Morreu hoje, aos 81 anos de idade, o diretor alemão Wolfgang Petersen. Conhecido por dirigir grandes projetos e super-produções, Petersen não resistiu a um câncer de garganta contra o qual lutava fazia já alguns anos.

Nascido em Emden, na Alemanha, em 1941, o cineasta começou sua carreira no teatro, ainda em sua terra natal. A partir do início dos anos 70, Petersen passou a se dedicar ao audiovisual, primeiro dirigindo filmes para a televisão e, a partir da metade da década de 70, produções para o cinema. Petersen dirigiu seu primeiro longa-metragem, o thriller “Einer von uns beiden” (ou “Um de Nós Dois”, em português) em 1974.

Cena de Einer von uns beiden (1974). Primeiro longa-metragem da carreira de Wolfgang Petersen

O filme estrelado pelo ator Jürgen Prochnow foi muito bem-sucedido, recebendo diversas premiações em festivais e sendo elogiado pela crítica especializada. A obra também marcaria o início da parceria entre diretor e Prochnow, que duraria durante toda a sua carreira e traria muitos frutos para os dois.

Ascensão e sucesso mundial

A confirmação de seu talento para o cinema veio em seu segundo filme, “Das Boot” (ou “O Barco”, em português) (1981)que foi um enorme sucesso de crítica e público. A mega produção, feita a um custo de 18 milhões e meio de dólares (custo estrondoso para o cinema europeu da época) arrecadou quase 85 milhões de dólares no mundo todo, se transformando em uma das maiores bilheterias do cinema europeu até então.

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Cena de Das Boot (1981). Filme que fez de Petersen um diretor mundialmente famoso

Além disso, o filme foi considerado uma das melhores produções daquele ano, recebendo seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Direção e Roteiro Adaptado (ambos para Petersen) e também indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA. Feito bastante incomum para um filme que não era falado em inglês.

O sucesso dos dois primeiros filmes de Petersen, deu a ele “cacife” para dirigir uma produção ainda mais cara, a fantasia “A História Sem Fim” (1984). Produzido a um custo de 80 milhões de marcos ou cerca de 27 milhões de dólares, o filme se tornou, na época, o filme mais caro produzido fora dos Estados Unidos ou da União Soviética.

Cena de A História Sem Fim (1984)

Apesar de ter sido co-produzido por produtores americanos e de ter sido distribuído pela Warnes Bros., “A História Sem Fim” foi quase todo filmado na Alemanha com atores americanos e ingleses e falados em inglês. O filme repetiu o sucesso das outras obras de Petersen e além de ter sido elogiado pela crítica especializada, ainda arrecadou cerca de 100 milhões de dólares nas bilheterias, além de se tornado um dos filmes de fantasia mais cultuados e lembrados dos anos 1980.

Carreira em Hollywood

Depois de três sucessos seguidos, Petersen se mudou de vez para os Estados Unidos e passou a dirigir filmes americanos. A sua primeira incursão em Hollywood, no entanto, foi uma decepção. A ficção-científica “Inimigo Meu” (1985), estrelada por Dennis Quaid, foi um enorme fracasso de público. Apesar de até ter recebido boas críticas, o filme, que custou 29 milhões de dólares para ser produzido, arrecadou apenas 12 milhões em bilheterias.

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Cena de Inimigo Meu (1985)

Isso fez com que Petersen se afastasse das telonas por seis anos. Em 1991, o diretor lançou seu quinto filme, o thriller psicológico “Busca Mortal”. E dessa vez, o fracasso foi de público e também de crítica. Com apenas 36% de aprovação no Rotten Tomatoes, a obra produzida a um custo de 22 milhões de dólares, arrecadou apenas 11 milhões nas bilheterias.

Apesar de dois fracassos seguidos, Hollywood ainda acreditava em Petersen e o sexto filme do diretor seria uma super-produção estrelada por Clint Eastwood, o thriller policial “Na Linha de Fogo”. A obra provou que o talento de Petersen não tinha desaparecido. Com aprovação quase unânime da crítica especializada, “Na Linha de Fogo” foi indicado a três Oscars, três BAFTAs, um Globo de Ouro e adiversos outros prêmios importante. Além disso, o filme, que tinha custado cerca de 40 milhões para ser produzido, arrecadou quase 200 milhões nas bilheterias norte-americanas.

Clint Eastwood em cena de Na Linha de Fogo (1993)

Depois disso, Petersen consolidaria sua reputação como diretor de grandes projetos, estando a frente do filme de desastre “Epidemia” (1995) e do filme de ação “Força Aérea Um” (1997). Ambos foram bem recebidos pela crítica especializada, além de terem sido enormes sucessos de bilheteria. “Epidemia” arrecadou quase 190 milhões de dólares, sendo produzido a um custo de 50 milhões. Enquanto “Força Aérea Um” arrecadou mais de 315 milhões de dólares e custou 85 milhões para ser produzido.

Gary Oldman e Harrison Ford contracenando em Força Aérea Um (1997)

Em 2000, Wolfgang Petersen dirigiu seu primeiro filme com orçamento superior a 100 milhões dólares, “Mar em Fúria”. Que, apesar de não ter sido tão bem recebido pela crítica, conseguiu arrecadar cerca de 328 milhões de dólares e receber duas indicações ao Oscar em categorias técnicas, Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais.

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Nos anos 2000, Petersen dirigiu apenas dois filmes. Ambos super-produções, mas com resultados bem diferentes. “Tróia” (2004), apesar de ter sido recebido de forma fria pela crítica especializada, foi muito bem nas bilheterias, arrecadando quase 500 milhões dólares, tendo sido feito com um orçamento de cerca de 175 milhões de dólares. Já Poseidon (2006), remake do clássico “O Destino de Poseidon” (1972), foi um fracasso tanto de público quanto de crítica. Com um elenco estelar e um orçamento de 160 milhões de dólares, o filme conseguiu arrecadar apenas cerca de 181 milhões nas bilheterias, além de ter sido considerado um dos piores filmes lançados em 2006.

Brad Pitt em cena de Tróia (2004)

Depois do fracasso de Poseidon, Wolfgang Petersen ficou dez anos sem dirigir um outro longa-metragem. Em 2016, o diretor voltou para a Alemanha onde dirigiu a comédia “Quatro contra o Banco”. Seu primeiro filme em 35 anos todo falado em alemão. Uma obra de orçamento pequeno e que acabou por ser seu último esforço como diretor.

Apesar de ter dirigido “apenas” 12 longas-metragens em toda a sua carreira, Petersen teve uma enorme influência no cinema comercial produzido nas décadas de 80 e 90. A prova disso, é que quase todo mundo já assistiu a pelo menos um filme dirigido por ele nesse período.

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