientes a parecerem menos “artificiais”.

Há ainda outro fator: a própria animação dos personagens melhorou. Os rostos apresentam mais sutilezas de expressão, os movimentos são mais naturais e os tecidos, cabelos, pelos e superfícies têm um tratamento mais elaborado. Isso é particularmente perceptível em personagens como Fiona e no Gato de Botas.

Ela manipula Encantado e Fiona ao mesmo tempo. Bom, para Encantado, existe a promessa de finalmente conquistar a princesa. Para Fiona, existe a pressão de cumprir aquilo que sua mãe e a sociedade esperam dela. Para Shrek, existe o medo de descobrir que, no fundo, Fiona nunca poderia amá-lo como ogro. Ou seja, o antagonismo não depende apenas de “vilão contra herói”. A Fada Madrinha explora inseguranças que já existiam nos personagens.

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Houve também cenas bem mais ousadas no segundo filme. A cena do biscoito gigante, Mongo, é um ótimo exemplo desse contraste, porque transforma uma ideia visualmente absurda em uma ferramenta narrativa. 

E existe uma característica muito própria de Shrek: pegar algo associado à infância e aos contos de fadas e transformá-lo em uma peça de ação. Um simples biscoito decorativo de uma história infantil se transforma, literalmente, em uma arma de cerco. Todos esses elementos resultaram em uma continuação que conseguiu ampliar o universo de Shrek sem perder a identidade que tornou o original tão marcante.

Crítica

A recepção crítica que Shrek 2 teve, seguiu bastante favorável. No Rotten Tomatoes, por exemplo, essa animação alcançou 69% de aprovação em uma escala com 250 mil votos. No IMDB, esse filme alcançou 7.4/10 estrelas em uma escala com 563 mil votos. Em ambos os portais de classificação Shrek 2 não conseguiu superar o primeiro filme, pelo menos entre o grande público.

Os principais elogios que o filme recebeu giram em torno do salto de qualidade na estética visual mais refinada. Kenneth Turan, do Los Angeles Times, destacou o trabalho das equipes de animadores, especialmente a capacidade de criar grandes sequências visuais e momentos de espetáculo. 

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Roger Ebert deu 3 de 4 estrelas. Ele considerou o filme “brilhante, animado e divertido”, mas achou que ele não alcançava o impacto do primeiro. Para Ebert, o problema era justamente que o original havia sido tão surpreendente e criativo que a continuação inevitavelmente parecia mais convencional. 

Não é incomum ver críticos implicando que Shrek 2 não conseguiu replicar o fator novidade que tornou o primeiro filme tão impactante. O roteiro explorou praticamente os mesmos temas como auto aceitação, amor proibido e preconceito. Mas fazendo um contraponto, Shrek 2 conseguiu manter a imprevisibilidade na trama, e se superar no nível cósmico. Um exemplo disso é a cena em que Shrek, Burro e o Gato de Botas são pegos pelos guardas reais e contidos, fazendo uma alusão a uma verdadeira abordagem policial moderna em um perfiodo tão arcaico.

Assim, a avaliação predominante foi de que Shrek 2 conseguiu superar as limitações comuns às sequências e se consolidar como uma continuação competente, divertida e visualmente sofisticada. 

Orçamento e bilheteira

As principais bases de dados sobre orçamento cinematográficos, The Numbers e Box Office Mojo apresentam valores diferentes com relação ao custo de produção de Shrek 2. Porém, podemos destacar o valor mais divulgado na internet desse filme, estimado em US$ 150 milhões. Esse valor é mais que o dobro do custo do primeiro filme. 

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O resultado nas bilheterias foi simplesmente extraordinário, pois essa animação arrecadou US$ 932 milhões nas bilheterias mundiais. Dessa maneira, Shrek 2 se tornou a maior bilheteria de 2004, superando grandes sucessos como Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, O Dia Depois de Amanhã, Os Incríveis e A Paixão de Cristo.

O primeiro Shrek já havia sido um enorme sucesso, mas Shrek 2 levou a franquia para outro patamar comercial. A continuação não apenas atraiu novamente o público que havia gostado do original, como conseguiu transformar Shrek em uma das principais franquias cinematográficas da DreamWorks.

Em resumo, Shrek 2 demonstrou que a DreamWorks não estava apenas investindo em uma sequência, mas em uma franquia com enorme potencial comercial. O alto custo de produção foi amplamente compensado por uma bilheteria mundial excepcional, consolidando o filme como um dos maiores sucessos de 2004 e fortalecendo Shrek como uma das propriedades mais valiosas do estúdio.

Trilha sonora de Shrek 2

A trilha sonora de Shrek 2 é um dos elementos mais marcantes do filme, embora só o ocupem um papel mais interessante no clímax do filme. O álbum desse filme se divide entre músicas originais e faixas licenciadas.

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A trilha original foi composta pelo britânico Harry Gregson-Williams, que também havia trabalhado no primeiro Shrek. Em Shrek 2, ele retorna com uma composição mais ampla, acompanhando o aumento da escala da história. Uma faixa que ilustra muito bem isso é “Fairy Godmother”. Ela funciona particularmente bem para demonstrar como a trilha de Shrek 2 ganhou uma dimensão mais grandiosa e cinematográfica.

E com relação às faixas licenciadas, não poderia destacar outra faixa se não “Holding Out for a Hero”. interpretada por Jennifer Saunders. A canção acompanha uma das sequências mais memoráveis de Shrek 2, quando o protagonista tenta chegar ao castelo para impedir o casamento de Fiona com o Príncipe Encantado. 

A escolha da música “Holding Out for a Hero” é especialmente inteligente porque a letra fala sobre a espera por um grande herói, enquanto a própria cena brinca com o conceito tradicional de príncipe encantado e herói dos contos de fadas. A combinação entre a música grandiosa, a montagem acelerada e as situações cômicas transforma a sequência em um espetáculo que funciona simultaneamente como paródia e como momento genuinamente emocionante. 

A trilha sonora de Shrek 2 ganhou bastante espaço nas cerimônias de prêmios de (2005). Por exemplo, “Accidentally in Love”, do Counting Crows. A música recebeu indicações ao Oscar de Melhor Canção Original, Globo de Ouro e Grammy, além de ter vencido o prêmio de Melhor Canção Original da Phoenix Film Critics Society. Tanto no primeiro filme como no segundo a trilha sonora de Shrek se mostrou como um dos elementos mais fortes, tornando o filme ainda mais inesquecível.

Conclusão

No fim, embora Shrek 2 não tenha causado o mesmo impacto de novidade que seu antecessor, o filme conseguiu compensar isso com uma produção mais ambiciosa, visualmente refinada e repleta de situações criativas. A continuação aproveitou conceitos já conhecidos para construir uma aventura maior, adicionando novos personagens, conflitos e momentos de humor que mantiveram a franquia relevante. Dessa forma, Shrek 2 pode não ter reinventado a fórmula, mas demonstrou que era possível expandi-la sem perder a identidade que tornou o primeiro filme tão marcante. Até a próxima!

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