Morre o cineasta espanhol Carlos Saura

Faleceu nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, o cineasta espanhol Carlos Saura, aos 91 anos de idade. Saura era um dos mais famosos e aclamados diretores de cinema espanhóis (e, porque não dizer, europeus) da história. Em uma carreira que durou quase 70 anos, o cineasta escreveu e dirigiu diversos filmes importantes, ganhando e sendo indicado a diversos prêmios de renome mundial.

Por seu trabalho, Saura foi indicado a três Oscars, venceu um BAFTA, dois Ursos de Prata e um Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi premiado quatro vezes em Cannes, isso sem falar em diversos outros prêmios.

Quase 70 anos de carreira

Saura nasceu em Huesca, na Espanha, em 1932. Filho de um servidor público e de uma pianista, a arte esteve presente em sua vida desde a mais tenra idade. Tanto é assim, que seu irmão mais velho, Antonio Saura, se tornou um dos mais renomados pintores espanhóis do período pós-Segunda Guerra Mundial. Foi Antonio, inclusive, que sugeriu que Carlos se dedicasse ao cinema.

Cena de Carmem (1983)

Recém-saído da faculdade de engenharia civil, Carlos Saura começou a dirigir curtas-metragens em 1955. Dirigiu três curtas e um média-metragem (“Cuenca”) entre 1955 e 1958, até dirigir seu primeiro longa, Los Golfos, em 1959. E logo em sua estreia, Saura foi indicado à Palma de Ouro em Cannes. O elogiadíssimo filme, iria perder o prêmio para o, hoje, clássico La Dolce Vita de Federico Fellini, mas mostraria as credenciais de um jovem e talentoso cineasta.

A partir daí, Saura não pararia mais. Durante os anos 1960, ele dirigiria mais cinco filmes, venceria dois Ursos de Prata e seria indicado a quatro Ursos de Ouro no Festival de Berlim. Nos anos 1970, com uma carreira já consolidada e renome internacional, Carlos Saura se tornaria inegavelmente o principal cineasta espanhol em atividade naquela época.

Cena de Mamãe Faz 100 Anos (1979)

Nessa década, que ele receberia a maioria de suas indicações e prêmios no Festival de Cannes. No total, o cineasta receberia cinco indicações a Palma de Ouro só nessa década, mas infelizmente, não levaria nenhuma para casa. Para compensar, no entanto, ele levaria outros prêmios do Festival. Em 1974, seu filme A Prima Angélica levaria o Prêmio do Júri e em 1976, o longa Cria Corvos levaria o Grande Prêmio do Festival. Foi nessa época, também, que o cinema de Saura atingiria o público americano, com a indicação de Cria Corvos ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Na década de 1980, Saura veria seu cinema, finalmente, atingir o chamado “mercado mainstream”. Em 1980, Mamãe Faz 100 Anos seria indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1981, Depressa, Depressa daria a ele seu primeiro Urso de Ouro no Festival de Berlim. E em 1983, ele dirigiria aquele que seria seu filme mais famoso e bem-sucedido financeiramente, Carmem.

Cena de Depressa, Depressa (1981)

A película foi um enorme sucesso de público não apenas na Europa, mas também nos Estados Unidos, onde durante vários anos seria o filme espanhol com maior bilheteria em solo norte-americano. Além disso, Carmem seria um enorme sucesso de crítica, dando a Saura sua segunda indicação tanto ao Globo de Ouro quanto ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de um BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro, dois prêmios no Festival de Cannes (Grande Prêmio Técnico e Melhor Contribuição Artística), uma indicação a Palma de Ouro (a sexta de sua carreira), e diversos outros prêmios ao redor do mundo.

Ainda nessa década, ele lançaria mais quatro longas-metragens, sendo que todos eles receberiam indicações e prêmios em festivais importantes ao redor do mundo, incluindo, o Festival de Berlim, o Festival de Veneza e o Festival de Cannes.

Nos anos 1990, Saura receberia ainda sua terceira (e última indicação) tanto ao Globo de Ouro quanto ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por seu filme Tango (1998). Nessa década, já com mais de 60 anos de idade e com uma carreira já consagrada, o cineasta passou a ser celebrado e a receber prêmios de conjunto da obra em festivais do mundo todo.

A partir dos anos 2000, apesar da idade, Carlos Saura continuou a escrever e a dirigir filmes. Seu último projeto foi o documentário As Paredes Falam, exibido em diversos festivais no ano passado e lançado comercialmente na Espanha em 3 de fevereiro deste ano, poucos dias antes da morte do cineasta.

O estilo único do cinema de Carlos Saura e sua prolífica filmografia seguramente influenciaram e, com toda certeza, continuaram influenciando cineastas e cinéfilos do mundo todo.

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