Análise | Kingsman: Serviço Secreto

Kingsman: Serviço Secreto
Kingsman: Serviço Secreto - Imagem: 20th Century Fox

Em Kingsman: Serviço Secreto, a história começa quando Lee Unwin, um agente em treinamento, se sacrifica para salvar seu superior, Harry Hart. Anos depois, Harry procura o filho de Lee, Gary “Eggsy” Unwin, um jovem rebelde, mas talentoso, e lhe oferece uma chance de ingressar na organização secreta Kingsman.

A Kingsman é uma agência de inteligência independente formada pela elite britânica, que atua sob a fachada de uma alfaiataria em Savile Row. Eggsy passa por um rigoroso processo de seleção ao lado de outros candidatos, desenvolvendo habilidades e criando laços, especialmente com Roxy. Apesar de seu potencial, ele falha no teste final por se recusar a matar um cachorro, demonstrando sua humanidade.

Enquanto isso, Harry investiga o bilionário Richmond Valentine, que distribui chips de celular gratuitos com um plano oculto: transmitir um sinal que induz as pessoas à violência extrema, como forma de controlar o crescimento populacional e evitar um colapso ambiental. Durante a investigação, Harry é aparentemente morto, e Eggsy descobre que o líder da Kingsman está envolvido na conspiração.

Após reverter a situação e impedir a traição interna, Eggsy, junto com Merlin e Roxy, localiza a base de Valentine. Enquanto Roxy destrói parte da infraestrutura do plano, Eggsy invade o local, enfrenta os capangas e derrota a assassina Gazelle. 

No confronto final, ele elimina Valentine e interrompe o sinal que causava o caos global. Ao final, Eggsy assume o codinome “Galahad”, tornando-se um agente Kingsman e transformando sua vida, enquanto também protege sua família e honra o legado de seu pai.

Direção de Kingsman: Serviço Secreto 

O diretor de Kingsman: Serviço Secreto é Matthew Vaughn, um cineasta com uma grande variedade de filmes em seu portfólio. Algumas das principais obras dirigidas por Vaughn incluem, X-Men: Primeira Classe, Stardust: O Mistério da Estrela e Kick-Ass. Alguns elementos marcam a identidade de Vaughn como diretor de cinema, como apresentar traços caricatos do cinema clássico de modo sofisticado e contemporâneo. Kingsman: Serviço Secreto tem muitos exemplos disso, como por exemplo o uso de ternos bem ajustados e armas mirabolantes como um guarda chuva à prova de balas.

O uso de elementos  comuns como armas aparecem muito em obras como  Homens de Preto e James Bond. Outra decisão criativa bastante interessante nesse filme é a cenografia e figurinos estilizados e o uso de cores contrastivas. Isso estilizou muito essa adaptação. Em algumas entrevistas o diretor mencionou que, de fato, queria se distanciar do realismo típico de filmes de investigação. Esse realismo que vemos em filme como Jason Bourne dá a obra um tom muito mais tenso do que vemos em Kingsman: Serviço Secreto,

O tom leve e quase infantil causado por esse visual é logo quebrado nas cenas de luta. As coreografias de combate nesse filme são impressionantes como quando Galahad aniquila todo na igreja ao som de Free Bird.

Em que foi baseado Kingsman: Serviço Secreto

Kingsman: Serviço Secreto não é uma obra original, mas também não foi baseado em um livro e sim em uma HQ intitulada The Secret Service. A revista em quadrinhos foi criada por Mark Millar e Dave Gibbons e publicada pela primeira vez em 2012 pela editora Icon Comics. A HQ teve boa recepção crítica e reconhecimento pelo trabalho de Mark Millar, mas não foi um grande sucesso comercial. Sua popularidade cresceu significativamente após a adaptação cinematográfica Kingsman: The Secret Service.

A ideia de adaptar a HQ partiu de Matthew Vaughn, o diretor, co-escritor, e produtor do filme. O diretor já havia trabalhado com Mark Millar no filme Kick-Ass. O trabalho dos dois resultou em um filme de espionagem com o estilo clássico de James Bond. A ideia era criar uma nova franquia de espionagem, resgatando o estilo clássico de James Bond com abordagem moderna e mais ousada. Por resultado, essa ideia foi muito bem executada.

Easter Eggs de Kingsman: Serviço Secreto 

Por ser uma adaptação de uma HQ Kingsman: Serviço Secreto resgatou diversos elementos da obra original. Como por exemplo, na HQ uma das missões da Kingsman consiste em resgatar o ilustre Mark Hamill, ator de Star Wars. No primeiro ato do filme a Kingsman se encarrega de resgatar o Dr. James Arnold, interpretado por Mark Hamill. Outros detalhes que passam despercebidos facilmente inclui:

Cavaleiros da Távola Redonda: O nome “Kingsman” e os codinomes como Galahad e Merlin fazem referência à Távola Redonda do Rei Arthur, conectando a organização a uma tradição britânica de nobreza, lealdade e elite secreta adaptada ao mundo da espionagem moderna.

Clássico  do terror: Quando Valentine ativa os chips e controla a mente da população mundial a fim de desencadear um expurgo em massa, como a mãe de Eggsy trancando a filha pequena no banheiro e tirando a chave do alcance. Quando o chip é ativado ela pega um cutelo e quebra a porta do banheiro em uma cena idêntica a cena do filme “O Iluminado”.

Armas mirabolantes: O uso do Guarda-Chuva como arma é uma das coisas mais marcantes desta obra. Algo tão inusitado assim seria uma escolha aleatória? Por coincidência há outras obras do gênero espionagem com esse conceito, como a série britânica, “Os Vingadores”, onde o protagonista John Steed usava o guarda-chuva em combate.

Em síntese, Kingsman: The Secret Service demonstra como referências bem aplicadas fortalecem a narrativa, equilibrando homenagem e reinvenção. Ao dialogar com a HQ original, o cinema clássico e a cultura pop, o filme constrói uma identidade própria, provando que revisitar ideias conhecidas pode gerar algo inovador e marcante.

Orçamento e bilheteria

Kingsman: Serviço Secreto alcança sucesso comercial grandioso nos cinemas. Essa adaptação custou para ser produzido um orçamento de US$ 80 milhões. A receita que esse filme gerou, estimada em US$ 414 milhões. Essa bilheteria consolidou Kingsman: Serviço Secretos como um dos filmes do gênero espionagem mais lucrativos do cinema. Para termos uma ideia, Skyfall arrecadou 1.1 milhões no cinema mundial, ocupando o primeiro lugar de maior bilheteria desse gênero. 

Kingsman foi lançado no início de 2015 e teve que competir com filmes bem “fortes”. Cinquenta Tons de Cinza, Sniper Americano, Bob Esponja: Um Herói Fora D’Água e O Destino de Júpiter disputavam a atenção do público junto Kingsman: Serviço Secreto.

Em síntese, Kingsman: The Secret Service demonstrou força ao se destacar em um cenário altamente competitivo, enfrentando grandes produções e ainda assim conquistando espaço. Seu desempenho comprova que originalidade e posicionamento estratégico podem transformar uma aposta arriscada em um sucesso relevante dentro do gênero de espionagem.

Crítica

Kingsman: Serviço Secreto se tornou um sucesso no cinema, esse sucesso vai além do desempenho comercial. A opinião do público,  em geral, se mostra positiva. O ritmo equilibrado e a estética sofisticada são pontos comuns que encontramos com facilidade em comentários do grande público sobre essa adaptação. No IMDB, essa obra alcançou 7.7/10 estrelas em uma escala enorme com 774 mil classificações. No Rotten Tomatoes esse filme alcançou 84% de aprovação em uma escala com mais de 100 mil votos.

Críticos especializados como Peter Travers, da Rolling Stone. Ele elogiou Kingsman: The Secret Service principalmente pelo seu estilo energético e irreverente, destacando a direção de Matthew Vaughn e a forma como o filme revitaliza o gênero de espionagem. Dessa maneira, podemos ter ideia do espaço enorme que Kingsman conquistou na indústria de cinema ao que diz respeito a filmes do gênero espionagem.

Trilha sonora de Kingsman: Serviço Secreto 

A trilha de Kingsman: Serviço Secreto, composta por Henry Jackman e Matthew Margeson, combina orquestra e eletrônica. O uso de músicas como Free Bird intensifica ação, humor e estilo, tornando a música parte essencial da narrativa. A faixa “The Medallion”, ela começa com um tom mais contido e elegante, usando elementos orquestrais que remetem ao peso emocional da perda do pai de Eggsy.

Agora o momento mais épico do filme, talvez de toda a franquia, é o caos na igreja onde todos sobre o efeito do chip, começa a se digladiar ferozmente. A faixa “Free Bird” começa de maneira mais suave enquanto a tensão se constrói, mas, no momento em que a violência explode, a música entra em sua parte mais intensa, especialmente o solo de guitarra. A partir daí, a cena se transforma em uma coreografia caótica e estilizada, com cortes rápidos e movimentos exagerados sincronizados com o ritmo da música. Por fim, a trilha sonora foi executada de maneira divertida e eficiente em Kingsman: Serviço Secreto.

Conclusão 

Kingsman: Serviço Secreto conquistou prêmios importantes como por exemplo o Empire Awards na categoria de melhor filme britânico. Também recebeu indicações relevantes como por exemplo Saturn Awards em categorias de Melhor Direção e melhor filme de ação e aventura. Todo esse sucesso impulsionou ainda mais a produção de uma sequência, Kingsman: O Círculo Dourado.

Em síntese, Kingsman: The Secret Service consolidou-se como um sucesso ao unir reconhecimento crítico e popular, criando base sólida para expansão da franquia. Esse cenário abriu caminho para Kingsman: The Golden Circle, reforçando o potencial comercial e narrativo do universo Kingsman. Até a próxima!

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