O surgimento do estúdio de animação mais famoso do Japão e um dos melhores do mundo, o Studio Ghibli, aconteceu no ano de 1985, na cidade de Tóquio. Os encarregados por sua criação foram os diretores Hayao Miyazaki, Isao Takahata, além do produtor Toshio Suzuki. Miyazaki e Takahata, já possuíam uma longa carreira na televisão. Os dois já também já haviam trabalhado juntos no ano de 1968, na animação Horus: O Príncipe do Sol e depois no curta-metragem Panda Kopanda de 1973. Em 1984, Suzuki fez parte da produção do filme Nausicaä do Vale do Vento. Após um trabalho bem-sucedido, os três se juntaram para a criação do que um ano mais tarde se tornaria o Studio Ghibli. O portfólio do estúdio inclui animações, curtas-metragens e até comerciais. Confira abaixo os cinco melhores filmes do Studio Ghibli.

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Entre as dez melhores bilheterias do Japão, cinco são do estúdio, sendo A viagem de Chihiro o segundo e A Princesa Mononoke o quarto da lista. Muitos trabalhos do estúdio garantiram alguns prêmios no Anime Grand Prix e Japan Academy Prize. Além disso, cinco filmes também receberam indicações ao Oscar. No ano de 2002, o clássico A Viagem de Chihiro, chegou a ganhar um dos prêmios de maior prestígio do mundo, o Urso de Ouro.

Embora as obras sejam um enorme sucesso entre e críticos e público, em seus primeiros anos tais filmes eram pouco comercializados. Como qualquer outra produção japonesa, eles eram caros e muito difíceis de serem adquiridos. Contudo, no ano de 2020, o mês de fevereiro ficou marcado pelo fato da Netflix ter adicionado todos os filmes do Studio Ghibli ao seu catálogo.

Mas caso seja difícil saber por onde começar, elencamos abaixo os melhores filmes do Studio Ghibli baseado em sua nota no IMDb. Ainda mais, porque pessoalmente, a tarefa de escolher os melhores, seja muito difícil. Isso porque até as obras com pouco conhecimento, garantem beleza e impacto. Histórias simples, dotadas de sutileza, mas que muitas vezes abordam temas pesados são temas clássicos dos filmes. Muitas delas adotam elementos de honra, amizade, amor, lealdade, valorização do lar e da natureza, e o modo japonês de pensar.

1 – A Viagem de Chihiro (2001)

A Viagem de Chihiro é uma animação japonesa, do ano de 2001 do gênero fantasia. O diretor Hayao Miyazaki escreveu o roteiro baseado na filha de dez anos do seu amigo produtor Seiji Okuda. A produção começou em 2000 com um orçamento de $ 19 milhões. Enquanto isso, o diretor e produtor John Lasseter (Toy Story) que era fã e amigo pessoal de Miyazaki convenceu a Disney a comprar os diretos de distribuição da obra.

Distribuído no Japão pela Toho Cinemas, o filme foi aclamado mundialmente, arrecadando um valor discrepante de $ 395,8 milhões, comparado ao seu orçamento. Na época, o filme se tornou o maior sucesso de bilheteria na história do Japão, e sua marca só foi ultrapassada 19 anos depois, com o lançamento do filme Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba – O Filme.

Durante o 75º Oscar, o filme foi ganhou a categoria de “Melhor Animação“. Por fim, tornou-se a primeira e única animação desenhada a mão de língua estrangeira a ganhar a categoria. Depois, durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim, recebeu o prêmio Urso de Ouro, um dos mais consagrados do mundo. No ano de 2016, A Viagem de Chihiro foi eleito pela BBC como um dos melhores filmes do século, em 4º lugar. Ainda mais, em 2017 o The New York Times colocou a obra em segundo lugar como Os melhores Filmes do Séculos 21 até agora.

No Rotten Tomatoes, o filme conta com a excelente aprovação de 97%, em uma classificação média de 8,60/10. Já o site Metacritic, atribuiu uma nota de 96 pontos em 100, enquanto sua nota no IMDb é de 8,6. Todos os críticos entraram no consenso de que o filme foi um lindo conto de fadas deslumbrante. Tudo muito bem amarrado, com ótimos desenhos, sendo uma das animações essenciais que todos devem assistir.

A trama conta a história de Chihiro Ogino, uma mimada menina de dez anos. Ela está a caminho de sua nova casa, um local que ela nunca quis ir. Assim, no meio do caminho, seus pais decidem entrar em um parque de diversões abandonado. Dentro do local há um restaurante, que aparentemente parece vazio, mas há uma mesa com muita comida, que os pais da menina não demoram muito para devorar. Sentindo-se estranha, Chihiro começa a explorar o local, e conhece Haku, um menino que à informa de que é melhor ela ir embora antes do por do Sol.

Entretendo, quando a garota corre para avisar seus pais, é tarde de mais. A bruxa Yababa, já havia transformado os dois em porcos. Por fim, Chihiro se torna uma empregada da bruxa, com o intuito de encontrar uma maneira de libertar seus pais e poderem sair dali. A trama mostra uma incrível jornada de Chihiro pelo mundo dos fantasmas, com seres fantásticos onde os humanos não são são bem-vindos.

2 – Túmulo dos Vagalumes (1988)

Túmulo dos Vagalumes é uma animação de drama, com base no conto do romancista Akiyuki Nosaka do ano de 1967, onde ele fala sobre sua trágica infância durante a Segunda Guerra Mundial. O filme do ano de 1988 possui a direção de Isao Takahata, sendo amplamente aclamado pela crítica e considerado um dos melhores filmes de guerra que já existiu.

A princípio, o diretor Takahata gostaria que a animação não fosse feita por métodos tradicionais. Contudo em meio a um cronograma apertado e uma data de estreia já definida, não houve espaço para erros. A produção do projeto foi feita com muita delicadeza, com cortes que tentava retratar o interior do Japão. Mas Takahata era muito detalhista e nunca se sentia satisfeito com seus desenhos. A maioria dos desenhos das cenas foram descartadas e nem se quer fora considerada para o uso final do filme.

Uma curiosidade é que o filme usou a cor marrom ao invés de preto, que é costume no contorto das ilustrações. Michiyo Yasuda, coordenadora de cores do projeto, disse que gostaria que a sensação fosse suave, perante aos acontecimentos desastrosos.

No ano de sua estreia, a obra fez um pequeno sucesso nas bilheterias do Japão e bem pouco nos Estados Unidos. Contudo, quando a fita foi lançado para vendas, as cópias foram muito vendidas, gerando um grande lucro. Em mais um dos filmes do Studio Ghibli a trama conseguiu uma aclamação universal. No Rotten Tomatoes, o consenso crítico chegou a uma taxa de aprovação de 100% em uma média 9,30/10, enquanto sua nota no IMDb é de 8,5. Embora o filme seja triste é um dos trabalhos mais belos já realizados sobre guerra.

No ocidente, a trágica história foi bem recebida, causando um grande impacto emocional e uma boa repercussão. Já que o filme não se concentra na guerra em si, mas no que acontece com as pessoas que estão nessa triste situação. Em meio a tempos como estamos vivendo o filme deixa um lembrete, de que nenhuma guerra é solução e sim um fracasso de um país que deveria cumprir seu dever mais importante, que é proteger seu povo.

A trama se passa no ano de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, onde os irmãos Seita e Setsuko e vivem. Seu pai foi convocado para guerra e sua mãe morreu carbonizada durante um bombardeio em que a casa da família foi destruída, como quase todas na cidade de Kobe. Para manter sua irmã feliz Seita não conta sobre a trágica morte da mãe.

Sem rumo, eles passam a viver com a malvada tia que sempre os maltratam. Um dia, não suportando mais os maus tratos eles fogem e se mudam para um antigo abrigo a prova de bombas que está abandonado. Em meio a escuridão, eles soltam vagalumes, a fim de obterem luz. Nesse meio tempo, em frente a uma série de desafios, ele tanta ao máximo proteger sua irmã e sobreviver, o final é extremamente emocionante.

3 – Princesa Mononoke (1997)

Princesa Mononoke é uma animação histórica de fantasia do ano de 1997, escrita e dirigida por Hayao Miyazaki, distribuído pela Toho Cinemas.  A obra só chegou nos Estados Unidos no final de 1999, mas foi considerada um sucesso de público e crítica. No ano de sua estreia, foi a maior bilheteria do Japão. Uma curiosidade é que nos Estados Unidos, Neil Gaiman foi responsável pelo roteiro de tradução. Princesa Mononoke foi o filme que fez o Studio Ghibli ficar famoso fora do Japão.

Logo no final dos anos 70, Miyazaki começou a desenhar os esboços do filme, onde uma princesa e uma fera viviam na floresta. Durante o ano de 1994, Miyazaki começou a escrever o enredo da história e os storyboards. No ano de 1995, foram criados os designers dos personagens principais. Nesse meio tempo, o diretor e roteirista, visitou antigas florestas do Japão para conseguir inspiração. A produção só começou de fato em 1995, sendo um filme extremamente detalhista e difícil de ser trabalhado, em dois anos de produção, desenhado praticamente a mão.

O orçamento do projeto era de $ 23,5 milhões, e a bilheteria conseguiu alcançar a marca de $169,7 milhões em todo mundo, tornando-se na época a maior bilheteria no Japão, depois de ET. Nos Estados Unidos, o filme não se saiu tão bem financeiramente, mas em relação a vendas de VHS e seu relançamento em DVD uma grande quantia foi garantida. Já a Disney ficou encarregada pela distribuição dos DVDs internacionalmente.

No Rotten Tomatoes, o filme tem 93% de aprovação, em uma classificação de 8,00/10, os elogios vão principalmente aos desenhos bem-feitos. Já no Metacritic a pontuação é de 76 de 100 pontos, com boas críticas, sua nota no IMDb é 8,4/10. Quase todos os críticos entraram no consenso que a animação era muito bem desenha, em um roteiro adulto e bem complexo, com tons exuberantes e uma maravilhosa trilha sonora, sendo considerado um dos melhores filmes de 1999. Frequentemente, os críticos começaram a colocar a animação nas listas das melhores.

No ano de 2009, James Cameron citou que Princesa Mononoke foi sua influência para a criação de Avatar, onde o choque entre duas civilizações são retratadas. O filme foi o primeiro longa-metragem de animação a ganhar um prêmio da Academia Japonesa de Cinema. Além disso, foi indicado a melhor Filme Estrangeiro durante a 70º Cerimonia do Oscar.

O filme se passa no final do Período Muromachi, aproximadamente entre os anos 1336 a 1573 no Japão. A história fala sobre uma aldeia que é invadida por um demônio, e quem resolve enfrentar o monstro é o príncipe Ashitaka. Contudo, após matar o monstro, seu braço é feriado e ele é começa a ser contaminado pela maldição.

Assim, Ashitaka tem o seu destino traçado, onde ele irá se corroer em ódio, até em fim se transformar no mesmo demônio. Porém, há uma solução, e ela se encontra na floresta proibida, ele vai enfrentar animais divinos, uma natureza fantástica e uma princesa amaldiçoada, a Princesa Mononoke. Só assim, ele vai acabar percebendo, que na verdade, a maldição são os homens que querem destruir a natureza.

O filme dá uma grande lição de moral, ao colocar o foco no meio ambiente. Enquanto Mononoke, representa a conexão entre a natureza e os humanos, também mostra o desequilíbrio entre ambos. Além disso, o filme retrata o crescimento desenfreado da humanidade em meio a preservação da natureza.

4. O Castelo Animado (2004)

O Castelo Animado é um filme de romance fantasia do ano de 2004, também escrito e dirigido por Hayao Miyazaki. O romance é vagamente baseado no livro da escritora inglesa, Diana Wynne Jones que tem o mesmo nome. A produção ficou a cargo de Toshio Suzuki (Vidas ao Vento), com a distribuição da Toho Cinemas, sendo um dos melhores filmes do Studio Ghibli.

A trama é baseada na forte posição de Miyazaki à invasão americana contra e a Guerra do Iraque de 2003, onde os temas antiguerra são fortemente anunciados. Ao receber o Oscar de Melhor Animação por A Viagem de Chihiro, ele ele fez seu discurso pautado em sua raiva pela guerra, o diretor que se identifica como um pacifista, pensou que o filme não faria sucesso nos Estados Unidos. Contudo, apesar do filme causar certo desconforto ao público americano, foi muito bem recebido e avaliado.

O filme começou a ser produzido ainda no ano de 2001, e só teve sua estreia no ano de 2004. Isso, durante o 61º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Nos cinemas arrecadou $ 236 milhões em bilheterias pelo mundo, com um orçamento de $ 24 milhões. Além disso, as vendas de Blu-Ray e DVD superaram todas as expectativas, e também foi distribuído pela Disney. Já no Reino Unido, o filme foi o oitavo de língua estrangeiro mais vendido em um relançamento no ano de 2015.

A obra foi aclamada pela crítica, sendo indicado na categoria “Melhor Animação” durante o Oscar daquele ano, mas acabou perdendo. Entretanto, ganhou vários prêmios no Tokyo Anime Awards e no Nebula Awards. No Rotten Tomatoes, sua aprovação é de 87% em uma classificação média de 7,47/10. Já no Metacritic, pontou 80 em 100 pontos, enquanto sua nota do IMDB é de 8,2. Além isso, ele é um entre os filmes do Studio Ghibli que são frequentemente listados pelos críticos.

A trama se passa em um reino fictício, no início do século XX durante uma guerra de reinos em volto de muita tecnologia. A história gira em torno de Sophie, uma jovem modista de 18 que trabalha na chapelaria do seu pai. Em um determinado dia, ao visitar sua irmã, ela conhece um feiticeiro chamado Howl, um homem sedutor, mas de mal caráter. Todavia, em seu caminho de volta para casa ela se depara com a Bruxa da Terra Abandonada, que ao desconfiar que os tinham uma relação, joga uma maldição que faz Sophie se transformar em uma mulher de 90 anos.

Então ela sai a procura do Castelo Animado que pertence a Howl, a procura de quebrar a maldição, um local mágico e se movimenta sozinho. Ao se deparar com o temível demônio Calcifer, ele à propõe um acordo. Caso Sophie crie um vínculo real com seu mestre Howl, ele poderá quebrar a maldição. Assim, ela se passa por sua empregada, escondendo sua verdadeira identidade. Com o tempo, ela passa a se envolver com todos os moradores do castelo, como também entender o porquê de todos terem assim.

A trama mostra alguns temas bastante relevantes, um deles é a velhice, onde é retratada positivamente, como uma situação que te dá liberdade. No momento em que a personagem Sophie se vê mais velha, ela é capaz de falar as verdades que nunca conseguiu, como uma forma de amadurecimento e liberdade. O filme também trás elementos feministas, de apoio entre mulheres e o valor do perdão.

A história também faz uma crítica a modernidade, onde Miyazaki expõe seu descontentamento com excessividade de tecnologia, e aos arrogantes que promovem as guerras. Ao falar sobre as guerras, ele traz vários elementos no filme, como o coração puro de Howl corrompido a serviço do seu líder.

Antes de se aposentar, Miyazaki afirmou que entre todas suas criações O Castelo Animado era sua favorita, e que ele tinha feito um bom trabalho ao tentar transmitir a mensagem que queria. A trama fala sobre amor, romance, lealdade e os efeitos destrutivos da guerra. Os personagens da história são complexos, e mesmo que inicialmente sejam retratados de forma negativa, eles são capazes de mudar, em um ensinamento que que qualquer um também seja capaz.

5 – Meu Amigo Totoro (1988)

Meu Amigo Totoro é uma animação do gênero fantasia, dirigida e escrita por Hayao Miyazaki no ano de 1988. Em 1994, a Disney relançou o filme nos Estados Unidos. A obra trata de temas como animismo (conceito que entidades não humanas possuem uma essência espiritual), a espiritualista xintoísta, o cultivo pela natureza e a alegria de viver em uma comunidade rural.

A obra é outra entre os filmes do Studio Ghibli aclamados pelo público e crítica, ganhando uma multidão de fãs por todo o mundo. De bilheteria, o filme arrecadou $41 milhões conforme suas exibições foram exibidas e reexibidas. Além disso, gerou $ 277 milhões com a venda do DVD, além de $1,142 bilhão de mercadorias licenciadas, e os lucros ainda são somadas até hoje.

No site Rotten Tomatoes sua classificação gira em torno de 94% de aprovação, em uma base média de 8,4/10. No Metacritic ele é classificado com a pontuação 86 entre 100 pontos, e no IMDb sua nota é 8,2. Normalmente sendo citado como um filme emocional e emocionante, que trás passagens de uma infância simples e pura. A fama do filme foi tão grande, que Totoro se tornou a mascote e símbolo do estúdio, além de ser um ícone cultural no Japão.

Além do mais, o filme venceu a categoria de Melhor Filme de 1988 no Anime Grand Prix, Mainichi Film Awards e Kinema Junpo Award. Ele está no 41º lugar na lista “Os Melhores Filmes do Cinema Mundial” da revista Empire. O grande jornal britânico The Independent, incluiu Totoro na lista dos melhores personagens de desenho animado. Sendo Meu Amigo Totoro o grande marco da carreira de Hayao Miyazaki.

A história do filme acompanha a história das duas pequenas filhas do professor universitário Tatsuo Kusakabe, Satsuki de dez anos e Mei de quatro anos. A família se muda para uma velha casa perto do hospital que a mãe das meninas está internada. Um dia Mei, encontra uma passagem dentro do quintal da sua casa que a leva para o lendário espirito da floresta, Totoro com quem faz uma curiosa amizade. Em um determinado dia, impedida de visitar sua mãe no hospital Mei sai por conta própria, contudo, acaba se perdendo na floresta, mas Totoro, ajuda a menina a encontrar seu caminho de volta.

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