cerimônia de encerramento do 69th Berlinale International Film Festival Berlin no Berlinale Palace em 16 de fevereiro de 2019 em Berlim, Alemanha
Urso de Ouro - Foto de DenisMakarenko
Primeira edição1951
Onde ocorreBerlim, Alemanha
FundadorOscar Martay
Tipo de premiaçãoPremiação do melhor longa-metragem
Quando é realizado?Anualmente

Urso de Ouro (Goldener Bär, em alemão) é um dos mais importantes prêmios do cinema internacional, e que já conta com mais de 7 décadas de atividade, premiando filmes destaque do ano.

Neste artigo, vamos mergulhar na história e desenvolvimento da premiação, conferir alguns dos principais vencedores da estatueta, e um pouco mais sobre o festival do qual faz parte. Acompanhe!

O que é o Urso de Ouro?

O Urso de Ouro é o mais prestigiado prêmio concedido no Festival Internacional de Cinema de Berlim (também conhecido como Berlinale). Este prêmio representa um dos momentos mais aguardados e relevantes do calendário cinematográfico mundial.

Nesse caso, a premiação é concedida anualmente ao melhor longa-metragem da competição internacional do festival, e mais recentemente, passou a ser entregue também ao melhor curta-metragem.

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Considerado um dos principais festivais de cinema do mundo, o Festival de Berlim tem grande relevância na indústria cinematográfica e atrai a atenção de diretores, produtores, atores e cinéfilos de todo o globo. A cada ano, uma seleção diversificada de filmes de diferentes países é exibida na competição internacional, abrangendo diferentes gêneros, temáticas e estilos.

O júri responsável por selecionar os vencedores é composto por profissionais do cinema, incluindo cineastas, atores, críticos e personalidades da indústria cinematográfica. Esses especialistas analisam a qualidade artística, a originalidade, a narrativa, a direção, a atuação e outros aspectos técnicos e criativos dos filmes em competição.

Ao longo dos anos, o Urso de Ouro foi entregue a uma variedade de filmes notáveis, que se tornaram marcos na história do cinema. Esses filmes muitas vezes abordam questões sociais, políticas e culturais, buscando emocionar, provocar e entreter o público.

Quando o prêmio Urso de Ouro foi criado?

O Urso de Ouro passou a ser entregue no ano de 1951, que marca também a própria criação do Festival de Berlim, na Alemanha.

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Um pouco da história da premiação

Para entender mais profundamente a relevância do Urso de Ouro, é importante conhecer um pouco mais da história da premiação. Acompanhe!

A criação do Festival de Berlim

Ao lado de nomes como o Festival de Cinema de Veneza, Festival de Cannes, Internacional de Cinema de Toronto, Sundance Film e o Tribeca, o Festival de Berlim é um dos grandes festivais do mundo, como já mencionado. Nesse caso, sua criação se deu no início da década de 50, durante o período auge da Guerra Fria, pouco após a Alemanha sair derrotada da Segunda Guerra Mundial

A frente do projeto esteve Oscar Martay, que à época era diretor de cinema da Divisão de Serviço de Informações do Alto Comissariado Americano para a Alemanha, sediado em Berlim.

Foi ele que em 1950 propôs a criação do festival, com a ideia sendo submetida diretamente ao comitê do senado alemão, bem como de pessoas ligadas à indústria do cinema. Assim, já em 1951 ocorreu sua primeira edição.

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A entrega do Urso de Ouro

o Urso de Ouro de Melhor Filme por "Sinônimos" durante o 69th Berlinale Film Festival em Berlim, Alemanha
Urso de Ouro – Foto de DenisMakarenko

Sendo o destaque do Festival de Berlim, que também entrega outras premiações, como o Urso de Prata, o Urso de Ouro está presente desde o ano de criação do festival.

Na estreia, o prêmio foi determinado através de um painel da Alemanha Ocidental, havendo assim cinco vencedores, divididos por categorias e gêneros. Foi somente a partir de 1956 que um júri internacional passou a avaliar as obras participantes e decidir o vencedor.

A abertura para os curta-metragem

Com grande foco nas produções de longa-metragem, foi somente no ano de 2007 que o festival passou a possuir uma categoria específica voltada para os curta-metragem. Desde então, essas obras concorrem dentro da competição internacional de curtas.

A criação da estatueta

A responsável pela criação da estatueta do Urso de Ouro foi Renée Sintenis (1888-1965), uma escultora expressionista alemã, famosa por seus trabalhos em pequenas esculturas de nus femininos, animais e também figuras dos desportos.

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Quando a escolha do animal, deve-se ao fato do urso ser uma figura importante para Berlim, estando representado não apenas no seu brasão de armas, mas também na bandeira da capital alemã.

Filmes brasileiros que já ganharam o Urso de Ouro

Em 72 anos de história, o Festival de Berlim já viu bastante trabalhos brasileiros. De todo modo, o destaque vai para duas produções que foram agraciados com o Urso de Ouro: Central do Brasil e Tropa de Elite.

Central do Brasil (1998)

Central do Brasil é um filme brasileiro dirigido por Walter Salles e lançado em 1998. Dessa forma, foi a primeira produção nacional a ser agraciada com o Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim desse mesmo ano. A premiação, nesse caso, ajudou a consolidar o filme com uma das mais importantes da cinematografia brasileira.

O enredo do filme gira em torno de Dora, uma ex-professora e atual escritora de cartas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A personagem, interpretada brilhantemente por Fernanda Montenegro, é uma mulher amarga e cética, que escreve cartas para analfabetos e pessoas de origens humildes que precisam enviar mensagens para seus entes queridos. O contexto social em que a história se desenrola é de desigualdade e dificuldades enfrentadas por muitos brasileiros.

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A trama toma um rumo inesperado quando Dora conhece Josué, um menino órfão de nove anos, vivido por Vinícius de Oliveira, que perdeu sua mãe em um acidente de ônibus próximo à estação. Diante desse acontecimento trágico, o destino de Dora e Josué se entrelaça, e a ex-professora se torna a guia relutante do garoto em sua busca por uma vida melhor e pela identificação de seu pai, a quem ele nunca conheceu.

Central do Brasil foi amplamente elogiado pela crítica e pelo público, tanto no Brasil quanto internacionalmente, tornando-se um marco na história do cinema nacional. Além do Urso de Ouro, o filme recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos em outros festivais ao redor do mundo. Um exemplo claro de sua relevância foi a indicação ao Oscar de Melhor Atriz recebido por Fernanda Montenegro.

Tropa de Elite (2007)

Após Central do Brasil, Tropa de Elite (2007) foi o segundo e último filme brasileiro a receber o prêmio Urso de Ouro, concedido no festival de 2008. Dirigido por José Padilha, a obra faz parte do gênero policial e drama, e também teve um impacto significativo na indústria cinematográfica brasileira, conquistando grande sucesso de público e crítica.

A trama do filme se passa no Rio de Janeiro e aborda a intensa e complexa realidade do combate ao tráfico de drogas na cidade. A história é narrada pelo ponto de vista do capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura, um experiente e implacável membro do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), uma tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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O filme retrata a rotina dos integrantes do BOPE, uma unidade de elite treinada para lidar com situações de alto risco e violência extrema. Nascimento é mostrado como um policial dedicado e eficiente, mas também como um homem que lida com conflitos éticos e morais decorrentes de seu trabalho, muitas vezes recorrendo a métodos controversos para alcançar seus objetivos.

Além de abordar as ações do BOPE, o filme também destaca as tensões e a corrupção no seio da Polícia Militar e a influência do tráfico de drogas nas favelas cariocas.

Tropa de Elite é conhecido por sua narrativa intensa, cenas de ação impactantes e uma abordagem realista da violência urbana no Rio de Janeiro. O filme captura a atmosfera tensa e o clima de insegurança vividos em muitas comunidades da cidade. Muito por isso, foi extremamente bem recebido pelo público e pela crítica, tornando-se um dos filmes brasileiros de maior sucesso comercial e cultural até então.

Últimas 10 obras a ganharem o Urso de Ouro

Ao todo, o Festival de Berlim já teve 73 edições. E neste tópico, veremos quais foram as 10 últimas obras premiadas com o Urso de Ouro, o que compreende o período de 2014 a 2023.

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Black Coal, Thin Ice (2014)

“Black Coal, Thin Ice” é um filme chinês de 2014, escrito e dirigido por Diao Yinan. Ambientado na província de Heilongjiang, em 1999, o enredo é impulsionado pelo misterioso aparecimento de partes desmembradas de um corpo humano em carregamentos de carvão em cidades diferentes.

A trama segue um ex-detetive, Zhang, que se envolve no caso, mas acaba demitido devido a circunstâncias inexplicáveis. Anos depois, ele retoma a investigação, envolvendo-se com a misteriosa vítima, uma mulher chamada Wu. O filme é um suspense sombrio e intrigante, com reviravoltas inesperadas, atmosfera opressiva e uma narrativa complexa.

Taxi Tehran (2015)

“Taxi Tehran” é uma mistura de documentário e ficção iraniana dirigida por Jafar Panahi. O filme retrata o próprio diretor, Jafar Panahi, assumindo o papel de um motorista de táxi compartilhado pelas ruas de Teerã. Enquanto conduz os passageiros, Panahi entra em conversas espontâneas com diversas pessoas, oferecendo insights sobre a sociedade iraniana, seus dilemas e a complexidade da vida no país.

Através dessa abordagem íntima, o filme abraça a autenticidade e a criatividade cinematográfica de Panahi, apesar das restrições governamentais que o impediram de fazer filmes. “Taxi Tehran” é um retrato envolvente da vida cotidiana e da liberdade artística.

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Fire at Sea (2016)

“Fire at Sea” é um documentário italiano dirigido por Gianfranco Rosi. O filme foi gravado na ilha de Lampedusa, um pequeno ponto no sul da Itália, durante o auge da crise migratória europeia. Com uma abordagem sensível e autêntica, a obra mostra a difícil realidade enfrentada pelos migrantes que tentam atravessar o perigoso Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor na Europa.

Através de imagens impactantes e depoimentos tocantes, o filme destaca a tragédia humana dessas jornadas arriscadas, enquanto também apresenta a vida cotidiana dos habitantes locais, que testemunham a chegada desses refugiados. “Fire at Sea” é um olhar comovente e urgente sobre a crise humanitária que afeta milhares de vidas.

On Body and Soul (2017)

“On Body and Soul” é um drama húngaro escrito e dirigido por Ildikó Enyedi. A trama acompanha Endre, o CFO de um matadouro, e Mária, recém-nomeada inspetora de qualidade de carne, que descobrem ter uma conexão incomum: podem se comunicar através de seus sonhos. Esse encontro os aproxima e leva a um romance improvável.

Enquanto lidam com suas próprias dificuldades e inseguranças na vida real, o mundo dos sonhos se torna um refúgio compartilhado, onde encontram consolo e compreensão mútua. Com uma abordagem poética e contemplativa, o filme explora temas de solidão, vulnerabilidade e a beleza inesperada das conexões humanas.

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Touch Me Not (2018)

“Touch Me Not” é um filme romeno único e provocativo dirigido por Adina Pintilie. Combinando elementos de ficção e documentário, o filme explora questões de intimidade, sexualidade e vulnerabilidade. A trama segue a cineasta Adina Pintilie, que assume o papel de terapeuta, entrevistando e interagindo com três personagens distintos: Tómas Lemarcis, Laura Benson e Dirk Lange.

Cada um deles apresenta suas próprias lutas e questões emocionais relacionadas à intimidade e à busca pelo contato físico e emocional. Ao longo das sessões de terapia, o filme mergulha em jornadas profundamente pessoais e reflexivas, desafiando convenções sociais e levando os espectadores a uma jornada de autoconhecimento e conexão humana.

Synonyms (2019)

“Synonyms” é um intenso drama francês dirigido por Nadav Lapid, e ganhador do Urso de Ouro de 2019. A história gira em torno de Yoav, um jovem israelense que decide fugir para Paris, buscando se livrar de sua nacionalidade e desconectar-se completamente de suas raízes.

Na capital francesa, ele tenta se reinventar e assimilar-se à cultura local, rejeitando sua língua materna e até mesmo seu próprio nome. No entanto, sua jornada de autoexílio se revela um desafio emocional e psicológico complexo, enquanto ele lida com a alienação, a identidade em conflito e a busca por um novo sentido de pertencimento.

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There Is No Evil (2020)

“There Is No Evil” é um emblemático filme em língua persa, escrito e dirigido por Mohammad Rasoulof. A obra é composta por quatro histórias entrelaçadas, todas centradas na pena capital no Irã. Cada segmento retrata personagens comuns que são confrontados com dilemas éticos e morais em relação à execução de prisioneiros.

O filme aborda questões complexas de justiça, poder e responsabilidade individual em meio a um sistema legal opressivo. Devido à sua abordagem crítica sobre a pena de morte e a censura no país, “There Is No Evil” foi proibido no Irã, tornando-se uma expressão corajosa da liberdade artística e uma denúncia contundente do sistema judicial iraniano.

Bad Luck Banging or Loony Porn (2021)

“Bad Luck Banging or Loony Porn” é uma comédia dramática romena, escrita e dirigida por Radu Jude. A história gira em torno de Emi Cilibiu, uma professora que toma uma decisão arriscada ao gravar uma cena de sexo amador com seu marido, Eugen. Infelizmente, o vídeo acaba sendo divulgado em um site privado, mas logo se espalha por toda a comunidade onde Emi trabalha.

A partir desse incidente, a vida pessoal e profissional da protagonista é completamente abalada, gerando escândalo, julgamentos e reviravoltas inesperadas. O filme aborda de forma provocativa temas como privacidade, moralidade, hipocrisia social e consequências imprevisíveis de ações aparentemente inofensivas. Através de sua narrativa ousada e humor ácido, “Bad Luck Banging or Loony Porn” desafia as convenções sociais e proporciona uma reflexão sobre os valores morais em uma sociedade cada vez mais exposta às tecnologias e à exposição pública.

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Alcarràs (2022)

“Alcarràs” é um drama hispano-italiano dirigido por Carla Simón. Ambientado na região de Alcarràs, Catalunha, o filme aborda um drama familiar que se desenrola diante do cenário de desaparecimento das atividades tradicionais ligadas à colheita de pêssegos.

A trama acompanha a história de uma família cuja vida é profundamente afetada pela decadência dessa tradição agrícola, o que gera tensões e conflitos entre os membros. O filme examina as mudanças sociais e econômicas enfrentadas por comunidades rurais e as consequências emocionais que essas transformações têm sobre as pessoas e seus relacionamentos.

On the Adamant (2023)

Por fim, o último vencedor do Urso de Ouro foi “On the Adamant”, um documentário francês dirigido por Nicolas Philibert. A obra oferece um olhar profundo sobre o edifício flutuante L’Adamant Day Center, localizado no rio Sena, em Paris. Esse local especializado é uma creche destinada ao tratamento de adultos que sofrem de transtornos mentais.

O filme nos convida a explorar a vida cotidiana e as experiências dos pacientes que frequentam o centro, bem como dos profissionais de saúde que ali trabalham. Através de uma abordagem sensível e respeitosa, “On the Adamant” busca oferecer uma compreensão mais humana e empática sobre os desafios enfrentados por aqueles que lidam com questões de saúde mental, enquanto lança luz sobre o trabalho dedicado da equipe de cuidadores.

Considerações finais

Como foi possível observar, o Urso de Ouro apresenta seus diferenciais próprios em relação a outras grandes prêmios do cinema. Em sua categoria de longas-metragens, tanto filmes, como documentários, quanto obras híbridas já conseguiram seu devido reconhecimento, frente a avaliações profissionais dos críticos.

Com obras das mais variadas nacionalidades conseguindo se sagrar vencedores, vale referenciar novamente Central do Brasil e Tropa de Elite, os dois únicos filmes brasileiros que levantaram a estatueta do Urso de Ouro.

Carioca, estudante de Direito, servidora pública e apaixonada por vídeo games, tecnologia e cultura pop em geral. Tenho como hobbies consumir e produzir conteúdos relacionados a esses temas que me interessam, e adoro passar horas adquirindo conhecimento sobre os assuntos que mais gosto, tanto que mantenho um canal no Youtube sobre games há 4 anos. Meu contato com inglês vem de longa data, quando notei que para ter acesso a todo um universo de informações, dominar a língua era fundamental.

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