Análise | A Lenda dos Guardiões

A Lenda dos Guardiões
A Lenda dos Guardiões/Trailer - Imagem: Warner Bros. Pictures.

“A Lenda dos Guardiões”, mostra Soren, uma jovem coruja-das-torres que habita a Floresta Tyto, cresce ouvindo seu pai contar histórias sobre os míticos Guardiões de Ga’Hoole. Sonhador e repleto de virtudes, ele provoca ciúmes no irmão mais velho, Kludd, que, tomado pela inveja, o faz cair de um galho. 

Ambos são sequestrados por corujas a serviço dos Puros e conduzidos à sinistra Academia St. Aegolius, local em que órfãos se tornam soldados ou catadores de metais magnéticos empregados em uma arma poderosa. Enquanto Kludd se une aos soldados, Soren e Gylfie resistem ao “piscar da lua”, um método de lavagem cerebral. Com o auxílio do dissidente Grimble, eles conseguem escapar.

Ao longo da jornada em direção à lendária Grande Árvore de Ga’Hoole, eles se juntam a Twilight, Digger e à cobra Sra. P. Depois de enfrentar perigos, como uma tempestade de neve, eles são recebidos pelos Guardiões e têm a oportunidade de conhecer líderes como Boron, Barran e o enigmático Ezylryb, que se apresenta como Lyze de Kiel, herói das guerras contra os Puros. Porém, eles descobrem uma traição dentro da própria ordem: Allomere, subordinado dos inimigos, leva os Guardiões a uma emboscada.

Enquanto o grupo enfrenta morcegos e o perigoso Bico de Metal, Soren mostra bravura ao destruir a arma magnética e resgatar os Guardiões. Nesse embate, Kludd se mostra aliado dos Puros e enfrenta uma batalha mortal contra seu irmão, caindo nas chamas em um desfecho trágico. Posteriormente, Soren vence Bico de Metal com um galho incendiado, obrigando Nyra e os Puros a recuarem.

Retornando à Grande Árvore, Soren e seus companheiros são oficialmente nomeados como Guardiões. No entanto, a ameaça permanece: Kludd sobrevive e adota a identidade de Bico de Metal, pronto para dar continuidade ao conflito.

Direção de A Lenda dos Guardiões

A Lenda dos Guardiões foi dirigido por Zack Snyder, o mesmo diretor de “300”, “O Homem de Aço”, e “Watchmen”. Em resumo, essa animação carrega muitos elementos que caracterizam a identidade do cineasta. Por exemplo, o uso de Slow Motion em cenas de batalha, que nos ajuda a ver de modo ainda mais imersivo as lutas. Além disso, espetáculos visuais através de cenários e composições de cenas fantásticas.

A Lenda dos Guardiões (2010), inspirado nos livros de Kathryn Lasky, apresenta a assinatura de Zack Snyder na cena culminante de batalha entre os Guardiões e os Puros: a utilização de slow motion para enfatizar o mergulho de Soren contra Kludd, cenários grandiosos e impressionantes com céus tempestuosos e chamas, além da criação de um confronto épico entre exércitos de corujas em voo sincronizado. Esses componentes demonstram o estilo do diretor, que converte a animação em um show visual à altura de suas produções live-action, como 300 e Watchmen.

O nível de detalhes nessa animação, se mostrou muito caprichado. A textura das penas das corujas é nítida e podem assimilar cada camada que compõem os personagens. Outra cena que ilustra bem a qualidade dos detalhes, é quando Eglantine treina Soren na tempestade. Nessa cena podemos ver o corpo das corujas interagindo com milhares de gotas de chuva.

A Lenda dos Guardiões é um dos filmes que ajudou a cristalizar ainda mais a identidade visual de Zack Snyder na indústria cinematográfica. O apelo estético e as coreografias alucinantes de batalha tornam esse longa metragem, um dos melhores do cinema.

Em que foi baseado esse filme?

A lenda dos guardiões é baseada não em um romance, mas em uma série de romance escrita pela autora Kathryn Lasky. O filme adapta especificamente os 3 primeiros volumes, “A Captura”, “A Jornada”, e “O Resgate”. Em essência, o filme se mostra fiel às obras originais: Soren, uma jovem coruja-das-torres, é capturada pelos “Puros” e, ao descobrir a existência dos míticos Guardiões de Ga’Hoole, embarca em uma missão para encontrá-los e combater as forças do mal. 

Os livros não conquistaram grandes prêmios, porém vários volumes se tornaram best sellers e ganharam grande destaque no mercado editorial americano. Inegavelmente alguns dos pontos bais do filme dirigido por Zack Snyder é que a trama é grandiosa e tem muito potencial> Mas todo esse potencial não pode ser explorado com profundidade em menos de 2 horas de filme. Apesar de tudo, a adaptação é capaz de agradar os fãs dos livros.

Melhores cenas de A Lenda dos Guardiões

Os filmes dirigidos por Zack Snyder são caracterizados por cenas alucinantes, “A Lenda dos Guardiões” não é uma exceção. Por exemplo, Soren, Gylfie e Twilight chegam à grande árvore de Ga’Hoole. Nessa cenas, a imensa árvore surge entre nuvens e névoa, iluminada pela lua, com galhos como colunas majestosas e luzes cintilantes, transmitindo segurança, magia e grandiosidade. Algumas das outras melhores cenas são:

Inferno gelado: Soren e seu grupo enfrentam uma violenta tempestade de neve, com ventos fortes e relâmpagos, batalhando para voar em conjunto enquanto a trilha sonora intensifica a tensão, ressaltando bravura e solidariedade em um cenário visualmente impactante.

Luta entre irmãos: Na batalha decisiva, Soren confronta Kludd em uma fornalha ardente. Enquanto tenta salvar o irmão do fanatismo, luta intensamente. Kludd rejeita a redenção, desequilibra-se e cai no fogo, fazendo com que Soren saia vitorioso, porém profundamente abalado emocionalmente pela perda.

A queda de Surtr: Na batalha final, Soren enfrenta Surtr em meio a fogo e tempestade. Apesar da força brutal do inimigo, usa astúcia para incendiá-lo e derrotá-lo. O momento marca sua consagração como Guardião, unindo triunfo épico e amadurecimento emocional.

Vale ressaltar que as motivações de Kludd, são bem mais desenvolvidas no livro. A revolta da corujinha é mais convincente na obra original, enquanto no filme ele é mau porque “sim”. Porém, apesar dos personagens não terem tanta profundidade, às cenas alucinantes do filme se mostram o suficiente para nos reter até o último segundo.

Orçamento e bilheteria de A Lenda dos Guardiões

“A Lenda dos Guardiões” teve um custo estimado em US$ 80 milhões, quantia bem alta para um filme de animação. Seu desempenho comercial não alcançou as expectativas, arrecadando somente 140 milhões. Apesar do filme recuperar seu investimento e gerar algum lucro, não foi visto como um grande sucesso, especialmente em comparação com outras animações do mesmo ano, como “Toy Story 3” e “Como Treinar o Seu Dragão”, que arrecadaram centenas de milhões.

Crítica

“A Lenda dos Guardiões”, em geral, dividiu opiniões entre o público. Por exemplo, no IMDB o filme alcançou uma classificação de 6.9/10 estrelas. As maiores ressalvas do público gira em torno da falta de profundidade no roteiro. De fato, são muitos eventos importantes acontecendo de maneira muito rápida. Por exemplo, A rivalidade entre Soren e Kludd é desenvolvida de maneira progressiva no livro, retratando a mudança de Kludd para antagonista por meio de conflitos emocionais, inveja, ressentimento e decisões cada vez mais obscuras, o que confere profundidade à sua traição. 

No filme, essa conexão é significativamente reduzida: os irmãos quase não se encontram até a batalha final, momento em que Kludd já está totalmente alinhado com os Puros. O confronto ocorre de maneira rápida e objetiva, sem oportunidade para explorar a carga emocional da ruptura fraternal.

Trilha sonora de A Lenda dos Guardiões

O álbum de A Lenda dos Guardiões foi composto por David Hirschfelder. O músico australiano tem uma discografia conceituada, e alguns de seus trabalhos renderam indicações importantes. Por exemplo, o músico já recebeu uma indicação ao Oscar por suas composições em Shine (1996).

A maior parte dos filmes do Zack Snyder apresentam músicas muito estilizadas, em “300” vemos músicas de Rock e Metal tocadas no fundo das cenas. Nesse sentido, “A Lenda dos Guardiões” também carrega um pouco dessa identidade, porém, aparece de forma contida. 

A faixa “Flight Home (The Guardian Theme)”, composta por David Hirschfelder, tocada na cena do treinamento de Soren, ilustra bem isso. Essa canção mescla uma orquestra majestosa, corais etéreos e crescendos emocionantes, intensificando o instante em que Soren revela sua verdadeira força em meio ao caos climático. O álbum desse filme, se mostra marcante.

Conclusão

Uma das coisas mais interessantes sobre A Lenda dos Guardiões é que, originalmente, trata-se de uma obra voltada para o público infantojuvenil. Porém, sob a direção de Zack Snyder, o filme ganha uma atmosfera muito mais sombria e madura do que se esperaria de uma animação desse tipo. O diretor soube extrair dos livros de Kathryn Lasky elementos de maior densidade, dando peso às batalhas, à construção visual e até mesmo ao destino de alguns personagens. 

Embora não haja sangue ou cenas excessivamente violentas, o filme não deixa de apresentar momentos trágicos e impactantes. Um exemplo é o arco de Kludd, irmão de Soren, cuja inveja e ambição o levam a trair os Guardiões e seguir o caminho dos Puros. Seu destino final é marcado por um desfecho trágico, que simboliza a perda irreversível dos laços familiares.

Outro exemplo de desfecho sombrio e inesperado é o de Allomere, que finge lealdade aos Guardiões, mas na verdade atua como conspirador e subordinado de Surtr. Sua traição acaba custando caro, pois ele é arrastado brutalmente por morcegos e devorado, em uma cena chocante para uma animação juvenil. Assim, através da ótica de Snyder, adultos podem encontrar neste universo lúdico não apenas fantasia, mas também ação, dilemas morais, virtudes e valores que dialogam com questões mais profundas. Até a próxima!

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