Análise | O Caminho para El Dorado

O Caminho Para El Dorado
O Caminho Para El Dorado/Teaser - Imagem: DreamWorks Animation

Em 1519, na Espanha, os golpistas Miguel e Tulio conseguem um mapa para a lendária cidade de ouro, El Dorado, após uma aposta envolvendo dados. Descobertos, fogem e acabam embarcando acidentalmente em um navio comandado por Hernán Cortés rumo ao Novo Mundo. Capturados e condenados à escravidão, conseguem escapar com a ajuda do cavalo Altivo e seguem as pistas do mapa até encontrar a entrada secreta de El Dorado atrás de uma cachoeira.

Ao chegarem, são confundidos com deuses pelos habitantes após um vulcão entrar em erupção e se acalmar durante uma discussão entre eles. Recebidos com honrarias pelos líderes Tannabok e o sumo sacerdote Tzekel-Kan, passam a desfrutar de luxo enquanto planejam fugir com o ouro recebido. Chel, uma nativa astuta, descobre a farsa e exige ir embora com eles em troca de silêncio.

Enquanto Tulio mantém o foco na riqueza, Miguel começa a admirar a cultura e o povo da cidade. Durante um jogo ritualístico, Miguel impede um sacrifício humano, conquistando o apoio popular, mas Tzekel-Kan percebe que eles sangram e conclui que não são deuses. Usando magia, ele cria um jaguar de pedra para atacá-los, mas acaba derrotado e levado por um redemoinho. Perdido na selva, encontra Cortés e promete guiá-lo até a cidade.

Ao perceberem que a chegada dos conquistadores significaria destruição, Miguel e Tulio abandonam o plano de enriquecer. Decidem destruir a entrada de El Dorado colidindo um barco contra pilares sob a cachoeira, bloqueando o acesso. O plano funciona, mas eles perdem todo o ouro. Cortés parte frustrado, levando Tzekel-Kan como escravo. Sem tesouros, mas orgulhosos por terem salvado a cidade, Miguel, Tulio e Chel seguem juntos em uma

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Direção de O Caminho para El Dorado

A direção de O Caminho para El Dorado foi conduzida por Bibo Bergeron e Don Paul, dois diretores talentosos da indústria cinematográfica. Don Paul já havia dirigido grandes sucessos animados como A Bela e a Fera, O Rei Leão, Aladdin e A Pequena Sereia. A identidade visual que estes cineastas construíram em O Caminho para El Dorado, é marcad por cenário amplo e detalhados desenhados à mão, animação tradicional de personagens, e um ritmo rápido de uma cena para outra.

Uma das cenas mais memoráveis do filme é o momento que Túlio e Miguel chegam em El Dora, e se deparam um uma cidade paradisíaca, com grandes templos com o acabamento em ouro, nativos prósperos, e paz. A cena, se destaca pela riqueza de cores e o equilíbrio entre natureza e simetria.

A força maior está na expressividade corporal também realçam o tom bem humorado que os diretores queriam para o filme. Tulio e Miguel têm um gestual exagerado, microexpressões e timing quase teatral. Isso vem da tradição Disney (especialmente no caso de Don Paul) e dá à dupla um ritmo de comédia física muito refinado.

Por fim, Bibo Bergeron e Don Paul fizeram um trabalho incrível, com traços bem semelhantes a Príncipe do Egito, outra ótima animação da DreamWorks. Apesar de não ter se popularizado tanto como Shrek, Madagascar ou até Spirit: O Corcel Indomável, O Caminho para El Dorado é uma das melhores produções do estúdio.

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Em que foi baseado O Caminho para El Dorado

O Caminho para El Dorado, não foi baseado em um livro específico, mas em contos e alguns acontecimentos históricos que se tornaram bastante importantes. O filme tem como principal inspiração a lenda de El Dorado, o reino de ouro lendário que levou as expedições espanholas à América do Sul no século XVI. A menção a Cortés evoca Hernán Cortés e o cenário histórico da colonização. 

A cidade apresentada combina aspectos culturais de civilizações como Maias e Astecas, ainda que de maneira estilizada e fantasiosa. Além de se basear na história, o filme adota o formato das comédias de dupla aventureira da série “Road to…”, mesclando humor, aventura e música em uma trama descontraída.

Crítica

A recepção crítica de O Caminho para El Dorado foi mista. Muitos elogiaram o humor, a dinâmica entre Miguel e Tulio, além da animação colorida. Já críticas apontaram uma história previsível, personagens pouco profundos e baixo impacto emocional. O crítico Roger Ebert destacou o tom leve e divertido da narrativa. O filme causou muito mais satisfação do que aversão. Por exemplo, no IMDB essa animação alcançou 6.9/10 estrelas em uma escala de 118 mil votos. No Rotten Tomatoes, O Caminho Para El Dorado alcançou 66% de aprovação por parte do público, em uma escala de mais de 50 mil classificações.

Atualmente o Caminho Para El Dorado é considerado uma das animações mais subestimadas já lançadas no cinema. Nesse sentido até lembra outras produções como “O Planeta do Tesouro”. Curiosamente, com o passar dos anos, ele ganhou status de “cult” entre fãs de animação

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Orçamento e bilheteria

O orçamento de O Caminho Para El Dorado, se manteve nos padrões de indústria, custando US$ 90 milhões. Animações como Tarzan e Mulan, excederam ou permaneceram nessa faixa. Sendo uma grande produção, O Caminho Para El Dorado precisaria arrecadar 3 vezes o seu custo para atingir as expectativas do estúdio. Porém, o filme só arrecadou US$ 76 milhões. Naquele mês filmes como Erin Brockovich, Missão a Marte e Premonição também disputaram a atenção do público.

O Caminho para El Dorado não teve um relançamento comercial amplo nos cinemas. Após sua estreia, o filme ganhou popularidade principalmente por VHS, DVD, televisão e streaming, além de algumas exibições especiais. Com o tempo, tornou-se um título cult da DreamWorks Animation.

Trilha sonora de O Caminho para El Dorado

A trilha sonora de  O Caminho para El Dorado, foi composta por Elton  John, um dos músicos que conquistou grande espaço no mundo da música popular. John já havia contribuído para outros filmes animados de grande sucesso, como por exemplo O Rei Leão. As características que definem bem as faixas desse filme são composições orquestrais, ritmo acelerado com melodias que remetem a salsa, em certos momentos cantados pelos próprios personagens como em um musical da Disney.

Podemos destacar a faixa a canção “It ‘s Tough to Be a God”, do filme O Caminho para El Dorado, mistura orquestra com ritmos latinos como Salsa e Mambo. O tom é cômico e festivo, acompanhando o momento em que Miguel e Túlio são tratados como deuses e encenam seus supostos poderes diante da cidade. 

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O Caminho para El Dorado recebeu indicações importantes,  como por exemplo Annie Awards. As músicas dessa obra não só tornam a trama mais divertida e leve, como também contribuem para construir uma atmosfera de exploração colonial, tempo distante e grandiosidade. 

Conclusão

Originalidade define bem O Caminho para El Dorado, há muitos filmes de exploração colonial, há muitas animações que trabalham bem as cenas musicais e  há muitos roteiros que contam jornadas épicas de uma dupla carismática. Mas misturar tudo isso em uma só obra e executar de forma convincente, evidência a parte ousada que compõem os filmes da DreamWorks, é o que torna os filmes desse estúdio tão bons.

Em resumo, O Caminho para El Dorado demonstra como a combinação de aventura, humor e números musicais pode resultar em uma obra com sua própria identidade. Essa combinação ressalta a audácia criativa da DreamWorks Animation, conhecida por explorar novos formatos e reinventar fórmulas no universo da animação. Até a próxima!

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